PORQUE TEMEMOS O AMOR?

PORQUE TEMEMOS O AMOR?

De todos os sentimentos, o amor é o mais comentado, o mais almejado, o que tem maior poder – mas também é o mais temido. Não nos contemos em sentir a raiva, o ciúmes e o medo, que tanto desprezamos, mas tendemos a fugir sempre que o amor se anuncia em nossas vidas e olhamos com desconfiança atitudes motivadas por ele. Porque nos sentimos assim?

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A existência humana é recheada de peculiaridades inquietantes. Viemos para esse mundo sem entender muito bem como chegamos aqui, o que estamos fazendo, para onde estamos indo e essas questões filosóficas fazem parte do pensamento humano desde que se tem registro.

Essa passagem pelo mundo parece-nos tão efêmera, e ao mesmo tempo tão complexa e densa de significado que muitas vezes nossas próprias experiências parecem transcender. Nossas emoções flutuantes são a prova viva de que a causalidade material e a lógica racional parecem não dar conta de explicar o sentido e o significado de tudo que se passa por essa experiência humana, tanto no plano individual quanto no coletivo.

Aprendemos que não podemos existir por aqui sem estarmos conectados com o ambiente ao nosso redor e com as pessoas que nos cercam, e criamos diversas formas de linguagem para facilitar esse processo. Descobrimos existem duas emoções em particular pelas quais podemos nos comunicar, o amor e o medo.

Assistimos, ao longo de nossas vidas, a potencialidade de cada uma dessas linguagens e, definitivamente, a comunicação do medo não parece boa para ninguém, porque é através dela que se dá a violência, a raiva, a impaciência, a intolerância que prejudica nossa compreensão e nos afasta uns dos outros, aumentando ainda mais esse grande abismo do vazio da existência.

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Somos carentes de significado coletivo, de experimentar juntos a vida, de sentir amor dentro de nós. O amor, que arma poderosa, que linguagem sem igual… Mas parecemos desconfiados, fechados, e hesitantes perante suas aparições em nossas vidas. Quando o amor nos fala, não sentimos apenas medo: nos apavoramos. Não é incomum que as pessoas se julguem não merecedoras de amor, e que quando entram em contato com a sua forma mais pura, afastem-no por não se sentirem capazes de processar os efeitos dessa forma de comunicação.

Isso não é a toa.

Fomos criados numa sociedade que enxerga seus próprios membros com desconfiança, e não é para menos. Nos afastamos e criamos medo da natureza nos seus ciclos naturais, inventamos na humanidade ciclos que só fazem sentido para nós, mas sentimo-nos todos deslocados porque não estamos em sintonia com todo o resto das formas de vida da Terra. Destruímos em nome do medo. Consumimos em nome do medo. Tentamos nos esconder do medo e almejamos amor, de todo coração, mas não conseguimos nos realizar porque não fomos criados através dessa linguagem e sabemos que todos que partilham conosco essa existência estão sob a mesma condição.

vincent-van-gogh-final-paintings-8.jpgOld Man in Sorrow por Vincent van Gogh

Aprendemos a competir com todos ao nosso redor e com nós mesmos, sem nunca nos sentirmos plenos e satisfeitos. Estamos sempre em busca de algo mais, e sentimos dentro de nós que é possível encontra-lo, porque o que tanto buscamos, sedentos, é o amor que nos foi renegado de tantas formas.

Aceitamos muito bem a ideia de que o amor é um sentimento único, imenso, sem precedentes, uma força movedora do mundo. Mas não pensamos duas vezes antes de criticar mentalmente tudo que nos cerca, de negar a gratidão pelas pequenas coisas. Prendemos nosso pensamento num ciclo vicioso de insatisfação e reclamação, porque ninguém nos ensina a falar de outra forma.

As notícias estão sempre catastróficas, vemos a violência se institucionalizar e ser aceita e aplaudida. Ações autoritárias são aclamadas, o impulso violento é naturalizado sem sequer questionarmo-nos – enquanto seres que se acham tão acima de todas as expectativas da natureza – se não é possível construir o mundo de outra forma.

Sim, é verdade. Na natureza existe “violência” e existe competição. Mas só para fins bem determinados. De maneira geral, a sobrevivência é muito mais proveitosa para aquelas espécies que se relacionam bem com o seu entorno e biologicamente existem milhares de formas de cooperação entre os animais. Mas nossa cultura dissemina o desligamento dessas formas naturais de amor, em nome da exaltação das formas naturais de violência, como se não houvesse a possibilidade de cooperação e amor incondicional entre os seres, como se essa harmonia e aceitação também não fizesse parte da nossa natureza.

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Falamos mal das pessoas, do nosso entorno e principalmente de nós mesmos. Nos achamos desqualificados e desabamos nossa autoestima por qualquer fagulha do medo. Quantas vezes por dia você diz a si mesmo que você vai conseguir, que está tudo bem e que você é um ser de luz? Quantas vezes você afirma pra si mesmo que é capaz de lidar com seus problemas, e que não existe nada de errado com você? Quantas vezes você se enxerga como um ser dotado de amor e compreensão? Quantas vezes você fala pra si mesmo palavras de amor em relação quem você é? O que você faz para estar bem consigo mesmo?

É preciso retomar o equilíbrio com os nossos ciclos naturais, com esse sentimento de conexão que nos cerca. É preciso não ter medo de amar e, principalmente, de receber amor!

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Não é fechar os olhos. Os acasos dessa existência louca e misteriosa sempre nos aguardarão com algum momento de dor, de angústia, de insatisfação. Não deixaremos de enxergar e refletir sobre a violência que existe no mundo, a desigualdade, as tantas formas de opressão, porém, olhando para nós mesmos e amando a nós mesmos, seremos capazes de negar que essa será a linguagem violenta será empregada por nós, porque aprenderemos, de dentro para fora, a usar a linguagem do amor ao invés da linguagem do medo.

Começa dentro de você. Pare, respire, medite. Acalme sua mente, sinta-se pleno com seu corpo, sua vida. Aí então, empregue palavras de amor por onde passar, atitudes de amor com quem estiver ao seu redor, presenteie-se com essa liberdade que você tanto busca e que só pode ser encontrada dentro de si mesmo. Não há como aguardar que o resto do mundo aprenda a usar a linguagem da não violência, de uma cultura de paz, para que só então você comece a agir. Aceite o amor que te oferecem, e quando te oferecerem violência, ofereça o dobro de amor e compreensão.

É uma prática árdua, que as vezes parece ser quase impossível, mas tente, aos pouquinhos, se pressionar menos, se amar mais, se permitir sentir a plenitude dentro de você sem se preocupar com a rapidez com a qual ela pode ir embora, porque talvez ela fique, e possamos então construir juntos uma existência de mais amor, respeito e compreensão. De dentro pra fora, de nós para o mundo.

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