A APARÊNCIA QUE NÃO AGRADA DE VERDADE

A APARÊNCIA QUE NÃO AGRADA DE VERDADE

Será que você é realmente tudo aquilo que me faz pensar?

No mundo atual, todos os conceitos, suposições e objetivos estão situados em uma realidade aparente, que nos parece superficial. Os sentimentos e sensações genuínas foram extintos, a verdadeira essência da vida há muito foi abandonada, e vivemos em um mundo em suspenso, que interpreta e determina, as coisas à nossa volta, de maneira limitada. Em nosso habitat prático e superficial, a aparência passou a ser muito mais importante do que o conteúdo.

Permeados por esse ambiente limitado, vamos, desde cedo, aprendendo a interpretar aquilo que percebemos. A maneira de falar, a forma de se vestir, os hobbies, o jeito de andar, as reações, etc.; tudo é utilizado como base para que determinemos a imagem que formaremos da pessoa à nossa frente. A imagem que formamos irá direcionar e determinar nossa interação com as pessoas que encontramos durante a vida.

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Esse nosso estilo grosseiro de construção conceitual é extremamente capcioso e limitado; nele, um gesto mal interpretado, uma atitude mal explicada, podem ser os responsáveis por uma interpretação completamente errônea. Desde muito já diziam: “Julgar uma pessoa é interpretá-la errado, interpretá-la errado, interpretá-la errado, fazer uma pequena reconsideração e, em seguida, interpretá-la errado novamente. ” Nós, longe de nos abstermos dos erros conceituais, constantemente julgamos errado.

Mesmo que estejamos cientes da carência de nossas interpretações, o que podemos nós fazer? A sociedade é estruturada dessa forma e precisamos nos adequar a ela para sobreviver. A nossa cultura do consumo e da aparência nos deixa, a todo o momento, frustrados. Às vezes, a frustração se acumula em nós e parece gerar uma força que almeja a alteração daquilo que nos oprime; infelizmente, por causa de nossas reações pré-estabelecidas, gastamos essa energia, durante a noite, em diversões que não divertem nada. A velocidade alucinante da vida na sociedade também é um empecilho, ela não nos permite tentar entender alguém a fundo, não nos permite tentar estabelecer uma imagem que seja mais condizente às pessoas com as quais interagimos; para conseguirmos executar as tarefas às quais somos designados, é preciso que sejamos resilientes e que ignoremos qualquer sentimento, qualquer situação que nos convide a uma reflexão mais profunda e demorada. Por fim, em nosso mundo supérfluo, somos incentivados a não confiar em ninguém, a duvidar e desconfiar de tudo e de todos; essa característica social cria um ambiente onde todos vivem encerrados dentro de si, onde, em uma cidade superpopulosa, por exemplo, todos vivem isolados.

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É preciso que moldemos a nossa percepção, para que possamos nos adequar ao nosso habitat, mesmo ele sendo completamente antinatural. Algumas pessoas raras, mesmo se adaptando às regras sociais, ainda nutrem as verdadeiras características humanas e a esperança de encontrar uma personalidade semelhante, que seja mais grandiosa do que os nossos conceitos vigentes fúteis. Sabemos o quanto o corpo do nosso espírito não transmite as nossas verdadeiras ideias, intuições e planos, e, constantemente, procuramos alguém com quem possamos estabelecer uma relação profunda e verdadeira; constantemente procuramos por aquilo que, para além das aparências, realmente alimenta a nossa existência.

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5 comentários em “A APARÊNCIA QUE NÃO AGRADA DE VERDADE

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