DEU RUIM, MAS TÁ BOM

DEU RUIM, MAS TÁ BOM

Nas entrelinhas da vida, lemos os recursos para achar a paz interior.

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Estou em crise desde os cinco anos de idade. Tem gente que é assim, meio doida, meio sã: emenda uma crise na outra. E talvez isso não seja de todo mal. Etimologicamente, crise remete à momento de decisão, de mudança, até de transformação. Tento crer que estou em decisão atrás de decisão desde bem cedo, mirando o lado bom da coisa. Já até cansei de mim, confesso; mas não sei ser de outro modo, e assim que vou seguindo o melhor que posso. Toca pra frente.

Às vezes, eu me sinto frágil e carente. Todo mundo fica assim vez ou outra. Mas, quanto a mim, nessas horas, sou cruel: acho ridículo e me critico internamente. A cabeça não para de rodar. Eu queria ser descolada e divertida, mas sou controladora e dramática. Gostaria de ser astronauta e cineasta, mas sou uma ilustre trabalhadora comum. Queria não me preocupar com dinheiro nem com amor. Ter disposição para ginástica e oração. Elaborar opiniões sensatas e bem argumentadas. Entrar fácil no vestido 38. E ficar doente menos vezes.

Mas me flagro no mundo assistindo a comédias românticas, estabelecendo mais relações virtuais que presenciais (muitas vezes com pessoas que nem percebem como essas relações virtuais são reais), contando as moedas e as migalhas de amor, comendo pipoca. Acumulo pilhas de livros e textos para ler e vou adiando projetos em dias de vento e solidão. Quem nunca? Cara, nessas vezes, em que me sinto e me flagro assim, eu preciso de um milagre. Ou de brigadeiro.

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A gente quer viver histórias de amor e cura do mundo, mas se esquece de que a vida tá mais pra filme de Wood Allen, como brinca comigo uma amiga: é só esquisitice. Contudo, como outra sábia amiga também já me recordou, filmes românticos duram só 1h30 e não a vida inteira. É verdade. Há dias em que a gente se cansa. E é só isso, nada demais. Então, dorme que passa.

Eu faço muitas coisas ao mesmo tempo e acho que só preciso mesmo é de um tempo. Talvez seja o caso de todos nós. Menos coisas, mais tempo. Selecionar o essencial em nós mesmos, estabelecer o que é urgente, mas sem suprimir o que é importante e fundamental. Amar cada idiossincrasia que temos, por mais estranha que nos pareça. Afinal, são das nossas divergências com o mundo que nos descobrimos nós mesmos. Talvez as crises, como as equações matemáticas, tragam suas soluções nos próprios enunciados. Basta ler a vida com mais atenção no silêncio que ela faz. Acabam assim os dramas críticos da vida. E soltos, sem controle, vivemos melhor.

 

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