10 heróis que marcaram 2015

10 heróis que marcaram 2015

2015 não foi fácil, mas essas 10 pessoas não ligaram para isso

(superinteressante)
POR Felipe Germano

10- Ahmed Mohamed

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Reprodução | Twitter

Ahmed Mohamed é um garoto texano de 14 anos. Diferentemente de muita gente da sua idade, ele gosta de ir à escola estudar. Na verdade, gosta tanto que resolveu impressionar um professor: contruiu ele mesmo um relógio digital. O problema é que, quando chegou na escola, as coisas não correrão exatamente como ele havia planejado. O professor achou que o relógio era na verdade uma bomba disfarçada. Chamou pela segurança, e o menino foi retirado da escola algemado – enquanto usava uma camiseta da NASA.

A história acabou sendo um grande resumo do preconceito que os árabes e seus descendentes sofrem ao redor do mundo, principalmente nos Estados Unidos, e comoveu muita gente. A hashtag #IStandWithAhmed  (#EuEstouComAhmed) foi aderida por milhares no Twitter. Barak Obama convidou ele para ir à Casa Branca, e diversas celebridades sairam em defesa do menino, como  Mark Zuckemberg que afirmou “Ter habilidade e ambição para construir algo legal, deveria lhe render aplausos. Não prisões”.

Ahmed acabou decidindo que vai sair dos Estados Unidos. Depois do incidente, ele recebeu uma proposta de bolsa de estudos da Fundação Qatar para Educação, Ciência e Desenvolvimento Comunitário (uma organização privada sem fins lucrativos) e se mudará para o país árabe. Mas antes resolveu deixar um recado: vai querer ser compensado. O menino está movendo um processo contra Irvin, a cidade onde foi preso. Se ganhar, Ahmed deverá receber US$ 15 milhões.

9- Jessica Jones

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Divulgação | Netflix

Heroína da Marvel nos quadrinhos, Jessica Jones foi adaptada às telas pela Netflix, em novembro desse ano. Com tom noir, e um grande vilão, a série acabou sendo uma das produções mais importantes de 2015, principalmente por causa dos assuntos que aborda.

“Eu sempre pensei no programa como uma história de redenção e sobrevivência”, afirmou a atriz Krysten Ritter em sua passagem por São Paulo. O fato é que Jessica Jones, antes de ser sobre superherois, é sobre uma mulher que foi abusada, física e mentalmente. Seus superpoderes e atitudes acabam se tornando grandes metáforas sobre a vida pós-violência, e é por isso que ela é uma das heroínas do ano. Jessica não luta apenas contra o vilão Killgrave. Luta contra o silêncio em relação ao estupro.

8- Patricia Arquette

A atriz Patricia Arquette dedicou 12 anos de sua carreira a um mesmo trabalho: Boyhood, o filme de Richard Linkater. Valeu a pena. A Patricia ganhou o Oscar de melhor atriz, o que rendeu um dos momentos mais memoráveis do ano, não pelo merecido prêmio, mas por seu discurso de agradecimento que pedia direitos iguais para homens e mulheres.

Em sua fala, a atriz cravou “É hora de termos igualdade salarial de uma vez por todas. E direitos iguais para as mulheres dos Estados unidos”. A câmera oficial do evento chegou a captar a imagem de Maryl Streep ovacionando o discurso.

Durante o ano, a fala de Patricia foi apontado diversas vezes como um norte feminista na briga por salários iguais.

7- Laurent Fabius

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Jordan Pix | Guetty Images

Chanceler francês, Fabius simboliza um avanço mundial nas questões ambientais. O político presidiu a Cúpula das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (COP 21), onde foi assinado o chamado ?Acordo de Paris?.

O texto pede a cooperação de 195 nações para garantir que a temperatura global não suba mais do que 2ºC, em relação ao período pré-indústrial. Claro que há críticas, mas o simples fato de países altamente poluentes como Estados Unidos e China se comprometerem com a causa ambiental já é motivo de comemoração, e parte disso se deve à Fabius.

6- Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg

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Reprodução | Rede Globo

Nathalia e Fernanda não são artistas que precisam se arriscar para conseguir destaque na profissão. O currículo de ambas já é o diferencial em si. Fernanda foi indicada ao Oscar, e já levou um Globo de Ouro, um Urso de Prata e um Emmy Internacional. Nathalia já atuou em mais de 30 peças, 10 filmes e mais de 60 produções para a televisão. Mesmo assim, elas fizeram o casal mais corajoso da televisão brasileira em 2015.

Na novela Babilônia, elas interpretaram Estela e Teresa, duas mulheres casadas, que lutavam contra as ações de um político conservador. O casal da ficção causou furor na vida real. Grupos religiosos pregaram boicote à novela, e as atrizes rebatiam as críticas em discursos e entrevistas, questionando o caráter preconceituoso de parte do público. Onde ambas diziam não entender a reação preconceituosa de parte do publico.

