NO AMOR, A CADA UM, SEGUNDO O QUE SE MERECE

NO AMOR, A CADA UM, SEGUNDO O QUE SE MERECE

Aceitamos no amor exatamente o que julgamos merecer, pois aceitamos um amor exatamente como aquele que temos por nós mesmos ou o amor que temos dentro de nós.
“A gente aceita o amor que acha que merece” (Stephen Chbosky, in; As vantagens de ser invisível).
Essa resposta é dada por Bill em um diálogo com Charlie. Charlie é o personagem principal do livro e Bill é um dos seus professores.

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O amor, observado, analisado e amplamente discutido e até postulado por diversos campos dos inúmeros saberes e principalmente onde ele se apresenta melhor – que é na vivência de cada um – é ainda um lugar do sentir, do não se conseguir enquadrar, do não se conseguir manter uma teoria única que fale sobre o amor para todos, de uma maneira que funcione para todos. Não, não há regras para o amor, pois cada ser humano é único e cada um terá sua própria maneira de amar e de se deixar amar.

Para a psicanálise existe toda uma teoria e diversos textos onde Freud fala do amor e dos “vários tipos de amor”, se assim pode-se resumir bem grosso modo, só como mais um componente do que pode ser o amor. Mas ainda assim, o amor vivenciado como sentimento e sem teorias é único para cada ser humano e foge a qualquer tentativa de teorização e explicação. Sentir e viver o amor é exatamente não lembrar que existem teorias sobre ele, pois para o sentimento nenhuma teoria funciona.

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Mas uma coisa é certa e fica muito clara, diante de um estudo psicanalítico mais profundo, mesmo com toda a negação que uma pessoa possa usar, mesmo com todas as racionalizações e tentativas de explicar o tão famoso “comigo é diferente” – porque o inconsciente desconhece a negação e vai fazer a “bagucinha” dele a revelia de todas essas tentativas – há uma realidade que bate na cara, corta a carne, expõe todas as vísceras, veias e artérias e dilacera a alma… Aceitamos no amor exatamente o que julgamos merecer. Aceitamos esse amor que, consciente ou inconscientemente julgamos ser tudo o que merecemos – mesmo pouco, mesmo nada, mesmo muito, até mesmo não sendo amor(e sempre sabemos como é cada dessas questões) – porque aceitamos um amor exatamente como aquele que temos por nós mesmos ou o amor que temos dentro de nós.

O amor que aceitamos do outro – seja do jeito que for – e que encontramos no outro é o nosso mesmo amor próprio. Na verdade, aceitamos o amor – ou o desamor – e aceitamos a qualidade e o tipo de relação que julgamos merecer. Somos nós que nos amamos primeiro(ou não), que temos algo dentro de nós que “escolhe” o amor que receberemos. Somos nós que batemos o martelo para receber e, principalmente para dizer e escancarar que tipo de amor temos por nós e, com isso, que tipo de amor mereceremos ter do outro. Se é o que se desejou ou somente falta de opção, se é mesmo por amor, por interesse ou por sexo, se é ótimo ou péssimo, se faz feliz ou se não faz tão feliz assim(e, se assim mesmo “tem” de ser tolerado), se é companheiro de vida que nos ama e que amamos, se é alguém apenas para cumprir algumas “regras sociais” e de status, se é somente alguém pelo qual se sente uma atração física ou se se é somente um turista que chega de vez em quando e vai, não há meio termo, nem mais nem menos e nem como dourar a pílula. A realidade é nua e crua: aceitamos no amor o que julgamos merecer, pois é o amor como aquele que temos por nós mesmos.

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Mas, sempre há escolhas – ah, as escolhas – principalmente no que se refere a nós mesmos, pois é daí que o fio do novelo será puxado. E os fios do novelo são nossas atitudes. E quem por acaso – quase sempre é por acaso, mesmo não sendo e sendo tanto – achar o fio do novelo, olhará para o outro como o outro se olha, porque somos atravessados pelo olhar do outro e somos, ao mesmo tempo, o outro que nos olha e nós que olhamos o outro, trocando essas “impressões” como um espelho. Esse que olha para o outro será para ele e lhe “dará” somente o que se julgar que merece – ele e o outro. Em contrapartida, naturalmente, este outro também dará ao primeiro somente o que ele julgar que este primeiro merece, pois lembrando ainda mais uma vez, o que julgamos merecer e o que vamos aceitar é exatamente o sentimento – aqui neste caso, o amor – que temos por nós mesmos.

Embora essa questão seja fruto de uma escolha e passa necessariamente pelo âmbito pessoal primeiramente, pois cada um tem sua subjetividade, tem em si suas considerações, seus questionamentos e julgamentos, antes e independente deste ou daquele que chegou em sua vida ou de qualquer outro fator, esta estrada é de mão dupla. O outro também aceitará passar pela experiência que chamará de amor ou qualquer coisa que o valha, somente do que ele já tem por si mesmo e ele aceitará uma pessoa com quem conviverá ou somente passará alguns momentos ou dias nesta maneira de amor, ou seja, exatamente da forma e do tamanho que julga que pode merecer e ter e que julga que a outra pessoa pode merecer.

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Não há saída, não há desculpa, não há em quem colocar a culpa. Há escolhas e atitudes. Ambos aceitam um amor como aquele que tem por si mesmos e que julgam ser merecedores. E batendo o martelo para o lance final, o dito popular está certíssimo: cada um tem somente o que merece ter, pois assim o é.

 

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