AS VISÕES DE HUXLEY

AS VISÕES DE HUXLEY

Entusiasta do LSD e filho de uma nobre família britânica, ele foi professsor de George Orwell em Oxford. Trouxe ao mundo histórias reais disfarçadas de ficção. Nessa entrevista de 1958, muito mais pontual que qualquer profeta, Aldous Huxley fala da sua distopia e outras aflições.

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Aldous via coisas que os outros não viam. Ele estava olhando o outro lado de tudo que surgia naquele momento. As tecnologias de comunicação, a queda de braço entre comunistas e democratas, o crescimento desordenado da população e a ordenação das organizações; ele as via por dentro. Mesmo antes da segunda guerra, em 1932, lançou Admirável Mundo Novo um livro distópico que profetizava a humanidade num futuro sem sentido, sufocada por opções infinitas. Imaginou pessoas oprimidas não pela restrição, como em 1984, mas pela inércia causada pela fácil satisfação.

Numa entrevista à Mike Wallace, em 1958, ele fala do potencial da TV para ser usada para o mal, criando uma distração ampla e coletiva. A proliferação do uso de drogas, combinada com o que ele chama de “novas técnicas de propaganda”, seria fundamental para criar a “felicidade onde ela não existe” no seu futuro hipotético. Sua crítica a propaganda comercial comparada a propaganda de regimes totalitários, contemporâneos à época da entrevista, alerta ao poder da publicidade, sobretudo aquela direcionada ao público infantil. Apesar das particularidades de cada uma, elas tem o mesmo propósito de provocar a adesão involuntária do individuo a uma causa pelo resto da sua vida. No entanto, a democracia precisaria justamente do contrário disso. Somente cidadãos livres e capazes de tomar decisões conscientes poderiam fazê-la funcionar.

Wallace: “… e nós seriamos persuadidos a votar em um candidato no qual não saberíamos que fomos persuadidos a votar nele?”

Huxley: “Exatamente. É uma situação muito alarmante ser persuadido abaixo do nível da escolha e da razão”

Sobre os avanços da tecnologia na propaganda política nas eleições de 1964.

Sua visão pessimista trazia seu temor em relação ao cenário conturbado e sem garantias que seu olhos enxergavam no horizonte. Chegou bem perto nas suas predições, especialmente as relacionadas à atuação das comunicações, o que garante a ironia na leitura dos seus ensaios quando a própria história revela suas mensagens hoje. Mesmo tendo alcançado o maior nível de informação disponível nos últimos 50 anos, a maior parte de nós ainda não sabe como usar isso em favor prórprio e continua sendo domada pelo consumo massivo de entretenimento.

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”

 

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