VÍTIMAS DE VÍTIMAS

VÍTIMAS DE VÍTIMAS

Ao analisarmos o modo de ser das pessoas ou as suas atitudes, não há regras gerais nas quais se possa fazer um encaixe. Cada ser é único e sua história é algo muito individual e, algumas vezes, velado. Julgar sem conhecer todo o contexto, notadamente o seu passado, é desarrazoado. E não é coerente condenar ninguém, afinal, fazemos parte de uma cadeia que vai transmitindo distorções de geração para geração, há longa data. Somos todos vítimas de vítimas.

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Libertadora a lição da magnífica Louise Hay no livro VOCÊ PODE CURAR A SUA VIDA: “somos todos vítimas de vítimas”. Não há nada mais verdadeiro, se pararmos para pensar.

Ela usa a expressão para explicar porque não devemos julgar a atitude das pessoas – nossos pais, naquele caso -, uma vez que, se agiram errado conosco, foi em razão de não terem aprendido diferente, sendo que provavelmente também foram equivocadamente tratados. Fizeram o melhor que podiam com a consciência que possuíam naquele momento, como ocorre com todos nós, ensina ela. Complexa a questão, mas que merece reflexão, pois explica toda a dinâmica dos relacionamentos humanos.

É extremamente fácil julgarmos as pessoas: “matou, tem que morrer”; “estuprou, tem que sofrer”; “roubou, tem que apodrecer na cadeia”. Isso sem falar de atitudes mais simples: retraimento, egoísmo, falsidade, nervosismo, falta de bom trato, ranzismo.

Todavia, precisamos olhar para trás: o que já se passou na vida dessa pessoa? Como os pais dela a trataram? Lhe deram comida, amor, educação? Aliás, ela teve família? Talvez seu pai foi assassinado na sua frente? Ou era comum ver a sua mãe sendo espancada pelo próprio marido? Quem sabe sofreu abuso sexual praticado por um familiar? Teve um lar minimamente estruturado na adolescência? Sofreu algum grande trauma ou uma imensurável perda?

É cruel, mas é a realidade de muitas pessoas por esse mundo afora. Então, será que podemos ser tão criteriosos quando cruzamos o caminho destes seres? Temos o direito de julgar, quem quer que seja, sem conhecer minimamente a sua história? Certamente tendo ciência do seu passado fica mais fácil compreender as suas atitudes, o que não significa necessariamente considerá-las justificadas.

E aí, crucificar os pais delas, seus agressores ou quem quer que tenha causado o estrago? Não, porque possivelmente a vida deles foi ainda pior! Quando se vive num meio em que a realidade é severa, os valores aprendidos são outros e isso deve ser considerado. Então, como cobrar bom senso e retidão de pessoas que nem sabem que isso existe? Não lhes foi possibilitado tal conhecimento, nem por palavras, nem por exemplos.

É claro que isso não significa que todas as atitudes se tornam plausíveis, nem que todas as transgressões devam ser perdoadas. Longe disso. O mundo viraria um caos. Mas, como humanos que somos, temos que ter muito cuidado ao avaliar os outros. É sempre bom lembrar daquela passagem bíblica diz algo como “não julgue alguém antes de andar sete léguas com as suas sandálias”.

Sejamos mais sensatos, mais realistas e menos implacáveis: a história de uma pessoa é sempre muito maior e mais profunda do que podemos visualizar. As aparências, muitas vezes, enganam. A parte escura da história frequentemente é escondida. Por trás de um infrator frio e calculista pode estar um menininho desesperado por carinho e atenção, cheio de distúrbios psíquicos e de malformações de personalidade. E, nesse contexto, não há nenhum culpado, afinal, somos todos vítimas de vítimas.

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2 comentários em “VÍTIMAS DE VÍTIMAS

  1. As sociedades parecem não estar preparadas para essa verdade, tentam arranjar responsáveis para o mal e com isso fazem com que este se perpétue. As pessoas estão demasiado centradas em si para se preocuparem com essas “subtilezas”.

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