A verdade (meio perturbadora) por trás dos casais que se parecem fisicamente

A verdade (meio perturbadora) por trás dos casais que se parecem fisicamente

(superinteressante)
Ana Carolina Prado

(Dimitrios Kambouris/Getty Images)

Mães e avós muitas vezes disparam algumas verdades sobre a vida que a gente não faz ideia de onde vêm. Sabedoria milenar transmitida de geração para geração? Crendices que calham de ser aplicáveis em algumas situações? Vai saber. Mas uma coisa que a minha mãe disse algumas vezes me deixou especialmente curiosa: “quando o casal se parece fisicamente, eles se casam”. Eu já me peguei repetindo isso ao falar sobre casais de amigos que se dão bem e cuja semelhança física está em traços do rosto, mesmo, e vão muito além de meros trejeitos adquiridos pela convivência.

Para confirmar a teoria, sites por aí estão publicando listas com casais que parecem irmãos gêmeos e eu comecei a achar isso tudo meio perturbador. E aquele papo de que opostos se atraem? A gente vai acabar com uma pessoa que é a nossa cara no sentido físico da coisa? Para a minha surpresa, a ciência parece comprovar a teoria da minha mãe. O site Mic.com reuniu uma série de evidências que apontam para essa direção. Vamos lá.

Evidência 1: procuramos uma sensação de familiaridade

Por mais que você seja do tipo que curte aventuras e desafios e explorar o desconhecido, temos que admitir que humanos se sentem confortáveis com as coisas que conhecem – e o que existe de mais familiar do que a nossa própria cara? Sobre isso, o pesquisador em psicologia Tony Little, da Universidade de Stirling, na Escócia, já afirmou: “Quando você tem um rosto que se parece mais com você, tende a confiar mais e achar que é mais amigável”.

Há números para comprovar essa tendência: a pesquisadora Emma Pierson estudou 1 milhão de “matches” do site de namoro eHarmony e descobriu que as pessoas se mostram MUITO mais interessadas ​​em pessoas parecidas com elas. Pessoas que apresentavam alguma característica física mais específica tendiam a preferir outros com esse mesmo traço. Mulheres mais altas apresentam uma preferência mais intensa do que as outras mulheres por homens altos, por exemplo. O mesmo se dá com pessoas mais atléticas. Uma pesquisa publicada no Personality and Social Psychology Bulletin em 2010 confirma essa tendência ao observar que o cérebro processa imagens familiares com mais facilidade. Na real, o cérebro curte TANTO uma familiaridade que umestudo de 1995 com pessoas casadas descobriu uma incidência muito alta de casais com nomes que soavam parecido (tipo Kim e Kanye).

Evidência 2: somos narcisistas

Quando se trata de comportamento humano, as explicações nunca são simples. Neste caso, além da familiaridade, há outros fatores envolvidos e um deles é o narcisismo natural de cada um. Lembra aquele estudo de 2010 citado acima? Os seus autores também pediram aos participantes que avaliassem fotos de estranhos em relação à sua atratividade sexual. Mas havia uma particularidade: algumas fotos foram manipuladas digitalmente e misturavam o rosto de um desconhecido com o do participante. Sem perceber o truque, os voluntários consideraram essa fotografia misturada com seu próprio rosto a mais atraente de todas. Haja amor-próprio.

E tem mais: estudos anteriores com casais heterossexuais concluíram que os pares frequentemente apresentavam estruturas de DNA semelhantes. Um trabalho da Universidade de Western Ontariocom gêmeos idênticos descobriu algo ainda mais doido: eles não só se parecem com seus parceiros, mas os cônjuges dos gêmeos muitas vezes se pareciam muito entre si.

Evidência 3: buscamos personalidades parecidas com a nossa

Por fim, existe também o fato de que nosso rosto transmite (de forma verdadeira ou não) alguns traços de nossa personalidade e permitem sacar logo se a pessoa é brincalhona, relaxada, brava, tensa etc. A procura por pessoas com personalidade semelhante à nossa pode, assim, acabar nos atraindo a quem a demonstre através de seu rosto de alguma forma.

Ok, é meio esquisito pensar que a gente pode acabar com alguém muito parecido conosco, mas analisando assim faz sentido, né?

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