ANATOMIA DA TIMIDEZ

ANATOMIA DA TIMIDEZ

Reservadas e, quase sempre solitárias, porém, onde quer que apareçam, destacam-se da maioria. E os adjetivos a elas relacionados nem sempre soam agradáveis: “arrogantes”, “esquisitas”, “estranhas”. – Estou falando de pessoas tímidas.

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Já li muitos textos sobre o assunto, desenvolvidos por profissionais na psique humana e, percebi muitas colocações pejorativas, tais como: “o mal da timidez”, “pânico”, “insociável”, “introvertido” etc. – Apesar de respeitar os inúmeros artigos escritos por tais acadêmicos, relacionados à timidez, não concordo com certos “diagnósticos” que a rotule de patologia. – Isto porque a maioria dos especialistas que chegaram a tal conclusão, não são pessoas tímidas e, atuam, quase sempre, nas áreas sociais, ou melhor, em contato direto com o público.

Sendo assim, para entender sobre o assunto e ter-se o direito de falar a respeito, com seriedade, deve-se ser, antes de tudo, uma pessoa tímida. Somente quem vive num universo distinto da maioria tem o poder de mostrar, em detalhes, os componentes do seu mundo tal como realmente são, em sua essência e profundidade.

Para início de conversa, ser tímido(a) não é sofrer de uma doença, na maioria das vezes, se torna uma particularidade positiva em diversos fatores. É um erro associar a timidez à solidão ou, vinculá-la a um mal psicológico. Pessoas depressivas, solitárias e sem autoestima não se tornaram assim por serem tímidas, pelo contrário, chegaram a esse nível por serem vítimas da depreciação dos que se autodenominam “extrovertidos”.

A mídia e o advento da internet plantou na mente das pessoas a ideia de que devemos estar sempre em evidência na sociedade. É normal estarmos frequentemente nos expondo nas redes sociais rodeados de gente. Tirar selfie é uma prática cada vez mais comum entre os jovens e adultos e, ser feliz se tornou uma obrigação no cotidiano. É, portanto, nesse cenário de cores vivas e gritantes que o tímido se destaca, com seus tons sépia e monocromáticos.

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Por serem reservados e silenciosos, os tímidos, muitas vezes, são evitados, pois, sua quietude em demasia é confundida com arrogância e orgulho. Essa atitude dissociativa, os levam, consequentemente, à depreciação de si mesmos. O rótulo de “diferente” e “esquisito”, atuam como facas que cortam, resultando em feridas que custam a cicatrizar por um longo tempo. É nesses casos que a timidez se torna negativa e infrutífera. É quando o tímido se anula e busca o isolamento que a verdadeira solidão se manifesta, trazendo consigo a depressão. Daí os diversos paradigmas criados pelos ditos especialistas da psique humana!

Não devemos confundir timidez com fobia. Fobia é consequência de um trauma qualquer em nossa vida. Timidez, uma particularidade natural do ser humano. Ser tímido é buscar no silêncio o conforto do espírito, por isso, é comum encontrarmos essas pessoas quase sempre lendo em locais reservados. – As bibliotecas e cafés de livrarias são os locais mais específicos. – Nos calçadões da praia, nas manhãs de sábado, é fácil encontrá-las sentadas nos bancos de pedras ou, de pé, diante do mar, em profunda reflexão. Nos jardins das praças elas podem ser encontradas escrevendo num caderno, aliás, muitos escritores ou poetas são, coincidentemente, tímidos! Os ilustradores e desenhistas em sua maioria são pessoas tímidas, o atelier ou seu pequeno escritório são verdadeiras fábricas de suas criatividades.

Se você é uma pessoa tímida, com certeza já sentiu as mãos tremerem e o suor frio escorrer pela fronte ao ouvir seu nome ser proclamado, em alta voz, diante de uma mesa repleta de gente. Mal sabem essas pessoas o quanto é complicado discursar em público, mesmo que seja por poucos segundos… Mas, por que acontece isso? Por que convivemos com um certo pavor de sermos julgados por sermos o que somos? Talvez por sermos visto com desconfiança pelo simples fato de evitarmos atenção, buscando a reclusão ou, por causa de nosso olhar fugaz, muitas vezes confundido com arrogância. Também devido ao enorme senso de autocrítica que somente os tímidos tem sobre si. – Um simples descuido na voz, uma falha qualquer que ressalte uma imperfeição é fatal para pessoas que sofrem de timidez.

Novamente, retifico: timidez não é uma doença e, tem seus pontos positivos quando o tímido sabe fazer o bom uso dessa particularidade de sua personalidade, sem ligar para as observações críticas da sociedade. Para ilustrar o que estou tentando dizer, cito alguns tímidos ilustres que, de certa forma, fizeram a diferença no mundo.

  • Bill Gates: reservado, evita sempre o excesso de convivência social;
  • Mark Zuckerberg: isso mesmo, o criador do Facebook se considera uma pessoa tímida;
  • Albert Einstein: “Não é que eu seja muito diferente, é que eu fico nos problemas por muito tempo”, confessou o gênio;
  • Woody Allen: apesar de ser ator e dominar plateias do mundo inteiro, é reconhecidamente recluso;
  • Airton Senna: quem não lembra daquele olhar fugaz e arredio acompanhado daquele sorriso discreto e breve? – eis um tímido vencedor;
  • Maurício de Souza: sim, o grande ilustrador e criador da Turma da Mônica faz parte do grupo!

Finalmente, temos no grupo os escritores, os poetas e os músicos, quase todos compostos de pessoas tímidas, elevando-os dessa forma, ao patamar de melhores românticos e amantes. Por falarem somente o necessário, tornam-se ótimos ouvintes e bons conselheiros, sendo assim, um tímido é, com certeza, o melhor amigo e companheiro para termos ao lado em qualquer circunstância da vida!

 

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