O OLHAR POR DETRÁS DO SIGNIFICADO: A REIFICAÇÃO DE MIM NARCÍSICO

O OLHAR POR DETRÁS DO SIGNIFICADO: A REIFICAÇÃO DE MIM NARCÍSICO

No mundo das interações sociais vivemos o encontro de nós com os outros. E imersos em conflitos duais, vivemos relações a partir de nós mesmos. Mas, como materializar a busca por si sem transformar o outro como espelho? Como sobreviver à dualidade sem aniquilar nós mesmos e os outros?

reificação de mim narcisico. imagem 1.JPG

Vivemos em uma sociedade que nos diz o tempo todo sobre a importância do amor próprio, do amor pelo outro e, também, do amor ao próximo como a si mesmo. Assistimos a várias formas de amor, algumas aceitas ou não, algumas violentas ou não, algumas neuróticas e obsessivas ou não.

Estamos imersos em conceitos duais e somos o tempo todo estimulados por ambos os polos da dualidade. Vivemos no mundo das dicotomias paradigmáticas: eu e outro; razão e emoção; ter e ser; sagrado e profano; homem e mulher; certo e errado, etc. Olhamos o mundo vivido pela lente da dualidade e acreditamos viver o paradigma na sua plenitude e não nos mais variados graus em que nos encontramos nele a cada circunstância ou interação específicas.

No intuito de uma revolução paradigmática reivindicamos uma terceira opção, que consiste na busca do equilíbrio. Queremos um modo de vida não direcionado para os extremos; um cálculo de ajustes mútuos e necessários o suficiente para a resolução dos conflitos criados pela dualidade.

Na estória das interações sociais queremos materializar esses polos. No paradigma “eu versus outro” lutamos pela vitória do eu porque não conseguimos coexistir ainda no equilíbrio. Ou seja, buscamos a materialização de nós mesmos nos outros.

Os conflitos emergem quando não conseguimos olhar o outro como espelho. Esquecemo-nos de que esse outro não pode ser nosso espelho porque somente nós poderemos ser o espelho de nós mesmos. Depositar no outro a nossa própria reificação é como buscar água no deserto. O máximo que conseguiremos serão miragens, impulsionando-nos em direção ao mundo das ilusões.

a reificação de mim marcisico. imagem 2.jpg

Amamos a fluidez e a espontaneidade do inusitado nas interações sociais. Exaltamos o acaso; Mesmo aqueles que não operam o modelo fatalista de destino. Mas, nos esquecemos de que o prazer provocado pelo inusitado não pode ser aprisionado sob o elevado risco de perder essa função primordial que nos seduz tanto. E até mesmo o inusitado não escapa dos significados que construímos sobre nós e os outros.

O tempo todo nós interpretamos e moldamos o mundo ao redor e a forma como nos percebemos nele, querendo pertencimentos reconfortantes e acalentadores. E na tentativa de tornar minimamente o inusitado um porto seguro emocional nos lançamos à aventura dilacerante de tornar rígido o flexível, de estatizar o que é dinâmico. Significamos o outro em parâmetros estáticos, alicerçados em códigos morais que não funcionam nem para nós mesmos.

E na luta do eu com o outro, não percebemos que depositamos nesse outro aquilo que queremos para nós. Somos aquele outro, que foi construído e significado por nós e quando o abandonamos é porque aquela parte de nós deixou de fazer sentido.

A incompatibilidade entre o dinamismo do mundo dos significados e a rigidez dos enquadramentos sociais nos coloca em várias armadilhas, dentre as quais, no rol das várias facetas de nós mesmos, não sabemos até que ponto aquele significado outrora abandonado poderá ganhar vida e sentido novamente. E o outro que foi descartado talvez não esteja mais disponível para fazer jus à crença de se tornar a nossa reificação.

A reificação de mim narcísico não existe no outro, pois só podemos viver a materialização de nós em nós mesmos. O nosso mundo de significados é muito vasto, rico e multifacetado e, sendo assim, só poderá existir plenamente na dinamicidade de nossa própria existência.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s