APRENDER A SE BASTAR. PRA QUÊ?

APRENDER A SE BASTAR. PRA QUÊ?

Aprender a se bastar parece uma tarefa difícil para a maioria de nós. Somos todos interdependentes, mas, paradoxalmente, precisamos estar plenos e seguros de nós mesmos para o equilíbrio desta interação. O que geralmente acontece parece ser, por ironia, o contrário: agimos de modo egoísta, mas não sabemos sequer estar em paz conosco. Tudo que desejamos está imbuído com a finalidade de alimentar nossas carências. Todavia no momento de quedar sozinhos, sucumbimos em pânico – buscamos nas pessoas e objetos nossa satisfação.

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Por que tememos tanto a solidão? Qual o motivo de quase sempre ser deveras sofrível e angustiante estar simplesmente consigo mesmo? Talvez nunca tenham nos ensinado a conhecer a nós próprios. E quem é esse “nós próprios”? Com o que iremos nos deparar?

Sabemos muito do mundo: aprendemos na escola que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos, descobrimos e catalogamos infindáveis espécies viventes sobre o planeta, dividimos o átomo e desenvolvemos a energia nuclear, descobrimos que a lua leva 27 dias 7 horas e 43 minutos para dar um giro completo ao redor da Terra, aprendemos formas de nos locomovermos mais rapidamente e desbravamos todos os oceanos e continentes. Somos, e com muito orgulho, animais razoavelmente bem sofisticados.

Porém o que de fato realmente sabemos sobre quem somos? Estar só, para muitos, pode ser um árduo exercício e requer a virtude da paciência. Aprender a se bastar é trilhar sozinho um caminho de incertezas, ser tentado o tempo todo à desistência, recear nossas próprias fraquezas, desejar voltar pelo caminho mais fácil, a tão atraente zona de conforto. Não é à toa que há milênios muitos yogis, santos, monges e até mesmo homens comuns largam suas vidas para passar anos isolados em montanhas e cavernas.

Apesar de o homem ser por natureza sociável, cada um precisa desenvolver previamente suas faculdades interiores para que suas relações sejam efetivamente harmônicas, e não predadoras da malha coesiva da existência. E isso apenas o caminho da solitude pode proporcionar até o dia em que se possa descobrir ser impossível estar sozinho.

Assim que superarmos o medo absurdo da solidão e começarmos a de fato aprender a apreciar quem verdadeiramente somos, honrando nossa jornada individual sem comparações e sem julgamentos, nos daremos por conta de que somos aquela pessoa que sempre procurávamos encontrar; que não precisamos de uma outra metade que nos complete, porque já estamos pleno; que nossa felicidade de modo algum precisa estar atrelada à existência de um objeto ou outra pessoa, mas que esta mesma pessoa sempre será bem-vinda para compartilhar todos os momentos preciosos que a vida for nos reservar.

Liberdade é ter coragem para desvendar esse “si próprio” que tanto anseia por se realizar, sujeito apenas ao que se é, de fato, sem necessidade de afirmações e circunstancias externas para ser. Apenas este ser pode dar a verdadeira liberdade de escolha e autonomia sobre a vida. Descubra-o e desfrute-o.

 

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