NÃO TENHA MEDO DO DESEQUILÍBRIO

NÃO TENHA MEDO DO DESEQUILÍBRIO

Está tudo bem se você se desviou de algum termo da regra, descumpriu alguma cláusula das normas ou “errou” em alguma classificação do conceito predefinido! Houve desequilíbrio sim, mas ele é essencial!

É já bem sabido que vivemos sob muitos paradigmas, doutrinas, normas, regras, conceitos e preconceitos baseados em princípios originados da cultura em que vivemos, e por isso mesmo, não é difícil compreender que é natural (mesmo não devendo ser, em minha opinião) que o mundo espere apenas acertos de você. Sem entrar, claro, no mérito filosófico das definições de certo e errado.

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Infelizmente, as pessoas que condescendem com a mediocridade nunca se extinguirão da Terra e é por elas que os ataques vão despontar sem pudor quando você, por qualquer que seja o motivo, se afastar de alguns preceitos previamente determinados.

Pisou fora da linha? Imediatamente surgirão os juízes do dia a dia, os delatores incólumes; todos cheios de razões e de filosofias politicamente “corretas”, preparados para lhe colocar em seu “devido lugar”, através de lições sustentadas por uma moral inabalável, que costuma exaltar o quanto você está (ou esteve) errado frente aos paradigmas que mantém a ordem no mundo (pelo menos no mundo deles). Mas não espere que aqueles que possuem pacto com a ignorância incurável cheguem ao entendimento de que o desequilíbrio, o anacronismo, os desvios e as arritmias comportamentais são parte essencial do funcionamento do universo (peçam a esses que leiam acerca da segunda lei da termodinâmica para entender o fundamento do que estou dizendo).

Seria primoroso se todos, e cada um, entendessem a simples verdade de que ter “equilíbrio” é: viver numa constância cultivada, criteriosamente, pela inconstância das suas escolhas. Parece contraditório, mas não é (leia de novo!). É exatamente nesse ponto da ponderação que reside a célebre “quebra de paradigma” e o tão versado “think outside the box”.

Saiba. Grande parte do medo inexplicável que se sente da vida tem origem na possibilidade intrigante de sermos rejeitados por onde quer que se vá ou pelo que quer que se faça. Sermos rejeitados pelo que somos nos soa terrível. Sentimos medo de desequilibrar o confortável equilíbrio dos acomodados; de perturbar a calma dos arredores tranquilos. E é justamente desse fato que herdamos o receio demonstrado por aquela variante inescrupulosa: “o que eles vão pensar?”. É cultivando esse medo que se deixa de tentar, de fazer a caminhada valer a pena, de enriquecer os detalhes. Esquece-se de que para existir o ponto extremo do Yin tem que se manifestar o Yang e vice-versa. E o que sobra, então, é o “nada a temer a não ser o medo”.

Está tudo bem se você se desviou de algum termo da regra, descumpriu alguma cláusula das normas ou “errou” em alguma classificação do conceito predefinido! Houve desequilíbrio sim, mas ele é essencial! Entende?

Apesar do cenário dramático que as pessoas costumam criar ao redor de algum deslize que você comete, entenda que você não se tornou mais fraco por causa disso, tão pouco deixou de ser uma pessoa boa.

Você deve, sim, se autoanalisar constantemente, e ponderar todas as consequências do que você fizer, principalmente quando suas atitudes podem machucar o outro, mas não se martirize por ter falhado em alguma coisa, nem se torture até a morte por ter errado com alguém. Aprenda sinceramente com isso, mas não se esqueça de que as pessoas estão sujeitas a falhas o tempo todo e o Mundo não vai entrar em colapso por causa disso. Ao contrário, infinitas oportunidades de remissão, de renovação (ou seja lá como você queira chamar) serão apresentadas diante de você.

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Por isso, aceite-se da maneira como você é, no auge da sua carência ou na riqueza da sua confiança. No jeito errado de falar ou na forma polida como se expressa. No sotaque cheio de curvas ou no gaguejar extremamente seco. No nervosismo fácil ou na calma que fortalece. No andar esguio ou no caminhar altivo. No sorriso que encanta ou no riso que esconde a tristeza. Na maneira alegre de exclamar histórias ou na timidez do seu silêncio. Na admiração dos seus muitos acertos ou na decepção das suas incontáveis falhas. É indiscutível que a sua volubilidade te faz um componente leal e essencial da vida.

Não que você precise forçar ser diferente. Jamais faça isso! Mas nunca tenha medo se o for. Projetando em exemplos simplórios: está tudo bem você não gostar de sorvete (ainda que 99,9% das pessoas gostem)! Está tudo bem se você não gostar daquele gênero musical que está na moda! O mundo precisa de pessoas como você, porque tudo o que torna a vida profundamente interessante possui contrapontos extremos. Aliás, são as extremidades opostas que criam as oportunidades mais belas de criação e inovação.

Em sua maneira de ser – seja como for – mantenha a indiferença pela opinião alheia (aliás, esse é um ótimo conselho!) e ao contrário do senso comum, não tenha medo do desequilíbrio. Para pior ou para melhor ele sempre existirá. Mesmo na calmaria.

Inconstância, desequilíbrio, deslize; não são obstáculos no caminho; são vias dele. Caminhe sem medo, passo a passo, e por onde você tiver que passar que você possa sentir a plenitude de fazer parte de um sistema tão genial como a Vida; porque, no final, o que importará de verdade será o seu legado.

E quer saber… Quando se entende isso, suas escolhas começam a lhe proporcionar aquela tão buscada “satisfação pessoal” e aquele sentimento etimologicamente indefinido de “missão cumprida”. Não por não existir arrependimentos, mas por não faltar magnitude nos seus passos.

 

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