ESTOU FARTO DO AMOR

ESTOU FARTO DO AMOR

A pieguice e o clichê que orientam a maioria dos blogs e artigos que tratam do amor e da felicidade.

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Estou convencido que a gente percebe que está envelhecendo quando se torna cada vez mais intolerante com um punhado de coisas que nos cercam e compõe a nossa vida cotidiana.

Vivo de ler e escrever, mais nada, é tudo que faço para ganhar o meu sustento, e nos últimos meses tenho lido tantos títulos de artigos e blogs sobre amor, namoro, casamento, felicidade e afins que faz com que eu me sinta um extraterrestre em meio as agruras e devaneios alheio. Ou sou um infeliz contumaz ou um velho rabugento de cinquenta e poucos anos? Ao final deste pequeno artigo respondo a questão.

É tanta gente falando de amor, das coisas do amor que eu fico quase sem saber se de fato este tal sentimento existe, e para piorar, a impressão honesta que tenho é que há uma busca desenfreada pelo caminho mais fácil que possa levar a tal felicidade é um grande engodo.

As pessoas parecem querer encontrar um atalho rápido, assim como um comando onde com algum clique mágico se chegue ao êxtase do amor e da felicidade, se não for está a realidade, é o que parece, ao vermos o tanto que se escreve sobre relacionamentos e sentimentos e o seu conteúdo.

Ao que tudo indica vivemos em tempos sombrios no qual a sociedade parece toda ela em um divã a espera de um Freud milagreiro a indicar qual a saída para a ser feliz e ter amor. Seria engraçado, e no fundo é mesmo, ver a humanidade se digladiando com suas contradições mais elementares e, tentando resolver suas angustias primárias da existência com fórmulas da mesma maneira que nossa civilização encontrou na penicilina e outros medicamentos na salvação para dos nosso males físicos.

Se já não nos bastasse a espetaculização da vida cotidiana com a destruição das noções de público e privado pelas redes sociais, na qual o privado se esvai moribundo em praça pública, ainda precisamos conviver com magos e feiticeiras do amor e da felicidade escrevendo e vociferando aos borbotões pílulas de felicidade e amor.

É muito fácil ser piegas, permear a realidade de clichês para poder ser compreendido ou produzir alguma emoção barata, baratíssima, e isso é absolutamente intolerável, é como se vender aspirinas para curar o câncer. Vá lá que as pessoas gostem destas facilidades, mas creio, estamos passando dos limites do aceitável e razoável. E torna tudo muito chato e tolo.

Não sou um velho rabugento, sou um crítico das facilidades vendidas a preços módicos para os incautos da preguiça. O amor verdadeiro e sincero acompanhado da sua irmã gêmea, a felicidade, é um árduo trabalho cotidiano de construção entre dois indivíduos que acordam abrir mãos da sua individualidade exacerbada, do seu egoísmo original e se dispõe a dar ao outro uma parte de si, no qual a palavra, o diálogo, é única via de entrada e o tesão a sua permanência.

Para além desta obviedade não parece haver outra saída, todas as demais são subterfúgios simplórios, e não simples, para se legitimar a infelicidade e o desamor, porque não há como vender alternativas de afeto, convivência, tolerância e entrega pelo evidente de saber que os sentimentos, honestos e verdadeiros, e por conseguinte duráveis, estão dentro de nós, e não fora, somos nós no esforço de sermos humanos quem nos dispomos a este estado, é preciso olharmos para dentro de nós mesmos para sabermos responder com maturidade e honestidade, como e por que amar e ser feliz, e para isso não há caminho fácil, pílulas ou mágicas apenas e tão somente um Eu e uma alma, e só.

 

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