JORGE LUIS BORGES: O ETERNO DEFENSOR DA LEITURA

JORGE LUIS BORGES: O ETERNO DEFENSOR DA LEITURA

Quando Borges afirmou que “nunca se termina de aprender a ler. Talvez como nunca se termina de aprender a viver”, acredite, ele sabia o que estava falando.

Célebre escritor, poeta e ensaísta argentino, Borges é um dos escritores mais famosos da literatura mundial. Publicou poemas e contos que ficaram famosos no mundo todo. Suas obras possuem pistas de duplo sentido, jogos persuasivos entre personagens, ideias trabalhadas com ironia e sarcasmo, imaginário aliado à realidade e doses de inteligência exageradas.

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Borges é raro! Assim como seus leitores. Defendia a leitura como libertadora e acreditava que sem ela o homem não poderia ser feliz (e, caro leitor, ele tem razão!).

Em “Cinco visões pessoais. 4. ed. Trad. de Maria Rosinda R. da Silva. Brasília: UnB, 2002. p. n.º 13 e 19, Borges enfatiza que: “Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular é sem dúvida, o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio, o telescópio são extensões de sua visão; o telefone é a extensão de sua voz; em seguida, temos o arado a espada, extensões de seu braço. O livro, porém, é outra coisa:o livro é uma extensão da memória e da imaginação.Dediquei parte de minha vida às letras, e creio que uma forma de felicidade é a leitura. Outra forma de felicidade − menor − é a criação poética, ou o que chamamos de criação, mistura de esquecimento e lembrança do que lemos.Devemos tanto às letras. Sempre reli mais do que li. Creio que reler é mais importante do que ler, embora para se reler seja necessário já haver lido. (…). Penso que o livro é uma felicidade de que dispomos, nós, os homens.”

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Borges era tão transparente em suas paixões pelos livros que seus leitores sentem isso quando se deparam com suas obras. O escritor faz um jogo com o tempo e com os personagens em suas obras (podemos citar os livros “O Aleph” ou “O Livro de Areia”) que o leitor tem que ser muito sensível para entender sua intenção. Em “A Rosa Profunda”, isso fica explícito:

Os meus livros

Os meus livros (que não sabem que existo)/ São uma parte de mim, como este rosto/ De têmporas e olhos já cinzentos/ Que em vão vou procurando nos espelhos/ E que percorro com a minha mão côncava./ Não sem alguma lógica amargura/ Entendo que as palavras essenciais,/ As que me exprimem, estarão nessas folhas/ Que não sabem quem sou, não nas que escrevo./ Mais vale assim. As vozes desses mortos/ Dir-me-ão para sempre./

A verdade é que Borges é um escritor para leitores selecionados. Para lê-lo é preciso entregar-se aos seus desvaneios, a seus sonhos, a seus labirintos. Ler o autor é um desafio de paciência e acaba sendo, também, um exercício de inteligência. Desistir do autor na primeira obra é sinal de que o leitor não contemplou a totalidade do escritor e, portanto, a obra não atingiu seu objetivo.

Para ler Borges é necessário entregar-se de corpo e alma, envolver-se nos versos e acreditar que o irreal é possível. É como sonhar acordado, viver o inatingível e ter a sensação de que o essencial, como cultura e leitura, sempre são insuficientes. É fechar um livro e querer mais. É, acreditar na leitura como construtora de história e, como diz o próprio Borges, entender que “o livro é a grande memória dos séculos. Se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem.”

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