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Os 10 mais assustadores desastres ecológicos da história – Parte 1

Os 10 mais assustadores desastres ecológicos da história – Parte 1

(superinteressante)
Por Fabio Marton

Houve uma época em que jogar lixo tóxico no subsolo e nos rios parecia tão inofensivo quanto plantar batatinha ou fazer xixi no mar. Nesse mesmo período, fumar no elevador também era permitido. Não existiam ainda as leis ambientais nem controles adequados de segurança. Foi pelo método traumático que a humanidade aprendeu que empurrar o lixo para (quase literalmente) debaixo do tapete pode gerar consequências terríveis.

A seguir, uma lista ilustrada com os piores desastres ambientais da história. Começando pelo mais antigo…

 

10. Rio de Sangue
Contaminação mineral (Espanha, 3000 a.C. até hoje)

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Bactérias “marcianas” vivem no rio poluído / via

Na Andaluzia, na Espanha, corre um rio que lembra uma das pragas bíblicas contra o Egito. Vermelho como sangue, o Rio Tinto é talvez o caso mais antigo de poluição conhecido.

Quase dois mil anos mais antigo, aliás, que as pragas do Egito (que a Bíblia diz que aconteceram durante o reinado de Ramsés II, entre 1279 e 1213 a.C.). Em 3000 a.C., os íberos e tartessos começaram a explorar minerais na cabeceira do rio, extraindo ouro, prata, cobre, ferro e manganês, no que talvez seja a mina mais antiga do mundo. Seguiram-se fenícios, romanos, visigodos e mouros, por fim os espanhóis, no século 16, e uma corporação britânica, a partir do 19. A mineração – e a poluição – segue ainda hoje.

A assustadora coloração vem do ferro diluído na água. Com um pH igual a 2, ela é tão ácida quanto o vinagre ou suco de limão. Também há, por ali, uma grande concentração de metais pesados letais. Obviamente, não é exatamente um santuário para a vida. Mas algumas bactérias ainda assim prosperam. O que é tão bizarro que Nasa conduziu um estudo com esses seres para avaliar a possibilidade de vida em Marte.

Falando em paisagens extraterrestres…

 

9. Silent Hill da vida real
Fogo subterrâneo (Centralia, Estados Unidos, 1962 até hoje)

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Em Centralia, Pensilvânia, o asfalto das ruas racha com o calor do subsolo, deixando sair vapor e fumaça tóxica. A cidade é tão tétrica que se tornou modelo para a série de games e filmes Silent Hill.

Para dizer a verdade, Centralia nunca foi grande coisa. O ápice da população foi em 1890, com 2.791 habitantes. A maioria eram funcionários das minas de antracite, carvão mineral muito valorizado.

A economia sofreu um baque imenso com a crise econômica de 1932, da qual nunca se recuperou. A maioria das minas fechou, e em seu lugar, entraram escavadores irregulares, que extraíam o mineral de colunas de carvão, deixadas de propósito pelos engenheiros para agirem como sustentação. Isso fez com que o teto das minas desabasse, impedindo o acesso.

Em 1962, as minas já estavam inativas quando o conselho da cidade teve a brilhante ideia de incinerar o lixo que atulhava o depósito municipal. O calor ou uma fagulha atingiu o subsolo, atingindo um veio de carvão.

O fogo foi se alastrando lentamente, por décadas, atingindo as áreas residenciais. Em 1979, o dono de um posto de gasolina (que vinha também a ser prefeito) mediu a temperatura em um de seus tanques. O combustível estava a 77,8 graus. Dois anos depois, um menino de 12 anos caiu num buraco de 46 metros de profundidade que se abriu sob seus pés. Sobreviveu porque se agarrou em uma raiz, e foi resgatado depressa pelo irmão. Se não fosse isso, ele não teria durado muito lá embaixo, porque o buraco tinha uma quantidade letal de monóxido de carbono.

Em 1984, o Congresso Nacional americano alocou 42 milhões de dólares para transferir todo mundo para longe de Centralia. Mas algumas famílias insistiram em permanecer. No último censo, em 2010, a cidade quase fantasma contou 10 valentes (ou estúpidos?) moradores.

A terra do Sr. Burns é arroz-de-festa em nossa lista. Vejamos o próximo caso…

 

8. Tsunami de Melado
Explosão de tanque na Destilaria Purity (Boston, EUA, 1919)

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Centro de Boston coberto por melado

Era uma quarta-feira até agradável no inverno de 1919. A temperatura tinha subido de trincantes 17 abaixo de zero para quase toleráveis 5 graus. Ao meio dia e meia, ouviu-se um som de metralhadora.

