SÍNDROME DE SCARLETT O’HARA

SÍNDROME DE SCARLETT O’HARA

Se você sabe o que quer, você terá o que quer. Se ainda não conquistou, é por que não fez drama o suficiente.

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Não importa qual é a sua dor. Dor de dente, dor de consciência, dor de cotovelo, se você também passou a semana sofreeeeendo por algum motivo e não entende por que o mundo não se solidariza com o seu martírio, seus problemas acabaram. Aprenda com Scarlett O’Hara:

FAÇA UM DRAMA

1 – Diga que não aguenta mais e que vai morreeeeeeeeeeer. É o marketing do apocalipse, o mais eficaz do nosso tempo. Para chamar a atenção sobre alguma coisa, o negócio é dizer que ela vai ser exterminada. Muito antes do aquecimento global virar moda, Veneza já ganhava milhões de turistas assim: desde sempre dizem que Veneza vai afundar, sucumbir, se acabar, se escafeder, sumir do mapa, puf. Todo dia abro o jornal e o resto do mundo está se acabando. Menos Veneza.

2 – Nunca tenha uma enfermidade média, daquelas que não matam. Se não sangra, não é grave. Dê um jeito de fazer sangrar.

3 – Quando alguém, mecanicamente, perguntar – Como vai você? – faça uma pausa fúnebre, baixe os olhos e responda – Soube não?

4 – Use hipérboles. Se você não garantir que agonizou crucificado de tristeza chorando litros do Nilo na escumalha da sarjeta, ninguém vai ter uma dimensão do seu sofrimento.

5 –Não deixe ninguém te convencer de que o seu problema não é tão grave assim. Não é grave para eles por que não é o problema deles! Se alguém te negar ajuda ou não te der importância ou não compreender o fato de que você é frágil e sofre e merece todas as framboesas de ouro do mun-do, reaja! Sente e chore. Essa é a nossa resposta natural diante da vida.

6 – Pesque de bomba. A sua dor é sincera e merece platéia. Redes sociais seriam entediantes se a gente só publicasse foto de viagem.

7 – Não adianta querer mostrar às pessoas o quanto você é especial. Especiais são as crianças da APAE. Melhor incorporar o insano, louco, perturbado que, se não tiver suas necessidades atendidas, coisas terríveis podem lhe acontecer.

8 – Se for o caso, suma. Não atenda, não responda, não tecle, não sei, não vi. Se você for um cara popular, bastam alguns dias. Mas se você for apenas um rapaz latino-americano, pode bancar o Belchior abduzido.

9 – Se os seus amigos não se solidarizarem com o seu calvário, apele para os inimigos. Por exemplo, outro dia a cidade de Valença, no norte de Portugal, queria muito que o governo liberasse uma verba pública para a Saúde. Fez protesto, bradou e foi solenemente ignorada. Aí toda a população resolveu decorar suas janelas com bandeiras da… Espanha. A verba foi liberada em 24 horas.

10 – Incorpore a Scarlett: se você sabe o que quer, você terá o que quer. Se ainda não conquistou, é por que não fez drama o suficiente. Caso haja resistência do interlocutor, recomece o processo e volte ao item 1: diga que vai morreeeeeeeer. Sucumbir, empacotar, se acabar inteeeiro varrendo com os próprios cabelos o enxofre fumegante dos corredores do inferno perdido na imensidão das trevas para todo o seeeeempre.

Resultado de cinema. Êxito garantido.

 

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