7 curiosidades sobre São Paulo que vão mudar sua visão sobre a cidade

No dia do aniversário de 462 anos de São Paulo, uma lista de fatos curiosos sobre a sua história, além de um pouco da realidade de quem habita a capital paulistana.

(superinteressante)
POR Alexandre Versignassi, Camila Almeida, Felipe Germano 

1 – Ela foi fundada por acaso

Seu nascimento foi discreto ? e estratégico. Lá em 1553, 13 jesuítas construíram uma cabaninha de pau-a-pique para a realização de um trabalho missionário: catequizar os índios nativos que habitavam aquelas terras. A trupe, comandada pelos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, nem sabia que estava fundando, ali, uma nova cidade. A cerimônia oficial da fundação da cidade só ocorreu quase um ano depois, no dia 25 de janeiro de 1554. Esta também foi a data em que se converteu o apóstolo Paulo, que deu nome à capital. Três anos depois, a casinha foi ampliada, deu lugar ao colégio de jesuítas e foi nomeado Pateo do Collegio, ponto chave paulistano até hoje (já foi até o Palácio dos Governadores), localizado bem no coração da cidade.

patio do colégioMilton Jung/Flickr

2 – É tão rentável quanto um país – e estaria entre os 60 mais ricos do mundo

Se a cidade fosse um país, teria o 58º PIB do mundo, com US$ 137 bilhões. A cidade estaria logo à frente da Hungria e da Ucrânia, e um pouco atrás da República Tcheca. É pouco. Quando o câmbio estava em 2 para 1 (e o PIB em dólar era maior), a cidade seria o 40º PIB do mundo, com US$ 280 bilhões – acima do Chile, de Portugal e da Finlândia, e já fungando no cangote de Israel e Dinamarca – tempos bons aqueles?

vista aérea de são pauloAndré Deak / Flickr

3 – Viver nela é muito legal? mas já pode ir embora?

São Paulo é uma cidade com milhões de atividades, grandes polos de emprego e cultura, mas, pelo jeito, não agrada a todos. Na verdade, menos da metade da população se sente completamente em viver na capital. Pesquisa realizada pelo Ibope divulgada no último dia 19, revelou que 68% dos moradores da cidade mudariam de São Paulo se pudessem. A principal causa desse desejo é a falta de segurança; 92% dos entrevistados afirmaram que não acham a cidade segura.

escada rolante de aeroportoPaula Cristina/Flickr

4 – Recebeu a primeira partida de futebol do Brasil

14 de abril de 1895, uma data histórica: pela primeira vez, uma bola de futebol rolou em solo brasileiro. A primeira partida do país aconteceu em um campo na cidade de São Paulo, na Várzea do Carmo. O São Paulo Railway, time de Charles Miller com mesmo nome da primeira estrada de ferro paulista, jogou contra a equipe da Companhia de Gás de época. Vitória dos homens dos trilhos, por 4 a 2. Os dois times eram formados por peladeiros ingleses que moravam em São Paulo.

Charles miller futebolWMiller/ Arquivo

5 – Poderia ser facilmente uma cidade japonesa

São Paulo é a 56ª maior cidade… do Japão. Moram 326 mil descendentes de japoneses em São Paulo (http://www.sp.br.emb-japan.go.jp/pt/comunidade/historico.htm), o que faz dela a cidade mais nipônica fora do arquipélago oriental. Contando a região metropolitana inteira, são meio milhão de descendentes, o que tornaria a Grande São Paulo uma “cidade japonesa” de médio porte, equivalente a Osaka e Hiroshima.

bairro da liberdadeFlickr/Vivian Farinazzo

6 – É repleta (e quase dependente) de motocicletas

Mais um pouco e o problema do trânsito estará resolvido: vai ser só jogar asfalto por cima dos congestionamentos eternos e começar tudo de novo. Em 10 anos, a frota de carros cresceu 40%, de 3,6 milhões para 5,1 milhões – sem, obviamente, que o território da cidade aumentasse em contrapartida. Resultado: com o trânsito parado, a cidade ficou ainda mais dependente dos motoboys, e os cidadãos comuns que precisam ir e voltar todos os dias do trabalho, das motocicletas. Tanto que o número de motos cresceu muito mais do que o de carros particulares: foi um aumento de mais de 130%, subindo de 365 mil em 2005 para os 833 mil que temos hoje.

motoboyFlickr/ Milton Jung

7 – Falta água ? mas não debaixo debaixo do asfalto

Apesar dos períodos de racionamento enfrentados na cidade, água doce é o que não falta. Além dos gigantes que cruzam a cidade, como o Pinheiros, Tietê e Tamanduteí, há centenas de outros rios que acabaram escondidos pelo asfalto e prédios do crescimento sem planejamento da cidade. Estima-se que há 1500 km de rios escondidos na capital. Para tentar encontrar ? e preservar ? essas nascentes e leitos, a própria população vem se movimentando. Iniciativas como a ONG Rios e Ruas e o projeto colaborativo Rios Invisíveis tentam mapear esse tesouro líquido (e secreto) da cidade.

rios invisíveis
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