Fazia pouco mais de um ano desde o fim da Primeira Guerra, mas ninguém teve tempo de pensar se os alemães não tinham voltado. Nem fazer nada. A 56 km/h, uma onda de quase 8 metros de altura destruiu prédios, uma estação de metrô, cavalos e pessoas. Se fosse uma tsunami, talvez tivesse acabado melhor: a onda era feita de melado de cana de açúcar. Quem afundava na gosma não tinha a menor chance. Corpos despedaçados de pessoas e cavalos seriam encontrados no caos grudento, que levaria meses para ser limpo.

A onda veio de um tanque cilíndrico de 15 metros de altura por 27 de diâmetro, na Destilaria Purity, que fazia rum e álcool industrial com melado importado do Caribe. Com as temperaturas subindo, o produto começou a fermentar, liberando gás carbônico e aumentando a pressão no tanque. Até que os rebites se soltaram violentamente – daí o som de metralhadora – e as placas voaram, com o melado voando para todos os lados. 21 pessoas morreram.

A equipe de limpeza acabou espalhando o melado pela cidade, pelo metrô, telefones públicos, casas e ruas. Por meses, tudo o que os bostonianos tocavam era grudento, e por anos o cheiro de melado tomava a cidade em dias de verão.

E você aí achando que sua cozinha é bagunçada. Já que mencionamos tsunami…

 

7.  A morte veio do mar
Central Nuclear Fukushima I (Okuma, Japão, 2011)

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O Japão é provavelmente o país mais preparado do mundo no quesito prevenção de terremotos. Nas escolas, crianças passam por simulações, que incluem máquinas que imitam a sensação de terra chacoalhando. Os prédios usam a mais avançada tecnologia para evitar que tombem com os constantes tremores da ilha.

Mas nem o Japão poderia estar preparado para o terremoto de 11 de março de 2011. Foi o pior da história do país e o quarto pior da humanidade. A tsunami causada pelo tremor, que chegou a 40 metros de altura, invadiu a Usina Nuclear Fukushima I. Com a destruição do equipamento de refrigeração e contenção, três de seus reatores sofreram derretimento nuclear, contaminando a região com cerca de 24 quilos de césio 137, 20% do que foi emitido pelo acidente de Chernobyl.

Oficialmente, não houve nenhuma morte por exposição à radioatividade. Locais próximos à usina foram evacuados – mas não Fukushima, que é a capital da região e fica a 40 quilômetros dali. Segundo dados do governo japonês, 1656 pessoas morreram após o incidente, por “estresse” causado pela relocação (possivelmente, codinome para suicídio).

A maior vítima de Fukushima foi provavelmente a energia atômica. Protestos antinucleares, que não eram vistos há décadas, eclodiram em vários países. A Alemanha decidiu extinguir completamente sua capacidade nuclear. Isso é provavelmente para mal, porque usinas atômicas eram vistas como uma alternativa a combustíveis fósseis, pois não contribuem para o aquecimento global.

Por falar em combustíveis fósseis…

 

6. 87 dias de devastação
Plataforma Deepwater Horizon (Golfo do México, 2010)

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A Guarda Costeira Americana tentou apagar o fogo na plataforma. Não deu.

Qualquer um que conheça o verbete “meio ambiente” sabe que seu antônimo é “indústria petrolífera” (ou ao menos seria em nosso dicionário). Poderíamos fazer outro post só com a destruição causada por eventos, como a queima dos campos de petróleo por Saddam Hussein durante as invasões de 1991 e 2003, o Acidente do Exxon Valdez em 1989, e (vai Brasil!) a destruição da plataforma P-36 em 2001.

Então falemos do pior, para representar todos. Em 20 de abril de 2010, um jato inesperado de metano subiu pelos canos da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, e se incendiou imediatamente, engolfando toda a construção, que foi ao fundo dois dias depois. Os corpos de 11 dos trabalhadores nunca foram encontrados. E era só o começo.

Por 87 dias, o poço destruído deixou vazar petróleo livremente no mar, afetando a vida marinha num raio de 80 quilômetros, do qual 80% não pôde ser limpo. Coral, golfinhos, peixes e aves marinhas morreram em massa. Milhões de litros de petróleo ainda estão no fundo do mar, e não se sabe se e quando a situação vai se normalizar.

Já mencionamos 3 vezes as agruras da terra do Tio Sam. Está na hora de passar ao outro lado do muro…

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