OLHO POR OLHO

OLHO POR OLHO

Lama nacional, em Mariana e no Senado, sangue mundial, aqui, na França, na Síria em todo lugar, o sangue que escorre em nossas mãos é fruto de atitudes repetitivas e não-funcionais, que vem refletindo e refletindo destruição a décadas, além da corrupção e o descaso que vivemos em nosso país, causando uma dos crimes ambientais mais repugnantes já ocorridos. Quando isso vai acabar? Qual são os valores das vidas que perdemos pelas mãos da Vale em Mariana? Quando é que vamos perceber que, não se paga sangue, com massacres, não se paga dor, com sofrimento, não se paga guerra com mais e mais destruição; quando é que vamos entender que, olho por olho, o mundo todo logo vai acabar cego.

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Primeiro vamos esclarecer algumas coisas. Você pode morar em qualquer lugar, dizer que daí está livre dessa sujeira que o mundo está mastigando, na verdade, sinto em te dizer, eu não sei dizer quem está mais sujo, você, eu ou qualquer um dos seres humanos que compactuam com essas barbáries. E não adianta tentar ficar imune a chuva de notícias e rumores que são derramados a cada segundo na rede e omitidos diversas vezes na televisão. Somos enganados todos os dias na TV, e assistimos nas redes sociais, outro campo de batalha, seres humanos, homens, mulheres, jovens e adultos, comparando tragédias, equiparando qual apoio é menor, qual maior; pessoas incentivando deixar de lado uma tragédia para apoiar, ajudar a outra, julgando-a mais impactante, mais relevante. Seres humanos, tão inteligentes e do ‘bem’, comparando tragédias, que envolveram vidas inocentes, é estarrecedor. Não estamos aqui para comparar nada.

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A única coisa a dizer sobre o caso de Mariana é: As pessoas precisam de ajuda. E não, não estou falando só dos sobreviventes da tragédia do rompimento das barragens, estou falando aqui que, todos precisamos nos ajudar. A Samarco, a Vale, o Governo de Minas Gerais, Governo Federal, multinacionais e estatais, todos precisam de ajuda; ajuda para se conscientizar do valor inestimável de centenas de vidas, do tamanho do impacto dessa tragédia que poderia ter sido evitada por simples manutenções, de defeitos que foram sim identificados e classificados como riscos. Agora é hora de se prostrar, assumir e tentar conter o desgoverno não só da lama das barragens, mas do nosso país, onde seres humanos não se preocupam uns com os outros e não sabem sequer o verdadeiro valor de vidas inocentes. Sanar as mortes não é possível, mas é possível cuidar do que por incrível que pareça não foi destruído, a esperança de um país consciente, sem descaso e honesto.

A tragédia de Mariana reflete a falta de organização brasileira hoje, falta de compromisso e respeito com o país e com as pessoas que aqui residem, falta de caráter, honestidade, trazendo desenfreadamente uma das maiores tragédias nacionais dos últimos anos. Em Paris, a tragédia foi internacional e reflexo de uma política ainda mais equivocada. Pessoas inocentes, pessoas assustadas, esperando o pior, desespero e dor. Tente imaginar a aflição de esperar por mais uma explosão, de não poder confiar na pessoa ao seu lado, terror. Esse é o terrorismo. Mas e os ataques constantes ao ISIS, que matam inocentes, crianças, esse não é terrorismo. E como é que podemos chamá-lo? Vingança ou justiça? Se paga mortes com outras mortes? Não, vidas não tem preço.

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Você já ouviu falar por diversas vezes que, violência gera violência, não é? Pois esse jargão está longe de estar ultrapassado. Ontem durante a tarde me deparei com uma imagem em minha linha do tempo que me fez pensar: Porquê ainda pensamos dessa forma? Porque tomamos as mesmas decisões esperando resultados que, décadas a décadas não dão as caras?

A imagem que eu vi foi uma alusão a música ‘Imagine’ de John Lennon, que faria 75 anos em dezembro, uma imagem repleta de tanques e veículos bélicos com a sarcástica frase: ‘Porque não adianta nada pedir a paz cantando musiquinhas do John Lennon para o ISIS’.

Eu fiquei me questionando durante alguns minutos, por quantas décadas, utilizam da destruição para demonstrar poder, para colocar medo nos ‘inimigos’ e assim enfiar goela abaixo de todo o mundo um ódio reprimido disfarçado de paz, um ódio que se transforma em desejo de vingança, quando essa demonstração de poder passa a ser constante e constrangedora, por quanto tempo isso têm sido feito e não têm dado certo? Eu concordo que cantar ‘Imagine’ hoje para o Estado Islâmico não resolveria mas, essa canção não foi composta hoje.

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O que John pedia em seus versos continua atual, isso porque o problema não foi resolvido e estamos vendo, mais uma vez, as decisões serem tomadas em favor da demonstração de poder. É como se cada ataque fosse para mostrar para o mundo: ‘Ei, eu que mando! Se apavorem!’ É um ciclo vicioso, não há tempo para se lamentar de uma tragédia e já vemos outra. Vamos realmente nos matar pouco a pouco até não existir mais ninguém para ter ódio, guerra ou poder, só aí, nesse momento vamos ter paz.

Vejo pessoas sendo arrastadas para fora de uma boate em Paris, sangue, medo, dor. Me deparo com crianças inocentes sendo enterradas por seus pais, mortas por um bombardeio aéreo francês na Síria. Terroristas ameaçam um novo ataque. A Europa se prepara para a guerra. Dor na despedida das vítimas do atentado na França. Sofrimento do pai que pede ajuda para o filho atingido por uma bomba.

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Vocês conseguem me acompanhar? Eu sei aonde isso vai parar, aliás, não vai parar. Quase não vejo mais chances de ver todo o mundo unido em prol da paz, todo o mundo buscando acordos, buscando diplomacia. Todos sabemos, é difícil fazer isso nos termos a que chegamos mas, fica cada vez mais complicado. Acho que aos poucos, infelizmente estamos todos ficando cegos.

Por favor, já chega de produzir dor.

 

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