FILMES QUE NÃO FORAM INDICADOS AO OSCAR (MAS QUE VOCÊ DEVERIA VER)

FILMES QUE NÃO FORAM INDICADOS AO OSCAR (MAS QUE VOCÊ DEVERIA VER)

Entre todos os excelentes filmes indicados ao Oscar, ficam aqueles tão excelentes quantos, menores, que não receberam indicações, mas que merecem ser vistos por suas histórias criativas que instigam um olhar diferenciado sobre nós mesmos e nossa sociedade.

Filmes que não foram indicados ao Oscar

As premiações de Hollywood, embora ainda muito relevantes, são compostas por um pouco mais de política do que arte. Não é muito difícil criar previsões e acertar em boa parte quais serão os indicados, e a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ou Oscar, não fica muito longe desta categoria.

Embora os filmes indicados sejam, em sua maioria, sempre excelentes, existem aqueles outros sem muito destaque na mídia, que pouca gente ouviu falar, às vezes estranhos e curiosos, mas sempre inventivos, que podem até ter passado no cinema da sua cidade, mas em poucas salas. Ao invés de fazer mais uma lista falando sobre aqueles indicados lá do início, vamos jogar luz sobre esses filmes menores, que não receberam indicações do Oscar, mas que você deveria assistir com certeza.

Expresso do Amanhã (Snowpiercer, Joon-ho Bong, 2014)

Expresso do Amanhã

Expresso do Amanhã é o primeiro filme em inglês do diretor sul-coreano Bong Joon-ho (de O Hospedeiro). Baseado na graphic novel francesa Le Transperceneige, o longa acontece em um cenário futurístico, onde uma tentativa de parar o aquecimento global deu errado e todas as pessoas que restaram no planeta estão dentro de um trem. Nele, as pessoas são divididas em vagões de acordo com sua classe social, até que, dezoito anos depois, o grupo que fica no último vagão decide chegar até o primeiro e tomar o trem.

Através de um forma visual inteligentíssima de contar história, os personagens fazem suas escolhas seguindo a direção do trem, e cada vagão apresenta um novo cenário tão estranho e interessante quanto o anterior. Carregado de uma crítica por entre os elementos de filmes de ação, Expresso do Amanhã é um filme absolutamente relevante.

Sob a Pele (Under the Skin, Jonathan Glazer, 2013)

Sob a Pele

Sob a Pele é um daqueles filmes que nos tira completamente da zona de conforto. Nele, Scarlett Johansson interpreta uma alienígena que vem à Terra em busca de presas humanas. Percorrendo caminhos obscuros, acompanhada de uma trilha sonora enervante, a personagem começa a fazer perguntas sobre si mesma enquanto observa e compreende o comportamento dos humanos.

Através do crescente incômodo que vê em sua própria natureza, ela gera uma sensação espelhada em nós mesmos e nossos costumes.

Força Maior (Force Majeure, Ruben Östlund, 2014)

Force Majeure

Força Maior conta a história de uma família sueca, aparentemente toda certa, que vai passar as férias nos Alpes. Quando uma avalanche acontece durante um almoço, apesar de não ter nenhum dos efeitos de tragédia que se esperava, a reação do pai da família durante o acontecimento faz com todas as relações sejam abaladas.

Funcionando como uma comédia e também como um drama, Força Maior consegue atingir pontos importantes sobre nossas interações familiares, através de momentos engraçados, sim, mas que não deixam de ter aquele tom de verdade que costumamos preferir ignorar.

Uma Aventura Lego (The LEGO Movie, Phil Lord e Christopher Miller, 2014)

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Uma Aventura Lego não se encaixa nos modelos de um filme pequeno, porque é bem provável que você tenha ouvido falar bastante dele. Mas sua ausência dos indicados a Melhor Animação do Oscar garantiu seu lugar nesta lista porque é um filme que tinha tudo para dar errado, e de alguma forma funcionou brilhantemente.

Acompanhando Emmet, um Lego comum que de repente se vê obrigado a participar de uma aventura para salvar seu mundo, o filme acaba se transformando em uma comédia divertida, inteligente e criativa.

Life Itself – A Vida de Roger Ebert (Life Itself, Steve James, 2014)

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Roger Ebert foi um dos principais críticos de cinema do mundo. O documentário acompanha seus últimos meses de vida, em que lutava contra um câncer, e remonta sua vida profissional, baseado em seu livro de mesmo nome, Life Itself.

Carregado de emoção, tanto quanto seu personagem principal, o documentário nos mostra principalmente o amor que cerca Roger, tanto dele quanto para ele, através das pessoas que o acompanharam e daquelas que tocou com suas palavras.

Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive, Jim Jarmusch, 2013)

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Amantes Eternos é um filme de vampiros mas, antes que você feche essa página e diga que não aguenta mais saber desse gênero, digo que este é aquele filme que vale a pena assistir, porque ele é realmente diferente. Eve e Adam tem um romance que dura alguns séculos, mas ao mesmo tempo em que suas crenças na humanidade e no caminho que está tomando vai diminuindo, a irmã mais nova e descontrolada de Eve aparece e faz a relação dos dois se tornar instável.

Apenas pelas interpretações de Tilda Swinton e Tom Hiddleston, o filme já vale completamente a pena. Mas além disso, ao deixar de lado os elementos típicos de filmes de vampiros, Amantes Eternos constrói uma história interessante sobre imortalidade e amor.

O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man, Anton Corbijn, 2014)

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Baseado no livro de John Le Carré (O Espião que Sabia Demais, O Jardineiro Fiel), o filme acompanha um imigrante checheno que entra ilegalmente em Hamburgo, em busca de uma herança deixada por seu pai. Sua entrada é captada pelo serviço secreto alemão, que enxerga a possibilidade de sua história fazer parte de uma fachada para atos terroristas.

Com de uma atmosfera pesada e tensa, O Homem Mais Procurado, um dos últimos filmes de Philip Seymour Hoffman, divide o terrorismo entre os extremistas religiosos e os homens de ternos, um tão capaz de causar mal quanto o outro.

Locke (Locke, Steven Knight, 2013)

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Locke parte de uma premissa difícil: acompanhar uma viagem de carro de um personagem, sozinho, durante praticamente seu tempo real, de pouco mais de noventa minutos. Um filme com apenas um personagem dentro de um carro não parece interessante, mas Steven Knight e Tom Hardy fazem com que você sinta muita coisa durante todo o tempo. Ivan Locke é um profissional bem sucedido, casado e pai de família, até que comete um erro e decide corrigi-lo em um ato de certa forma corajoso, mas que vai danificar todas suas relações e tudo que construiu.

Com uma fotografia belíssima das estradas que percorre, Locke conta sua história através das conversas por telefone com os outros personagens, Tom Hardy dando tanta carga emocional a todas as suas falas que é difícil não se envolver. Com um olhar criativo sobre como fazer cinema é possível de diversas maneiras, Locke é um estudo de personagem muito bem sucedido.

O Amor é Estranho (Love is Strange, Ira Sachs, 2014)

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Alfred Molina e John Lithgow interpretam George e Ben, um casal que está junto há quarenta anos e que finalmente se casa mas, logo após, George perde seu emprego e os dois se vêem obrigados a vender sua casa para comprar outra mais barata. Com o complicado mercado imobiliário, precisam morar separados durante este período. George vai morar com dois amigos policiais e Ben com a família de seu sobrinho, e a situação se configura tão complicada para eles quanto para seus amigos e parentes.

Com um olhar sensível sobre o amor e nossas complicadas relações com as pessoas que nos são próximas, o filme torna-se, sobretudo, uma representação muito real, e por isso difícil e apaixonante, de como nos relacionamos.

O Homem Duplicado (Enemy, Denis Villeneuve, 2013)

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Colocando Denis Villeneuve e Jake Gyllenhaal juntos mais uma vez, O Homem Duplicado tem uma atmosfera tão pesada quanto a outra parceira do diretor e do ator, Os Suspeitos. Neste filme, o personagem de Gyllenhaal, um professor de história que parece não ter nenhum interesse em sua vida, encontra um sósia seu em um filme, e decide procurá-lo. Quando os dois se conhecem, suas vidas tornam-se entrelaçadas e uma trama complexa e difícil de compreender superficialmente se desenrola.

Com excelentes atuações, O Homem Duplicado entra na categoria de filmes que enrolam nossas cabeças através de enredos complicados, mas que é bem sucedido em criar suspense e mistério com personagens cheios de camadas e algumas aranhas assustadoras (leia mais sobre o filme aqui).

Obvious Child (Obvious Child, Gillian Robespierre, 2014)

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Donna Stern é uma comediante de pouco sucesso, que leva sua vida da forma mais comum possível, com seus vinte e tantos anos. Mas, depois de levar um fora do namorado, perder o emprego e descobrir que está grávida quase no Dia dos Namorados, ela se vê obrigada a finalmente enfrentar o amadurecimento que tanto evitava, percebendo aos poucos que a dificuldade está em deixar outras pessoas participarem de sua vida, e não tentar fazer tudo sozinha.

Ao observar a gravidez não planejada com olhos mais atuais, a diretora Gillian Robespierre permite uma visão muito mais realista e aberta sobre as mulheres, e transforma sua franqueza em momentos tão engraçados quanto sentimentais, nos incentivando a falar mais sobre nós e nossas experiências, nos lembrando que é a soma delas que constrói quem somos.

Publicado originalmente em CineOpinativo.

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