Cinema

ANALISANDO NARCOS

ANALISANDO NARCOS

Prata ou chumbo? Qual sua escolha? Conheça a série do Netflix que vêm arrebentando em audiência!

noticia_20513.jpg Texto originalmente publicado na Taverna do Aventureiro

Prata ou chumbo, você escolhe! Pegue um Wagner Moura. Adicione um José Padilha. Finalize com uma temporada de combate ao tráfico de drogas. Se essa descrição te lembrou de Tropa de Elite, ótimo, essa é a intenção ao falar de Narcos, o mais recente drama do Netflix que está agitando a internet.

A história baseada em fatos reais conta como o Narco-traficante Pablo Escobar construiu o império que dominou a Colômbia através de influências políticas e violência. O roteiro do norte americano Chris Brancato conta a história sob a narrativa de Steve Murphy (Boyd Holbrook), um agente da DEA (agência de combate ao tráfico de drogas nos Estados Unidos) que decide sair de Miami e morar em Medelin para combater mais de perto a popularização da cocaína, que na época começava a cruzar o Caribe para chegar nas ruas da “América Livre”. Uma vez que a história é contada por Murphy após todos os fatos já terem ocorrido, a sensação é de estar sentado com a personagem enquanto ele conta a história e, usando este método de narrativa, o diretor teve ferramentas para prender a atanção do espectador.

A série conta cronologicamente como Pablo Escobar (Wagner Moura) e seus associados começaram o Cartel de Medelin, como a polícia reagiu ao crescimento e enriquecimento dos Narcos (como eram chamados os traficantes), como foi a transição da população de manipulados para enraivecidos com a situação e como o governo estadounidense finalmente conseguiu se envolver nessa guerra. Dessa maneira, desde o primeiro episódio, a série incita o espectador a refletir sobre quem são os heróis e quem são os vilões da história, e isso é feito de uma maneira tão eficiente que nós chegamos a um ponto onde começamos a perceber e avaliar quais são as intenções e objetivos de personagens secundários e terciários. Muito disso se deve a empatia que uma história real proporciona.

A empatia proporcionada pela história pode até ser causada pelo roteiro ou pela história real em si, mas a direção e a atuação foram responsáveis por reforçar fortemente esse sentimento. José Padilha já é bastante conhecido, tanto no Brasil quanto no exterior, e seu estilo já é fácil de reconhecer na tela; com Narcos não foi diferente. Cenas tensas e carregadas de emoção (normalmente raiva ou indignação) mesmo quando a história estava seguindo mais devagar, ângulos e iluminção que reforçam o sentimento de cada personagem e um clima que ressalta o drama das vidas comuns das pessoas nas comunidades colombianas.

Diretor José Padilha e Waner Moura no set de filmagensOs holofotes do elenco ficam para Wagner Moura, não só por interpretar (e muito bem) a personagem principal, mas também por já ser reconhecido por papéis passados. A versatilidade do ator é incontestável e é clara em suas atuações completamente diferenciadas em “Carandiru” (2003), “Ó Pai, Ó” (2007) e em “Tropa de Elite” (2007 e 2010), mas no caso de Narcos, essa característica ficou ainda mais em evidência com a evolução da personagem Pablo Escobar ao longo da história, passando de contrabandista renomado para líder de um dos maiores cartéis da história, tudo isso ao mesmo tempo que interpreta um pai de família, um amante e um “padrinho” no melhor estilo “O Poderoso Chefão”. O ponto negativo que chama atenção na atuação de Moura é a evidente dificuldade com o idioma espanhol. Para um nativo que assista à série, ou algum espectador com mais fluência no espanhol latino americano, a habilidade do ator de imitar o sotaque pode ser colocada em questionamento. Contudo, apesar de todas as críticas e reclamações quanto a este importante detalhe, é necessário reconhecer o esforço do ator, que se mudou e passou meses na Colômbia antes das gravações para se familiarizar com o idioma, com o sotaque e com os dialetos; este é um nível de dedicação que deveria ser padrão. Quem sabe numa possível segunda temporada o espanhol dele não vem melhorado?

Além de Wagner Moura, outros atores no elenco se destacam por encaixar perfeitamente suas atuações com as personagens: Boyd Holbrook, interpretando Steve Murphy, o agente que sai da sua zona de conforto em busca de satisfazer seu desejo por justiça; Pedro Pascal (o Oberyn Martell de Game of Thrones), interpretando Javier Peña, o agente local que faz de tudo e joga sujo para alcançar seus objetivos; Maurice Compte, no papel de Horatio Carrillo, um policial incorruptível que teve muitas perdas na guerra contra o tráfico e se torna um grande aliado na luta contra Escobar; e por fim, um destaque também para Juan Pablo Raba, no papel de Gustavo Gaviria, o primo e conselheiro que tem a grande responsabilidade de controlar o gênio explosivo de Escobar. Todos estes atores, juntamente com os outros de suporte, passam perfeitamente o drama que domina a série.

Carrillo (Maurice Compte), Murphy (Boyd Holbrook) e Peña (Pedro Pascal)Com direção de Padilha no melhor estilo Tropa de Elite, com uma história real e cheia de reflexões sobre o que é certo ou errado em situações extremas e combinando com atuações dedicadas e emocionantes de todo o elenco, Narcos mostra toda a qualidade que se espera de uma grande produção e nos faz repensar medidas políticas, sociais e militares tanto da época quanto da atualidade.

 

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