VIDA INTERMEDIADA

VIDA INTERMEDIADA

O smartphone como parceiro à mão, evita que tenhamos de nos haver com a própria solidão, com os próprios pensamentos, e nem sempre isto é fácil. Pensar sobre si, e sobre os outros, suas atitudes, erros e acertos, verdades e mentiras.

A comunicação tornou-se necessidade primária para grande parte da população, mas vale a pena tentar experimentar como éramos antes do advento destas tecnologias. A onipresença do mundo virtual na minha vida me incomodou ao ponto de me motivar a ficar por quase dois meses sem celular, e internet móvel. Este recurso sempre à mão tem sido usado para preencher os momentos de solidão, e dar a falsa sensação de que se está sempre ocupado, mesmo que com uma comunicação por vezes desnecessária e fútil como é muito comum. Nada contra as futilidades, brincadeiras e contatos, mas é muito melhor ao vivo não é? Pessoas super ativas nas redes sociais que quando estão em reunião de amigos continuam ligadas nos aparelhos e sem atividade social.

scrotos-breja-e-ressaca-copo-conteudo-saia-da-porra-do-celular-mulheres-meninas-conectadas.jpg

Não dá para entender a preponderância das conexões virtuais sobre aquelas com as pessoas que dispendem seu precioso tempo para estar em companhia de outros. O problema não é o aparelho e a rede, pois trazem inúmeras facilidades, penso que o problema é o uso, é tornar o mundo virtual como prioridade, tendo a paz interrompida a todo instante por avisos sonoros, checando facebook durante a malhação ou a cada sinal vermelho no trânsito, ou pior ainda, no momento em que se está conversando com alguém. Inclusive, acho bastante desrespeitoso quando em ocasiões que você dispende tempo e locomoção para estar com alguém e este outro não deixa de ficar ligado em inúmeras conversas virtuais. O silêncio e a reflexão permitem aprofundarmos nossa existência. Sem esta profundidade tudo fica na superfície, fica-se neste fluxo intermitente o dia todo, e para muitos nem o travesseiro ajuda a pensar, pois quando os pensamentos transbordam, recorre-se ao uso de remédios para dormir.

Rua_de_Santa_Catarina.jpg

Durante o tempo sem smartphone percebi melhor as coisas ao meu redor, pessoas, lugares, pequenos acontecimentos. Nesta ocasião tive a oportunidade de me dar conta: nas salas de aeroporto e saguões de hotel 100% das pessoas estavam conectadas, os restaurantes, um pouco menos, nas ruas as pessoas se esbarram porque estão de olho no smartphone. É relaxante não ter a necessidade de checar ou dar respostas, saber o que os outros estão fazendo, ou ter de dizer o que se está fazendo. Estar inteiramente com a pessoa que está ao seu lado, falar bobagens frente a frente, criar distrações e sentir um pouco de tédio.

selfie2.jpg

No universo da imagem mediada pelas redes tudo o que se absorve dos outros e o que se constrói para si ocupa tanto tempo e é contudo tão cheio de engodos, que subtrai doses de vida real das pessoas. Diversas compulsões surgem deste comportamento, compulsões por beleza, compras e modismos. Sem falar dos estados depressivos pois a maioria das postagens retrata felicidade alheia, o que causa inveja, e neste engano, algumas pessoas se isolam, se nutrem de companhia estando sozinhos em casa. Não basta estar vivo, o corpo precisa de trocas com outros, precisa de abraço, olho no olho, gargalhadas, dança, amigos de verdade, sexo de verdade, e isto muitas pessoas estão desaprendendo a fazer, por investirem mais nas relações virtuais.

Um comentário em “VIDA INTERMEDIADA

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s