A LIBERDADE DO CURINGA

A LIBERDADE DO CURINGA

Se a vida fosse um grande jogo (quem sabe não é?) com certeza eu seria um curinga, muitos brigariam pelo rei ou pela rainha, mas eu continuaria sendo o curinga, pela liberdade que me inspira, por ser enigmático, por sua particularidade e raridade.

Thumbnail image for b3ad98c3fc0b9ae7c5c7db7e8760d634.jpg Jack Nicholson, The Joker, Batman, 1989.

Difícil não se fascinar com a figura de um curinga. Não foi por acaso que quando ganhei o livro “O Dia do Curinga” do escritor norueguês Jostein Gaarder (autor do renomado “O Mundo de Sofia”) fiquei fascinada com o título.

A narrativa se passa durante uma viagem, o que por si só já acarreta muitas descobertas. O personagem principal, o menino de 12 anos Hans Thomas ganha um livro logo no início de sua jornada, o que nos traz a sensação de haver uma estória dentro da estória e uma viagem dentro da viagem (afinal não existe viagem maior do que ler um livro), ao mesmo tempo que o garoto se desloca para Grécia com o seu pai ele também conhece uma estranha ilha através da leitura. Por fim, um charme especial, cada capítulo é uma carta de baralho, ou seja este livro também é um jogo.

Se a vida fosse um grande jogo (quem sabe não é?) e nós fossemos cartas de baralho com certeza eu seria um curinga, muitos brigariam pelo rei ou pela rainha, mas eu continuaria sendo o curinga, pela liberdade que me inspira, por ser enigmático, por sua particularidade e raridade.

“Um curinga é um pequeno bobo da corte, uma figura diferente das outras. Não é nem de paus, nem de ouros, nem de copas e nem de espadas. Não é oito, nem nove, nem rei e nem valete. É um caso à parte, uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é o seu lugar”.

Impossível não se lembrar do vilão mais amado dos quadrinhos, o Coringa do Batman, um personagem único que desperta amor e ódio ao mesmo tempo, com senso de humor refinado, tiradas espertas e que faz tudo por diversão. Também é possível relacionar esta figura com o arcano número 0 do tarô, o qual é considerado o curinga deste baralho, mas pode ser chamado de louco ou bobo, é um personagem na beira de um abismo com apenas uma trouxa de roupa em suas mãos prestes a saltar, este simboliza a liberdade, o desapego, inocência e despreocupação.

Dessa forma enquanto todas as outras cartas formam um sistema integrado, fechado e pré-definido, o curinga é livre para ser o que ele é. Livre até mesmo para questionar a si mesmo e o sistema ao qual supostamente pertence.

 

2 comentários em “A LIBERDADE DO CURINGA

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