4 ÁLBUNS QUE FIZERAM HISTÓRIA CONTANDO UMA HISTÓRIA

4 ÁLBUNS QUE FIZERAM HISTÓRIA CONTANDO UMA HISTÓRIA

Fazer história contando histórias é algo cotidiano para escritores, e desse tipo já falamos bastante, mas você já ouviu algum álbum (sim, de música) que conte uma história? O Tio Vix lista hoje 4 álbuns conceituais que contam histórias tão perturbadoras quanto tocantes. Venha conferir.

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Contrastando sempre com a falta de sentido em muitas das músicas já feitas, alguns artistas foram tão caprichosos com suas obras que conseguiram nos contar em forma de música histórias fascinantes, perturbadoras e tocantes. A lista a seguir contém quatro álbuns conceituais que, exatamente dessa maneira, fizeram história contando a sua história:

1. Tommy (1969), por The Who

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Guerra, trauma, catatonia induzida. Tudo isso seguido por negligência paternal, bullying e abuso sexual. Se você achou pesado só de ler, tente ouvir o álbum prestando atenção na letra.

Composto principalmente pelo guitarrista Pete Townshend, o álbum de 1969 da banda inglesa The Who retrata a história de vida do garoto Tommy, que ao presenciar o assassinato do amante de sua mãe pelas mãos do próprio pai (que supostamente havia sido morto na guerra) é induzido a acreditar que não viu nem ouviu nada. Essa indução funciona como uma hipnose e deixa Tommy “deaf, dumb and blind” (surdo, retardado e cego) para os acontecimentos do mundo externo.

A sequência de músicas nos guia pelos sentimentos e sensações de Tommy desde este ocorrido até sua cura e libertação, passando por sofrimento de abuso sexual e bullying, mas também por suas experiências de descoberta, por exemplo de que podia se tornar um mestre do pinball jogando apenas com seu tato, e da busca de seus pais por curas alternativas, retratada na música Acid Queen, e seus efeitos alucinógenos, representados de maneira incrível na forma da música instrumental Underture.

Outra música interessante é Christmas, que mostra o medo dos pais de Tommy de que ele nunca encontre a religião em seu estado catatônico e portanto não seja salvo.

Tommy teve sua versão cinematográfica lançada em 1975 e é até hoje considerado um dos principais discos de rock opera.

Clique aqui para ouvir no YouTube.

2. The Wall (1979), por Pink Floyd

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Este clássico obrigatório é baseado numa metáfora e segue a vida de Pink, personagem baseada em Roger Waters e Syd Barrett (membro e ex-membro da banda, respectivamente), que perdeu seu pai na Segunda Guerra Mundial (Another Brick in the Wall Part 1) e foi oprimido pela mãe super-protetora (Mother) e pelos professores ditadores na escola (Another Brick in the Wall Part 2).

Os problemas de Pink na infância levaram-no a uma vida adulta conturbada por relacionamentos frágeis e abuso de drogas, colocando cada vez mais “tijolos na parede”, uma metáfora para o seu isolamento do resto do mundo, que por consequência leva a personagem a alucinar sobre a própria vida, vendo a si mesmo como um líder fascista que deve ser julgado e como juiz de si mesmo ordena que “a parede deve cair” (The Trial) e que ele deve se retratar com o mundo exterior.

O álbum inteiro mostra este processo em forma de música, e não só na letra, mas também na perturbadora melodia que, apesar de mudar dramaticamente de uma música para outra, ainda consegue se manter fiel ao tema que a banda quis retratar. Sons de guerra e sons de loucura são frequentes. Várias referências são feitas ao ex-membro Syd Barrett, como em Nobody Home, música sobre situação completamente drogada durante uma turnê da banda.

O disco é genial, ouça com fones de ouvido para pegar detalhes como o ciclo feito com a última e a primeira música: as primeiras palavras da primeira música são “… we came in?” e as últimas da última música são “Isn’t this where…”, formando a frase “Isn’t this where we came in?” (“Não foi por aqui que chegamos?”), mostrando a natureza cíclica do tema da produção, também vista na emenda da melodia.

The Wall também recebeu sua perturbadora versão cinematográfica em 1982.

