civilizações

SOBRE A PAZ MUNDIAL

SOBRE A PAZ MUNDIAL

Por que a ansiedade por um botão “dislike” nas redes sociais te coloca contra o ideal de paz mundial? A filosofia do viva-e-deixe-viver parece um tanto esquecida hoje em dia e, por mais cliché que possa soar, a mudança precisa começar em você!

O ano de 2015 foi marcado pelo acirramento ferrenho das novas guerras. Um conflito civil na Síria, alimentado por interesses políticos externos e que reflete a hipocrisia que foi declarar o fim da Guerra Fria, ataques terroristas que transformaram o corpo humano em arma de guerra, policiais armados e truculentos reprimindo professores, bombardeios infindos em Gaza, refugiados afogados nos sonhos de novas vidas e velhos medos… Ainda hoje nos vemos encarando a disparidade ocidente-oriente como nos filmes de James Bond, sem o “romance”. Enquanto isso, nas redes sociais e cegos pela likecracia, tentamos criar um lugar onde todos ao nosso redor concordam conosco.

Decerto não é extenuante buscar postagens que pregam a opinião do autor em detrimento de toda e qualquer opinião contrária, seja qual for o tamanho da sua rede de contatos. Igualmente comum é ouvir histórias de amizades desfeitas por divergências ideológicas, queixas de conhecidos que entraram em discussões acaloradas via teclado e memes sarcásticos, além de lamentos sobre a leitura de comentários em portais de notícias.

apocalyptic-374208_1280.jpg

Me peguei refletindo sobre a falta de coerência entre o sofrimento que isso eventualmente causa e os clamores por paz no mundo. Ora, se não conseguimos nem ter paz nas microrrelações virtuais que mantemos com anônimos, conhecidos, pessoas passageiras na jornada da vida, como esperamos que as macrorrelações entre nações e grandes grupos sejam pacíficas? Para um paralelo, o raciocínio é o mesmo quando presenciamos pessoas protestando contra a corrupção sistêmica que se instalou na política brasileira, mas que praticam todas as pequenas corrupções do dia-a-dia – desde furar uma fila a parar na vaga reservada para deficientes. Faz sentido pedir por algo no macro que não praticamos no micro?

Estamos tão focados em manter limpa a nossa rede de relacionamentos virtuais, que o mundo lá fora está em chamas. Ainda assim, não percebemos que o conflito está na nossa própria incapacidade de oferecer paz aos próximos. Nos falta entender que a pessoa que escreve uma postagem dizendo o que pensa, está apenas verificando quais dos seus contatos concorda com ela, a qual grupo ela pertence, quanto aquelas ideias ainda são aceitas. Na ânsia de nos validar socialmente, ainda que apenas virtualmente, respondemos comentários que afrontam aquela posição e convidam o autor a se defender. O ritmo dos tempos nos fez esquecer que somos todos uma coisa só, flutuando no espaço e nos destruindo mutuamente para ver quem tem mais razão e, consequentemente, mais poder.

800px-Truck_Parades_MGD11_Give_Peace_A_Chance.jpg

Não defendo aqui a liberdade de expressão de opiniões e ideias preconceituosas, tóxicas e defensoras de privilégios. Porém, defendo que tentemos praticar diariamente a paz de permitir que os outros se encontrem fora de nós mesmos e de nossas convicções sobre a realidade, a verdade e o necessário. Coexistir em paz vai muito além e muito aquém de cobrar que os líderes mundiais entrem em acordo. A paz é permitir que o diferente exista em plenitude, sem que ninguém saia prejudicado.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s