QUEM É VOCÊ MESMO?

QUEM É VOCÊ MESMO?

Bebo cerveja como homem, danço com vontade sem ligar pra quem está em volta. Troco olhares mas não encaro. Dou gargalhadas enormes e estampo meu sorriso por aí. Deixo as lágrimas caírem quando bem entendo e vou embora de onde estiver.

“Pode falar, não me importa. O que tenho de torta, eu tenho de feliz. Eu vou cambaleando de perna bamba e solta. Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho, que hoje eu passei batom vermelho. Eu tenho tido a alegria como dom, em cada canto eu vejo o lado bom”

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A letra da música de Mallu Magalhães, Velha e Louca, mostra uma autoanálise e segurança de impressionar. Confesso que sempre gostei da música mas nunca a associei à questão: Quem sou eu? Eu me faço e refaço essa pergunta mentalmente, dia após dia, enquanto vou me descobrindo internamente. E hoje me dei conta de que a letra da canção define os passos da minha descoberta.

Sou desbocada, falo muitos palavrões a cada dez minutos. Penso em voz alta, faço diálogos e batalhas internas. Imagino cenas, me pressiono, choro na frente do espelho, danço sozinha no quarto vestindo minha lingerie nova. Acordo de péssimo humor e levo horas pra despertar de verdade.

Não penteio o cabelo, só debaixo do chuveiro. Uso pouca maquiagem e deixo o rimel borrar. Odeio salto alto e vestido de menininha. Mas de vez em quando me visto de garota. Tenho 35 e ainda uso mini-saia.

Bebo cerveja como homem, danço com vontade sem ligar pra quem está em volta. Troco olhares mas não encaro. Dou gargalhadas enormes e estampo meu sorriso por aí. Deixo as lágrimas caírem quando bem entendo e vou embora de onde estiver.

Não dirijo. Trabalho com tanta paixão que chega a doer. Faço textos enormes e deleto todos. Faço bullying com meus amigos do trabalho e deixo que façam comigo. Abraço ideias e visto a camisa. Não tenho paciência para telefone. Sou intolerante às vezes e inquieta o tempo todo. Minha sinceridade incomoda e assusta.

Me apaixono pelo formato da areia de uma praia, pela forma como a onda bate e volta. Fico parada por longos minutos olhando o céu. Observo o vai e vem dos carros à noite enquanto passeio com minhas cachorras. Olho para cada janelinha acesa dos prédios e imagino as vidas ali dentro.

Sonho em fazer uma viagem completamente sozinha. Gosto do cheio do mato, da terra secando depois da chuva, do sol saindo entre as nuvens após a tempestade. Me sinto péssima quando me obrigam a fazer algo. Aprendi a dizer não. Morro de vontade de ir pra uma casinha a beira mar

Descubro músicas novas no youtube, acendo um incenso por dia, sinto o cheiro de paz da minha casa, mesmo com a bagunça da minha filha e dos meus bichos. Deito de barriga pra cima na cama e penso na vida. Gosto das janelas abertas e do mensageiro dos ventos chacoalhando sem parar.

Detesto cozinhar mas como muito. Adoro olhar uma mesa cheia de amigos, de copos de cerveja, porções de comida, de assuntos interessantes ou de bobagens que fazem todo mundo rir.

Traço diálogos enormes com a minha filha de sete anos. Falo sobre assédio, bullying, explico a minha ansiedade. Ouço as perguntas e respondo todas, mesmo que meu cérebro esteja exausto da curiosidade infantil. Choro no colo dela, ganhando um cafuné e ouvindo um “vai ficar tudo bem, mamãe”.

Tenho ciúmes dos meus amigos, fico brava quando fazem programas sem mim. Gosto de cada um deles de um jeito específico. Tenho crises de identidade e ligo pra desabafar. Mudo de ideia e opinião. Insisto em algumas pessoas mas abandono de vez quando meu saco enche.

Sou direta e não gosto de joguinhos. Meu pensamento não acompanha pessoas lentas. Detesto caras que enrolam, me irrito com comentários depreciativos. Tenho dificuldade em entender certas frases que não são ditas claramente. Não me faço de louca. Eu sou louca em muitos momentos.

Quem sou eu? Sou a mistura de todas essas atitudes, mesmo que contraditórias, mas extremamente verdadeiras. Levei anos para descobrir cada um desses detalhes, parte de um processo de autoanálise que precisei fazer para sobreviver. E quer saber? Ao escrever cada linha, me deliciei comigo mesma. Chorei, ri, e constatei que cada um de nós deveria saber se descrever de forma detalhada. Quem é você, afinal?

E aqui, o link da música. É pra cima. Faz bem pra alma.

https://www.youtube.com/watch?v=f7UBDGt8VK8

 

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