CARTA PARA OS INADEQUADOS

CARTA PARA OS INADEQUADOS

“Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo”

Luis Fernando Veríssimo

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Você, que não pensa antes de falar, que sente antes de pensar e que vive deliberadamente tudo o que lhe é dado… Você, que ri quando não pode e que fala o que não deve, encanta meu coração absolutamente. Quanto lhe julgam: Infantil! Aí mesmo é que me afogo de amor, crianças são a melhor coisa que poderíamos ser e já fomos, quem as mantém vivas é gênio, por isso é com você, pessoa sem freio, com quem gostaria de falar.

O mundo está sempre dizendo que você precisa de foco, de força, precisa saber pra onde está indo. Precisa estudar, trabalhar, poupar, socializar, negociar… ok, precisados somos todos de diversas coisas, mas eu suplico, continue mostrando língua pro mundo!!! E a bunda se possível. Continue abraçando tempo demais, trocando drama por desenho animado, lambendo o fundo do prato, fazendo barulho no último gole do milk shake. É justamente na tua falta de adequação na ‘vida adulta’ que mora minha esperança no mundo.

Vendo você solta e impensada, pessoa bonita, eu tenho vontade até de ser eu mesma, essa coisa sensível que tive que guardar numa caixinha debaixo da cama, pra poder sobreviver nesse mundo correto. Vendo você sendo julgada por falar o que pensa, tenho vontade de chutar a mesa e gritar: Hipócritas! Vão à merda hipóóóóóócritas! Mas eu também sou hipócrita algumas vezes e nem sempre consigo falar. Por isso, deixa eu caminhar do seu lado, de mãos dadas, mesmo que seja em silêncio… mas com os olhos cheios de admiração?

Um dia me disseram que minha elegância era motivo de orgulho, não! Minha elegância é minha cadeia irmão! Ela existe só pra proteger o ser sensível, inconveniente e espontâneo que existe em mim. Ela me dá apertos de mãos sérios e olhares de uau, me dá bons empregos e a confiança dos mais experientes, mas não enche meu peito de alegria como a minha menina solta faz… Quando insegura, sou séria, reservada, tímida e ilegível. À vontade, danço conga la conga na versão mais abestada que você já viu. Minha idiotice, infelizmente, é pros íntimos. Por isso eu digo: essa elegância é apenas minha forma de não estar confortável.

Mesmo que eu repita incansavelmente pro meu eu abestado: Eu te amo! Chegue mais! Sirva-se de tudo que sou e vire tudo que sei de mim, eu lhe imploro!!! Não adianta, os anos duros já lapidaram minha cara de pau e a transformaram numa cara de lady, mesmo ela sendo feita de madeira barata e cheia de cupim colorido. Queria saber, como você, ser descontrole em todas as horas, sem controle do conveniente, queria saber ser todo tempo aquilo que sou no escuro. Vejo pessoas contidas, como eu superficialmente, e tenho vontade de bagunçar seus cabelos, e caras, e maquiagens bem feitas. Tenho vontade de sair desconstruindo o povo sério que reflete minha introversão por aí. Desfazer o que fizeram com a gente enquanto a gente crescia.

Por isso, pessoa bonita, você é linda quando faz as pessoas rirem em horas indevidas. Falo sério. Você é linda sendo criança na frente do cara mau. Você é linda não sendo certa, tropeçando nas palavras, dizendo asneira e falando alto demais, você é sexy não sendo sexy. Nossa! Você é muito mais sexy não sendo o que deveria ser. Por isso eu ‘tô’ aqui, aproveitando da proteção que as letras me dão pra te dizer que apenas seja! Isso tudo que disseram pra você não ser é justamente o que faz pessoas adequadas como eu morrerem de amor um ano inteiro. Por favor! Seja besta! E deixe minha timidez se dissipar na sua doçura errante pra que eu consiga junto contigo, dançar conga la conga em praça pública.

Essa vida social nos pede discernimento, conformidade, ‘educação’… mas o prazer genuíno vive na loucura! No impensado! No espontâneo! Por isso, escrevo pra você, que faz bobagem a todo instante e rouba meu coração pra si. Repito: Seja você! E assim… me encoraje de ser eu também.

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