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EU ESCUTO A MÚSICA QUE QUISER

EU ESCUTO A MÚSICA QUE QUISER

Será que podemos julgar tão ferozmente o gosto musical do outro?

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Aquela velha história de “gosto é gosto e não se discute” perdeu-se em algum buraco negro desde que as redes sociais viraram púlpito de opiniões diversas. Discute-se tudo, principalmente gosto.

Mas algumas discussões ultrapassam as barreiras online e viram pequenas guerrinhas mundiais em mesas de bares. O gosto musical já protagonizou longas brigas entre colegas, artistas, familiares e acreditem se quiser, já desmanchou relacionamentos. A música que você curte hoje define com quem você vai andar, fazer amizades e às vezes até transar.

Não há nada de errado em se identificar mais com um tipo ou outro através da música, afinal de contas, através dela podemos extrair infinitas compatibilidades. E é bom quando encontramos alguém que tenha tanto em comum. Ok.

Mas a parte em que eu quero me apegar nessa discussão é até onde podemos julgar o outro através do que ele escuta? E se eu gosto de diversos estilos de música e não sinto que pertenço à um só grupo? Por que eu posso ser vista como “modinha” e “sem opinião” se eu gosto de rock e de música eletrônica ao mesmo tempo? Por que não posso ter Etta James e Anitta num mesmo MP3? Por que não posso ir no show do Iron Maiden e do Justin Bieber num mesmo mês? Por que não posso saber a discografia completa do Nirvana e ao mesmo tempo saber dançar até hoje todos os passinhos do É o Tchan? Por que é legal apontar o dedo para o que o outro escuta e dizer que é ruim? Quem são esses grandes maestros soberanos julgadores da música?

Não há problema algum em só gostar de determinados estilos musicais. Mesmo. Ninguém precisa ser super eclético. O problema é quando fechamos demais as nossas ideias para o novo e passamos a enxergar apenas o que nos convencemos de que é o certo, o melhor. O problema é quando nos prendemos ali no “só o que eu gosto é bom”. Acaba virando chato, limitado demais.

Não acredito que um roqueiro só possa ouvir rock, um micareteiro só possa ouvir axé, um pagodeiro só pagode e assim por diante. Aliás, nem acredito nesses grupos de um só estilo e opinião.

É muito diferente quando você discute sobre música com alguém que realmente escuta de tudo um pouco e percebe que a pessoa tem base pra falar de fulano ou do novo álbum de ciclano. São pessoas que apesar de manterem um conhecimento vasto dos sons mais clássicos e icônicos de todos os tempos, estão também sempre antenadas às novidades, ou melhor, não julgam o próximo, apenas elegantemente dizem porque não se identificam tanto com aquela música ou com aquele artista. Não é errado ter opiniões diferentes, mas julgar sem escutar, sem ler, sem assistir, sem conhecer de alguma forma, não é opinião, é prepotência.

Particularmente, tenho a música como companhia de ocasiões. Para cada humor, para cada mood eu tenho vontade de escutar um determinado tipo de som. E querem saber de uma coisa? Minha vida passou a ser mais divertida e mais leve desde que eu ultrapassei algumas barreiras pessoais pra ouvir bandas e estilos que nunca havia escutado na vida. Fiz amizades interessantes, frequentei lugares curiosos e mesmo quando me desagradou, a experiência valeu a pena.

Mas a pergunta principal e que move fronteiras é: Por quê as pessoas se incomodam tanto com o outro?

Me deixe escutar a música que eu quiser!

 

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