Cinema

CITY LIGHTS: AS LUZES E O SOM DE CHAPLIN

CITY LIGHTS: AS LUZES E O SOM DE CHAPLIN

“Luzes da Cidade” elevou os limites de sensibilidade do cinema a um nível inédito de romantismo. Há uma grande quantidade de beleza no filme que não pode ser definida por cor, voz ou explicações. Ela é somente sentida pelo silêncio.

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Um vagabundo que se apaixona por uma vendedora de flores cega. Nunca um filme precisou de tão pouco para ser bonito.

Mas a beleza de “Luzes da Cidade” não se resume apenas ao argumento. O filme de Charles Chaplin, na verdade, merece outras duas linhas para cada um dos seus 85 minutos. Ainda assim, devido ao excesso de méritos, talvez não seja suficiente.

“Luzes da Cidade” não precisou nem das palavras. O maior filme da história do cinema mudo fez até com que eu – justo eu, amante dos diálogos – não sentisse falta das conversas, mesmo diante de um desconhecido que eu teria de aturar por duas horas. Correu tudo bem. Não precisei de muito para me dar bem com aquele coitado, dono apenas do seu próprio bigode, que prefere se fingir de estátua a ter que trabalhar. Ele era calado e pobre como eu.

Não sei se o leitor também vai se identificar com o personagem de Chaplin. Nem nome o coitado tem. Provavelmente, essa pobreza faz nascer a compaixão, não uma cumplicidade, que surgiu entre mim e ele quando o vi lutar boxe – a cena mais engraçada do filme, aliás. Ele parecia saber o quanto eu gosto de ver ringue e cinema ao mesmo tempo.

Viramos amigos a partir dali. Acompanhei de perto o seu romance com a vendedora de flores. Uma história inocente, pura e, obviamente, muito bonita. Um amor idealista e, sobretudo, melancólico. Como o cinema e a vida provam, nossa memória determina o que é relevante a partir das lembranças tristes. Se triste for o final, maior a chance de um amor não cair no esquecimento. William Shakespeare concorda comigo.

“Luzes da Cidade” é um filme mudo, mas não há silêncio. A uniforme trilha sonora está sempre dizendo por Chaplin. Quando a cena de humor, a música é parte da graça, servindo de onomatopeia. Se a cena é de choro, praticamente segura o lenço e encosta a nossa cabeça no ombro, implorando por uma lágrima. É quase uma orquestra. Carlitos, ao seu modo, é o maestro. Tropeça o tempo todo, mas faz com que a trilha soe à sua maneira: simples, ingênua e brilhante.

Há algo de bonito em cada detalhe de Luzes da Cidade. Caberia descrever cada um deles, se fosse possível. Não é. Meu amigo não era muito de falar. Tinha muito o que dizer, mas não por palavras. O silêncio da cena final explica tudo.

 

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