Clique aqui para ouvir no YouTube.

3. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (1972), por David Bowie

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Cinco dias para o fim do mundo. A Terra sofre com falta de recursos e os mais velhos já desistiram de tudo, deixando para os jovens a responsabilidade de procurar sutento. Ziggy Stardust, incomodado pela situação e pela falta de interesse dos outros jovens pelo rock ‘n’ roll, é aconselhado e recolher notícias e cantar sobre elas; um desafio, já que num mundo tão próximo de seu fim as notícias são tão escassas quanto os recursos.

É nesse contexto que o álbum tresloucado do gênio Bowie conta sua história.

Ziggy é visitado em seus sonhos por seres extraterrestres chamados Infinites, que viajam pelo universo através de buracos negros e estariam a caminho da Terra para salvá-la. O jovem então canta sobre essa notícia para dar esperança aos outros terráqueos (a canção de Ziggy sobre isso é o hit clássico Starman), até que começa a acreditar na própria história e se perde em sua loucura.

O álbum inteiro foi feito por David Bowie na intenção de servir de trilha sonora para um musical que infelizmente nunca foi produzido. O autor considera um ponto alto da peça o momento em que os Infinites chegam à Terra em sua forma de anti-matéria e arrancam pedaços de Ziggy a fim de se tornarem visíveis! Pura brisa que seria acompanhada pela canção Rock ‘n’ Roll Suicide, a última do álbum.

Clique aqui para ouvir no YouTube.

4. American Idiot (2004), por Green Day

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Trazendo essa lista para a primeira década do século 21! Sim, já estamos na segunda, sim, este álbum já tem 11 anos! Pois é… American Idiot é a punk-rock opera da banda norte americana Green Day, contando a história de um jovem suburbano qualquer, dando assim um tema com o qual o ouvinte pode se relacionar.

Usando personagens como Jesus of Suburbia, um jovem dos subúrbios que vai para a cidade grande; St. Jimmy, um punk lutando pela liberdade; e Whatsername, a misteriosa garota da história; os músicos vão nos contando uma história sobre como é o sentimento de ser um alienado nos Estados Unidos – e por que não no mundo? – contemporâneo.

A mensagem é muito bem transmitida através de um álbum recheado de hits populares dos anos 2000 como: Wake Me Up When September Ends, uma quase autobiografia do vocalista Billie Joe Armstrong sobre como foi perder o pai aos dez anos de idade; e Jesus of Suburbia, os épicos nove minutos e oito segundos que servem de background para a personagem.

American Idiot foi adaptado para os palcos em 2009, chegando na Broadway em Nova Iorque em 2010 e aos palcos do West End em Londres agora em Julho de 2015. Gostando ou não de Green Day, é justo assumirmos que eles criaram uma das obras primas do novo século.

Clique aqui para ouvir no YouTube.

Outros álbuns conceituais para ouvir e ouvir novamente:

Songs For the Deaf (2002), por Queens of the Stone Age Com uma formação privilegiada – com Josh Homme cantando e Dave Grohl na bateria – o terceiro álbum da norte americana Queens of the Stone Age leva o ouvinte em uma viagem de carro pelos Estados Unidos, sintonizando em rádios locais de diversas cidades no caminho que “por acaso” tocam as músicas do álbum.

Demon Days (2005), por Gorillaz A banda virtual liderada pelo gênio inglês Damon Albarn – também do Blur e de The Good, The Bad And The Queen – lançou em 2005 o seu segundo álbum de estúdio retratando em cada faixa os “demônios” que toda pessoa enfrenta em uma noite e também o estado de noite constante em que nosso mundo atual vive, lidando inclusive com questões ambientais.

The Who Sell Out (1967), por The Who Um dos álbuns mais criativos da banda, The Who Sell Out é feito inteiro em forma de comerciais fictícios para diversos produtos como desodorantes e feijões enlatados.

Esse é mais um texto original da Taverna do Aventureiro e o nosso primeiro falando sobre música! Como sempre, não é possível incluir tudo numa lista – mas é possível sim comentar na página do facebook da Taverna e no nosso twitter @Tavernaria pra dizer o que você pensa e quais álbuns nós deixamos passar! Venha e traga sua caneca!

 

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