A TRILHA SONORA DE CINQUENTA TONS DE CINZA É BROXANTE

A TRILHA SONORA DE CINQUENTA TONS DE CINZA É BROXANTE

A trilha sonora da versão cinematográfica de Cinquenta Tons de Cinza consegue a grande proeza de não fazer sentido algum – fora garantir a atenção de adolescentes para as paradas musicais.

Ellie_Goulding_Love_Me_Like_You_Do_Soundtrack_Cinquenta_Tons_De_Cinza_Fifth_Shades_Of_Grey.jpg

Não assisti Cinquenta Tons de Cinza ainda, mas pretendo o fazer lá pelo meio do ano. Logo, não tenho motivos para entrar na moda atual de gongar tal produção, como os inúmeros cinéfilos de carteirinha em redes sociais. Mesmo porque, nunca vi grande pretensões nessa história.

Li o primeiro livro há alguns anos quando estourou mundialmente e desde lá já tive consciência de sua qualidade que, a muitos agrada, a tantos outros desperta a fúria e vontade de externar o ódio por ai. Na época, a estória toda não me pegou, talvez por eu não ser o público alvo, ou por eu estar numa vibe de aventuras medievais, sei lá. O “Keep Calm And” não me agradou a ponto de ler os demais da trilogia.

Entretanto, com isso, pude entender qual a temática, qual é a dos personagens envolvidos e de todo aquele universo criado. Por isso mesmo, me senti, no mínimo, intrigado com a trilha sonora oficialteen Pop que montaram para a divulgação do longa.

Isso de criarem um álbum com canções que em nada tem a ver com a produção cinematográfica apenas para popularizá-lo em outros meios já é bem antigo. Alguns dos exemplos mais recentes são os da trilogia Jogos Vorazes, cuja grande maioria das canções nem mesmo toca durante as horas de filme. E mesmo em canções que tocam nos créditos finais, algumas escolhas bem erradas tem sido feitas, por exemplo: “I See Fire”, do Ed Sheeran, que em nada acrescenta ao segundo filme do Hobbit. Mas com a trilha sonora da estória S&M de Grey e Anastasia, tal incoerência chega a beirar o engraçado.

content_picddddddddddddddd.jpg Capa da trilha sonora

É de se imaginar que num enredo onde uma jovem virgem é completamente tomada pela paixão por um cara a ponto de se deixar ser dominada (em muitos sentidos) e dominá-lo (em outros sentidos), uma boa dose de sensualidade deve exalar nas faixas, certo? Isso até acontece na deliciosa “I Put a Spell on You”, cover da Annie Lennox para essa grande canção da Nina Simone, embebedada num instrumental delicadamente sombrio ideal para abrir os trabalhos, o mesmo para o remix sussurrante de “Crazy In Love”, da Beyoncé, capaz de arrepiar cada folículo do seu corpo. Mas a sensualidade para por ai mesmo.

“Earned It” e “Where You Belong”, do The Weeknd, até contem nas letras referências da dependência sentimental dos personagens, mas se perdem em meio a um instrumental remotamente pensado para soar Indie, mas que não sai da rasura do Pop radiofônico “cool” atual. Pelo mesmo caminho raso segue “Love Me Like You Do”, da chata da Ellie Goulding, I’m on Fire, dos chatos do Awolnation, e “One Last Night”, da banda Vaults: todas colocadas para atrair um público mais novo que pensa ouvir música para mais velhos.

Há também música para, ai sim, o público mais velho com as ótimas “Best of Burden”, “Witchcraft” e “Meet In The Middle”, respectivamente dos Rolling Stones, Frank Sinatra e da Jessie Ware. São boas faixas, mas não salvam o resultado final e se tornam completamente deslocadas na produção.

E “deslocado” é um bom termo para definir algumas outras ai. Por exemplo, as baladas “I Know You”, da Skylar Grey, e “Salted Wound”, da Sia, poderiam ser encaixadas em séries televisivas como The Vampire Diaries ou Gossip Girl. Já a energética “Undiscovered”, da Laura Welsh, funcionaria melhor para a apresentação de algum calouro do American Idol tamanho o apelo Pop da mesma. Por fim, o maior potencial a descrever a estória toda musicalmente, “Haunted”, da Beyoncé, é estragado por um remix fajuto que a transforma numa musiquinha chinfrim e broxante de rave.

Não sou um hater de Hollywood e, sinceramente, não tenho paciência alguma para pessoas desse tipo, mas ao terminar de escutar esse álbum antes de postar esse artigo, uma triste impressão fica em minha cabeça de o quão medíocre está a indústria Pop ultimamente ao venderem como trilha sonora de um longa-metragem soft adulto um apanhado embusteiro de músicas construídas milimetricamente para garantirem boas posições em iTunes e Billboards da vida. Se é para atrair público, não funcionou comigo…

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s