Artes · Fotografia

O SURREALISMO FOTOGRÁFICO DE RODNEY SMITH

O SURREALISMO FOTOGRÁFICO DE RODNEY SMITH

Formado em fotografia pela Universidade americana de Yale City, sob as orientações acadêmicas de ninguém menos que Walker Evans, o grande fotógrafo da depressão americana, Smith depois passou a ser professor desta mesma instituição e de outras faculdades estadunidenses e europeias. O fotógrafo também publicou três livros: “A Terra da Luz” em 1983, que traz observações sobre o período que passou em Jerusalém. “O livro chapéu” em 1993 e recentemente “The end”(2010) que reúne suas obras mais atemporais. A arte de Rodney Smith está espalhada por diversas galerias pelo mundo, exposições e amostras apaixonadas.

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A poética fotográfica de Rodney Smith nos invade pela beleza singular, pelo surrealismo em branco e preto, pelo delírio e elegância de uma abstrata luz esculpindo um universo intrigante, nos convidando a percorrer seus espaços e encontrar às razões que fizeram nos perdermos lentamente.

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Escrever sobre este criador Nova-iorquino é mergulhar nas correntes anacrônicas que deságuam em seu olhar. É desbravar um universo particular, somente seu e de suas cênicas criações límpidas, em misteriosos enquadramentos que rejuvenescem a cada nova abordagem, naquele instante onde a interpretação do artista redesenha nossas percepções.

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Se fizéssemos um paralelo com outro artista e a obra de Smith, encontraríamos talvez, no final da reta, a linha que o aproxima do genial pintor belga, Rene Magritte. O homem de chapéu, o inusitado e devaneante jogo, a significação plástica que nem imaginávamos ser possível. Pessoas reais em ambientes excêntricos e/ou solitários em seus desdobramentos fotográficos. Ao plano do olhar imediato, a arte de Rodney cria vínculos elegantes com longos sentimentos de prazer instantâneo, não menos, permanentes.

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Depois desse primeiro contato, o “não cinema” deste retratista fantástico, revela estranhas conexões subconscientes: As fotografias montadas em ambientes urbanos que nos tomam de assalto para o absurdo e o sarcasmo. As misteriosas mulheres imperceptíveis no meio do mar ou da rua, o jovem observador engravatado, procurando algo longínquo, impenetrável entre árvores e muros gigantes, portas irreais que abrimos – e saltamos – para descortinarmos a certeza de estarmos dentro da mente de alguém que traz, à luz, profundos diálogos inimagináveis.

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Outra grande referência para Smith vem de Sigmund Freud – onde o autor confessa em sua biografia que o psicanalista salvou sua vida – Obscuros objetos minimalistas espalhados em imagens sem efeito visuais além do próprio efeito da retina sendo estudada e esculpida com delicadeza. As ironias citadinas, os personagens se entrecruzando como se fossem fantasmas cinematográficos tomados por líquidos, flash e sonhos, luzes cinzentas deslizando pelos véus brancos, campos verdejantes escondendo elementares segredos que ousamos tentar desvendar. Rodney Smith age como um diretor de teatro, mas um teatro estático, onde o desenrolar das cenas e sua riqueza textual dependerá, de nossas múltiplas encarnações imaginárias.

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A vontade que nasce, depois de voltarmos a nossa realidade avessa, é de se embrenhar além das cortinas que separam nosso olhar do mundo exterior. Rodney Smith nos transmite, em suas geniais abordagens enigmáticas, que as fotografias – além do que já sabemos – podem ser roubadas do tempo, podem ser crônicas cotidianas verborrágicas e também podem ser aquilo que porventura estava escondido e impregnado em nosso dia-a-dia, mas julgávamos até então, ser impossível revelar.

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Sua arte, em verossimilhança surrealista com a realidade, é um mundo no qual fazemos parte e nosso olhar, até então, à margem da imagem, agora congela tudo aquilo que for palpável e caótico.

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© obvious: http://lounge.obviousmag.org/zoom_nas_visceras/2015/02/o-surrealismo-fotografico-de-rodney-smith.html#ixzz3RAMrYme2
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