SARTRE, UM PESSIMISTA. SERÁ MESMO?

SARTRE, UM PESSIMISTA. SERÁ MESMO?

A bondade, a cordialidade, o respeito à convivência extrapolam questões de fé. Independentemente de uma fé ou moral religiosa, temos a ética social, capaz de preservar relações, defender direitos e acima de tudo viver o amor em todas as suas esferas. A amizade verdadeira, o respeito às pessoas, o exercício de uma vida honesta e generosa não são exclusividades daqueles que professam uma fé. Se alguns se alegram diante da certeza de uma vida posterior, cheia de bênçãos, outros podem se alegrar com esta vida finita, limitada, mas ao mesmo tempo cheia de possibilidades quando somos livres para decidirmos os nossos caminhos.

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Muitos imaginam que o filósofo existencialista Jean Paul Sartre foi um pessimista pois acreditava que a vida não fazia sentido, que nascemos por acaso, sem uma missão pré-determinada. Pessoas com visão religiosa encaram esta maneira de entender a vida como niilista.

Mas será que o célebre filósofo francês, que também fez filosofia por meio de seus romances era realmente um pessimista? Será que ele era realmente uma pessoa triste?

Imaginar Sartre como triste é um mito da mesma forma que entender Nietzsche como alguém que não acreditava em nada é um pensamento equivocado. Da mesma forma que é um mito pensarmos que o feminino é o oposto do masculino.

Por crer que a vida era sem sentido, Sartre pensava que cabia a nós dar um sentido a mesma. Por tal razão apostou na existência dos seres humanos e não na essência. Acreditou que vamos nos formando como pessoas a partir dos nossos atos e escolhas. Acreditava que estamos condenados à liberdade, isto é, somos responsáveis por aquilo que fazemos.

Muitos acreditam que sem a crença em Deus ou a prática de uma religião, o mundo viraria um verdadeiro caos. Muitos acreditam que apenas o temor de uma possível condenação metafísica pode nos impedir de cometer atrocidades. Será mesmo?

A bondade, a cordialidade, o respeito à convivência extrapolam questões de fé. Independentemente de uma fé ou moral religiosa, temos a ética social, capaz de preservar relações, defender direitos e acima de tudo viver o amor em todas as suas esferas. A amizade verdadeira, o respeito às pessoas, o exercício de uma vida honesta e generosa não são exclusividades daqueles que professam uma fé. Se alguns se alegram diante da certeza de uma vida posterior, cheia de bênçãos, outros podem se alegrar com esta vida finita, limitada, mas ao mesmo tempo cheia de possibilidades quando somos livres para decidirmos os nossos caminhos.

O simples fato de acreditar em Deus não torna ninguém melhor do que as pessoas que não acreditam. O que torna alguém melhor é a capacidade de respeitar a crença ou a descrença alheia. A alteridade e a compaixão fazem de nós boas pessoas, independente da fé que professamos.

Como disse o historiador Leandro Karnal, a fé verdadeira é aquela que não espera recompensas nem teme castigos. Acredito porque acredito, sem pedir nada em troca. E como afirmou o professor Clóvis de Barros Filho, ética não é aquilo que deixamos de fazer ou dizer por medo. É aquilo que deixamos de fazer e dizer por entendermos realmente que aquilo contraria os nossos valores.

 

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