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FRIAMENTE SAUDADE

FRIAMENTE SAUDADE

(obvious)

por Fernanda PRAA Fer Perl

Pequena reflexão acerca das nossas saudades.
Existe saudade da pessoa em si ou do que ela representa para nós?

Quando alguém diz que sente saudades de você, talvez, essa pessoa esteja sentindo falta do que você representa para ela. Do que significa sua presença no vasto espaço de sua história. Mas, nem sempre a pessoa de quem se sente saudades é, realmente, você hoje. Poucos estão próximos de quem somos.

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Muitos têm imagens formadas do objeto. Imagens, muitas vezes, difusas, embaçadas, apagadas. Poucos são os que enxergam sua verdadeira cor, forma, deformidades que completam o que o objeto é. Assim também acontece com a imagem que cada um tem de nós. Quando não correspondemos mais às expectativas dos que não nos conhecem, mas apenas se adaptam a nós, é como se deixássemos de ser nós mesmos para eles. Como aquele objeto que perde seu sentido quando deixa de funcionar. Funcionar, nesse caso, significa responder aos anseios alheios. Ser sorriso, ouvido, colo, consolo, palavra, remédio, companhia. Ou apenas, com nossa presença, fazer o outro se sentir útil, capaz ou superior.

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Nesse sentido, somos “necessários”, para que exista o outro lado, internamente, no alheio. A partir do momento que conseguimos enxergar alguém como uma pessoa inteira, conseguimos entender que ela não existe para responder aos nossos anseios, mas para viver sua própria vida e existência. Não é obrigação sua viver para nós, mas para si mesma. Ela precisa ser feliz para si. Amar sua vida. Descobrir-se. Apaixonar-se. Responder as suas próprias perspectivas. Para, só daí, poder responder às perspectivas de alguém, atutenticamente.

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A liberdade que isso causa é a de se descobrir por inteiro e descobrir o outro também. Como um pássaro que entende que, mesmo sabendo voar, pode tocar o chão de vez em quando, quando quiser.

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O medo de nos perder do outro de alguma forma, muitas vezes, é responsável por nos fazer vestir máscaras. Vamos nos confundindo de tal forma com nossas várias faces, que chegamos ao ponto de não nos reconhecermos mais. E as forças para retirar as camadas construídas nem sempre são suficientes. O que não se percebe, porém, é que quanto mais nos afastamos de nós mesmos, mais vivemos relacionamentos fantasiosos. Nos quais o outro não passa a conhecer quem realmente somos, mas, o que demonstramos ser. E há o outro lado, também: cada um vai se construindo à medida de suas experiências.

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Isso também confunde quem gostaria de saber de nós aquilo que o faria nos sentir como somos. E o fato de nos apresentarmos como somos, sinceramente, que nos faz perceber olhares sinceros, gestos verdadeiros, palavras genuínas, mas tudo o que não é isso, também. E a saudade passa a ser real, autêntica, quando entendemos que o outro tem um lugar em nós, mas somos nós quem temos de alcançar seu significado e não ele a obrigação de nos completar.

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Cada um é um mundo. Quem se aventura a desbravá-lo tem de ter consciência de que se trata de um trabalho árduo. De que as mudanças fazem parte. Especialmente para aqueles que convivem à distância. Mas, as amizades e relacionamentos verdadeiros só se constroem assim. Do contrário, a qualquer vento, voam e se espalham pelo ar.

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