A novela contou com apenas duas cenas de beijo entre as atrizes. Uma no primeiro, e outra no último episódio do folhetim. As cenas foram vistas como um pequeno passo para produções brasileiras menos conservadoras e homofóbicas.

5- Val

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Divulgação | Que Horas Ela Volta

A personagem de Regina Casé em Que Horas Ela Volta é uma empregada doméstica pernambucana que cuida da casa de uma família paulistana. Com a ajuda de sua filha, Jessica, Val vai entendendo o quão reprimida e subesetimada é, e com isso, ajuda a audiência do filme a entender um pouco mais sobre as relações sociais brasileiras.

Val abandona sua família para tentar ganhar um pouco de dinheiro em São Paulo, para que sua filha cresça com um pouco mais de conforto. Sua jornada pessoal como alguém que consegue se livrar das opressões que sofrem, fazem dela uma heroína no cotidiano brasileiro – que, quase que sozinha, tenta cobrir o grande vazio representativo das empregadas domésticas em meios culturais.

4- Taís Araújo

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Reprodução | Facebook

No final de outubro, a atriz Taís Araújo sofreu ofensas racistas em uma foto publicada em seu perfil do Facebook. Os comentários preconceituosos não foram ignorados. Taís acionou a polícia. 70 pessoas estão sendo investigadas e ao menos 30 delas tiveram o sigilo quebrado. O caso acabou repercutindo e milhares de mensagens positivas à atriz foram postadas com a hashtag #SomosTodosTais, levando a frase aos Trending Topics do Twitter.

O caso de Taís foi um entre vários casos de racismo registrado por celebridades negras em 2015. A jornalista Maria Julia coutinho, do Jornal Nacional, a também atriz Sheron Menezzes e a cantora Preta Gil mostraram que foram alvos de preconceito nas redes sociais.

“Eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça”, afirmou Taís em publicação no Facebook

3- Viviany Belebony

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Reprodução Instagram | @fbaburgos

Durante a 19ª Parada Gay de São Paulo, Viviany Beleboni virou manchete. Ela apareceu do alto de um carro de som, simulando estar crucificada.

Viviany é transgênero. Sua performance apareceu como uma forma de protestar contra a homofobia e a transfobia no Brasil, país que mais mata pessoas trans no mundo. O protesto, porém, não acabou na Parada. Políticos religiosos usaram fotos de Viviany apontando desrespeito à religião, e tentaram aprovar uma lei que pune o que chamam de ?cristofobia?. Com a repercussão aumentando, ela chegou a ser agredida na rua. Em entrevista, ela afirmou que, antes de ser atacada, os homens que a atingiram gritaram frases como “Você é um demônio, tem de morrer. Esses pastores estão certos”.

A modelo acabou se tornando símbolo das dores que uma pessoa trans passa no Brasil – simplesmente por ser trans.

2- Silvia Sardi e Gúbio Soares

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Thinkstock | lirtlon

Em abril, pacientes baianos começaram a procurar seus médicos tentando entender o que estava acontecendo: uma série de manchas avermelhadas estavam aparecendo em seus corpos, enquanto sentiam dores e coceira nos olhos. Foi quando Silvia Sardi e Gúbio Soares, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia descobriram qual era o problema. Um novo vírus havia chegado ao país, o zika vírus.

O zika acabou se tornando um dos maiores vilões de 2015. Acredita-se que ele possa estar relacionado ao aumento de casos de microcefalia no país. Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus também pode ser contraído por meio de relações sexuais, transplante de órgãos ou transfusão de sangue.

A descoberta de Sílvia e Gúbio foi o primeiro, e importante, passo do Brasil no combate a mais um problema de saúde pública.

1- Alunos de São Paulo

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Rovena Rosa | Agência Brasil

Quando o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou em outubro que as escolas estaduais passariam por ma reestruração, era difícil de imaginar o que estava para acontecer. Na prática, o plano de Alckmin consistia em fechar 93 escolas e realocar mais de 300 mil alunos. Os estudantes não gostaram nada da novidade. Eles decidiram por ocupar as instituições onde estudavam. Os locais começaram a receber aulas de voluntários, eventos culturais e se tornou acampamento para alunos que se recusavam a sair.

Para ganhar mais atenção popular, os estudantes começaram a usar cadeiras escolares para bloquear acesso de grandes vias paulistanas. A PM não reagiu bem e foram registradas diversas cenas de violência policial. Com o aumento da pressão, Herman Voorwald deixou o cargo de secretário da Educação e Alckmin suspendeu a reestruturação. Os alunos acabaram mostrando que estudantes do ensino público têm conhecimento e coragem para fazer uma das manifestações mais legítimas desde junho de 2013.

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