Música

POR TRÁS DOS LINDOS OLHOS AZUIS E DAS MADEIXAS LOIRAS

POR TRÁS DOS LINDOS OLHOS AZUIS E DAS MADEIXAS LOIRAS

Quando pensamos em música boa, mais especificamente, quando pensamos no bom e velho Rock, é inevitável não lembrar de um nome, de uma história, de uma lenda: Kurt Cobain.

KURTAO.jpg Kurt em um de seus momentos típicos. Fonte: Google Imagens

Olhos azuis profundos como o céu, madeixas loiras mau cuidadas, um sorriso sempre exposto, exagerado, bonito o suficiente para esconder todos os seus monstros interiores.Um rosto lindo, mas com uma tristeza evidente.

Álcool, drogas, insanidade, talento, amor: palavras simples, que sozinhas já são explosivas, mas juntas, juntas elas são mortais, e não formariam nada mais e nada menos que uma grande lenda.

Famoso por ter sido o fundador, vocalista e guitarrista da banda Nirvana, Kurt Donald Cobain, se perdeu em meio ao seus sonhos e seus medos, se deixou levar pelas suas inseguranças, procurou fugir do mundo real e da pressão de ser um astro do Rock. A banda Nirvana, foi considerada líder no surgimento de uma nova geração, e Kurt, que desde já não acreditava na sua capacidade, se viu obrigado a ser o “símbolo” dessa nova geração que se formava.

Kurt, infelizmente, é um exemplo claro de que o dinheiro, a fama e o poder, não substituem a paz da privacidade, a felicidade da calma de um almoço em família, o conforto de um lar simples, mas que transborda amor, a tranquilidade de poder ser livre, sim, livre, porque Kurt não era livre, talvez ele achasse que era, mas se ele fosse realmente livre, estaria vivo até hoje.

Cobain entrou para o clube dos 27, tinha 27 anos quando tirou sua própria vida, alguns dos grandes artistas que o mundo já conheceu coincidentemente vieram a falecer com esta idade, tão jovens e tão inconsequentes. Além de serem incrivelmente talentosos, todos possuíam uma personalidade polêmica.

Aqui vai uma parte de sua carta de suicídio:

“O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo 100 por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.”

(…)“Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade, passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar de vez do que se apagar aos poucos.”

102_425-blog-kurt-cobain.jpg Cobain sorrindo Fonte: Google Imagens.

Em toda a carta de Kurt podemos reparar especialmente na seguinte frase: “É melhor queimar de vez do que se apagar aos poucos”, essa foi sua justificativa para o súbito ato. Eu, na minha humilde inferioridade, julgo que Kurt estava equivocado, ele estava tão tomado por sua dor e sua obsessão pela morte, que naquele momento não percebeu que já havia se apagado aos poucos, talvez, tenha caído à ficha alguns instantes depois, mas aí, já era tarde demais.

Kurt já estava morto muito antes de morrer, ele morria um pouco á cada erro, ele não sabia lidar com seus defeitos, ele morria um pouco a cada música que não fazia tanto sucesso, não sabia lidar com os fracassos, ele morria um pouco em cada briga com sua esposa, não sabia lidar com o amor, ele morria um pouco á cada dia, um pouco a cada noite, e quando finalmente seu ódio por si mesmo tomou conta de todo o seu ser, ele pôs um fim naquele corpo sem vida que há algum tempo apenas vagava no espaço.

Cobain, na verdade, nunca havia deixado de ser uma criança, uma triste criança, ele queria se sentir seguro, protegido, cuidado. A música “Smells like Teen Spirit”, que é uma das mais famosas da banda, se não a mais a famosa, contêm a seguinte frase : “I’m worse at what I do best” – “Sou o pior no que faço de melhor”, essa frase é a prova exata de como Kurt se sentia, ele refletia sua dor nas letras de suas músicas, ele achava ser insignificante e inútil, pensamento comum para uma pessoa depressiva e autodestrutiva, como Kurt.

Kurt se sentia desconfortável com tamanha atenção que recebia, ele não gostava do peso de ser um “exemplo” para as pessoas, ele acreditava que a única forma de escapar de sua dor era focando na sua música e sua banda, e abusando de alucinógenos como álcool e drogas.

Mesmo após a sua morte, a música de Kurt, assim como a lembrança dele, continuam inspirando muitas pessoas e fãs ao redor do mundo. Cobain é tido como o herói e ídolo de muitos adolescentes, principalmente por conta de suas letras, que na maior parte das vezes representavam frustração, raiva, depressão e medo.

 

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