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AMANDO OU CARENTE?

AMANDO OU CARENTE?

Quando estamos sós em quarto frio no meio do inverno vemos a necessidade de ter alguém para esquentar nossos pés. Isso é comum e natural. Mas quando esse necessidade se torna uma busca incessante para estarmos com uma pessoa – seja lá quem for – temos que ficar extremamente alertas: podemos estar carentes e não amando.

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Dizem os entendidos em psicologia humana que a solidão pode dar assas a sua criatividade. Isso até pode ser verdade, agora mais dia ou menos dia você sentirá vontade de compartilhar com alguém seu tempo, suas atividades, aquilo que gosta ou não.

Mesmo que isso possa demorar, o ser humano é um ser social, se relaciona com pessoas o tempo todo. Não poderíamos pensar em se tornar uma ilha em um mar de pessoas e suas conexões insanas por meio de redes sociais, WhatsApp, messengers e outros.

O compartilhamento de experiências – bizarras ou não – é universal. No Facebook por exemplo vemos exemplos de usuários que pedem onde podem comprar um bolo de aniversário, dizem que separam-se do cônjuge, perderam um ente querido ou até mesmo querem algo mais caliente com o vizinho ao lado.

Para os puristas de plantão isso pode ser invasão de privacidade ou em um formato acima da média uma auto super-exposição da sua própria imagem. Porém, se ver mais a fundo isso é uma forma de compartilhar, ser social.

Claro, você pode até pensar que essa ideia de ser social em frente a um computador ou smartphone é conversa para “boi dormir”, que o ideal é ir até um bar, conhecer aquela pessoa interessante e dali poderá no mínimo surgir uma grande amizade. É, pode até estar certo.

O que aflige hoje as pessoas como um todo não é simplesmente ter um amigo, mas a carência por não ter com quem compartilhar suas aflições, angústias, tristezas, mágoas. Essa carência não pode ser suprida por UMA AMIZADE, mesmo que grande. Isso porque amigos – apesar do ditado- podem não ser disponíveis todas as horas, e por inevitabilidade do cotidiano iremos nos deparar sempre solitários com nossos fantasmas existenciais. Essa busca incessante e constante por novas experiências, novos amigos, novos amores, novas paixões e mais alguma coisa nova; faz com que não nos sintamos suficientemente preenchidos.

Por isso quando acabamos amarrados com as “algemas do amor” se parece que tudo irá ruir em um instante, e digo isso por experiência de causa.

rope-494423_640.jpgEstá amarrado com aquele coração

A urgência em termos alguém bem íntimo e próximo que possamos compartilhar nossas dificuldades acaba deixando as relações mais intensas, porém mais tênues. Então vemos casamentos que “tinham tudo para dar certo” se acabando, casais traindo um ao outro, brigas constantes, e um mar de problemas se amontoa sobre aquilo que era tão bom.

Depois de tanto levar “na cabeça” como se diz, aprendi que qualquer relacionamento deve ser cunhado em pilares sólidos. As “paixonites” adolescentes – apesar de eu já ser adulto – deviam ser deixadas de lado para algo mais concreto. Só que mesmo pensando de forma mais realista do que efêmera ainda por diversas vezes me encontro perguntando se aquilo que sinto é carência ou amor.

Pode parecer piegas, mas o amor “nada vê, tudo aceita, tudo suporta, não sente ciúmes, inveja ou dor”. Quando nos relacionamos com alguém e vivenciamos uma forma de suprir nossa falta de com quem compartilhar nossas mazelas, não estamos amando de fato, estamos carentes.

Quando estamos somente carentes o relacionamento com outra pessoa “não vinga”. Acabamos descobrindo que as compatibilidades não existem, que o jeito dela guardar a roupa te incomoda, que o jeito dele comprar frutas de irrita, e acaba se encaminhando para o fim.

como-evitar-brigas-no-relacionamento-10060-1.jpgA carência só aumenta as brigas

Um relacionamento forjado pela carência de um dos dois – ou de ambos – se torna tóxico porque não há ligação afetiva, simplesmente uma depressão emocional passageira que, com o passar do tempo, dá ao outro, sentimento de posse. Assim, os momentos que antes pareciam lindos e maravilhosos acabam se tornando entediantes. Em resumo a carência sufoca o verdadeiro sentimento de amor.

Nos dias de hoje raramente vemos casais com mais de dez anos de casados. Não posso dizer que seja de todo modismo, mas posso garantir que grande parte dos casais que permanecem anos à fio, suportam um ao outro, mesmo com seus defeitos. A carência não suporta defeitos, atrasos, cobranças, por ela ser egoísta.

A necessidade de estarmos sempre perto de uma pessoa, enviarmos toneladas de mensagens, ligar todo o santo dia ou encher a caixa de e-mails da criatura com duas palavrinhas já demonstra – além de insegurança – carência. Por isso temos que ter muito cuidado ao se relacionar afetivamente com qualquer pessoa, para evitarmos a dependência de ter alguém.

Mesmo que a psicologia contemporânea não tenha identificado de forma cabal o que sentimos quando estamos amando alguém, temos que ter um cuidado extremo. Para que aquilo que chamamos de amor não seja só carência, e depois de alguns dias, meses ou quem sabe até anos, venhamos estar na frente do computador, com o Facebook aberto, lágrimas nos olhos, e digitando para os quatro cantos: “estou tão sozinho”.

 

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