OS 8 FILMES QUE REDIMIRAM OS SUPER-HERÓIS NO CINEMA CONTEMPORÂNEO

OS 8 FILMES QUE REDIMIRAM OS SUPER-HERÓIS NO CINEMA CONTEMPORÂNEO

Após o fiasco do filme Batman e Robin de 1997, tudo parecia perdido para os super-heróis dos quadrinhos no universo da Sétima Arte. Foi então que uma sequência avassaladora de películas baseadas nos heróis de papel mostrou que filmes baseados em HQs podiam ser coisa de gente grande. Vamos conhecer os 8 filmes que elevaram o status dos heróis coloridos ao patamar das atuais franquias bilionárias de Hollywood.

Hoje, filmes de super-heróis baseados em quadrinhos geram produções cinematográficas de alto orçamento com bilheterias bilionárias. Entretanto, nem sempre foi assim. Adaptações de HQs, em quatro décadas, tiveram altos e baixos. Sem dúvida, o primeiro blockbuster de super-herói foi “Superman” (1978). O estrondoso sucesso deu início à era moderna dos heróis no cinema. Porém, ao longo dos anos “80”, o aspecto cada vez mais caricato dos filmes do Homem de Aço o lançou num limbo de 19 anos.

Somente em 1989, com “Batman” de Tim Burton, filmes inspirados em super-heróis voltariam a ter relevância. O clima sombrio resgatou o Homem Morcego do cartunesco seriado dos anos “60”. Assim teve início uma franquia milionária, que rendeu três continuações. Isso até 1997, quando foi lançada a derradeira pá de cal nos filmes de super-heróis: “Batman e Robin”. Apesar de alcançar o topo da bilheteria no fim de semana de estreia, a película foi perdendo espaço gradativamente com repercussão negativa de público e de crítica. A estética carnavalesca e os “bat-mamilos” decididamente extrapolaram as fronteiras do mau gosto.

A Marvel também não colaborou, “Capitão América” (1990) e “Nick Fury: Agente da Shield” (1998) foram direto para a prateleira das locadoras. “O Quarteto Fantástico” (1994) teve uma produção tão sofrível que foi vetado para distribuição. E quando tudo parecia perdido para os heróis de colante, uma sequência arrebatadora de filmes lançaria aqueles párias da Nona Arte aos píncaros da glória. Vamos conhecer os 8 filmes que pavimentaram o caminho para as super-produções baseadas em quadrinhos dos dias atuais. O início de tudo veio de onde menos se esperava…

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1. Blade (1998)

Nos anos “70”, a Marvel Comics possuía uma linha de revistas do gênero terror. A HQ “Tomb of Dracula” mostrava as aventuras do vampiro da obra-prima de Bram Stoker. Blade era um coadjuvante nas histórias do temido Conde da Transilvânia. Criado por Marv Wolfman e Gene Colan em 1973, sua primeira aparição nos quadrinhos se deu no número 10 da revista do Drácula.

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Quem poderia imaginar que, da ressaca dos filmes do Batman, surgiria o filme que iniciaria a redenção dos super-heróis no cinema? A película despretensiosa e baseada num obscuro herói de quadrinhos da década retrasada resultou num inesperado sucesso. Wesley Snipes nasceu para interpretar o anti-herói. Carismático e transbordando habilidade nas cenas de luta, o ator conferiu dignidade a um personagem que poderia virar uma caricatura na telona. O filme rendeu ainda duas continuações (Blade II – 2002; Blade: Trinity – 2004) e uma série de TV em 2006 (que não sobreviveu à primeira temporada). Apesar da recepção morna do terceiro filme, Blade forma uma trilogia consistente e muitos fãs ainda torcem pela volta do Caçador de Vampiros ao cinema.

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2. Matrix (1999)

“Matrix” pode não parecer um filme de super-heróis. Entretanto, a mitologia proveniente das HQs estava presente. Para convencer os executivos da Warner a bancarem o projeto, os diretores Andy e Larry Wachowski contrataram dois renomados artistas, Steve Skroce e Geof Darrow, para elaborar os storyboards do filme. Cada cena foi concebida e ilustrada pelo nanquim dos fabulosos desenhistas.

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Agora, o super-herói moderno trocava o colante colorido pelo couro, as capas viraram sobretudos e as máscaras, óculos escuros. Matrix misturou num caldeirão só: Filosofia, Literatura, Budismo, Ficção Científica, Kung Fu e Faroeste. Tudo num contexto pós-apocalíptico com humanos escravizados pelas máquinas. Sem falar no “Bullet Time”, efeito especial que revolucionaria as cenas de ação para sempre. O filme abriu as portas para a nova linguagem de ação do século XXI. Na cena final, o protagonista Neo, herói digital da nova tendência cyberpunk, sai de uma cabine telefônica e alça vôo aos céus. Nem Clark Kent faria melhor…

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3. X-Men o Filme (2000)

Com o fenômeno Blade, veio o sinal verde para novas produções baseadas em quadrinhos. Se um personagem secundário e desconhecido podia lucrar nas bilheterias, por que não partir para as elites? No mercado norte-americano de quadrinhos, os X-Men dividiam o top de vendas da Marvel com o Homem-Aranha. O adorado desenho animado dos anos “90” também ajudou a tornar os mutantes a escolha perfeita para estrelar uma adaptação cinematográfica. O diretor Bryan Singer, fã confesso de super-heróis, moldou um filme fiel à fonte, encontrando o tom certo entre ação, comédia e conflitos sociais. O embate ideológico entre o Professor X e Magneto ganhou contornos claramente inspirados na rivalidade entre Martin Luther King e Malcolm X (tônica já adotada nas HQs). Seguindo a estética inaugurada por “Matrix”, os uniformes coloridos foram substituídos por trajes de couro preto.

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Assim, os X-Men viraram uma franquia bilionária, gerando cinco continuações, três filmes derivados (com Wolverine e Deadpool) e mais duas séries de TV (em desenvolvimento). O hype nos cinemas se fez sentir nos quadrinhos. Em 2001, o escritor escocês Grant Morrison assumiu a revista “New X-Men”, que revitalizou os mutantes para as novas gerações. Seguindo a moda dos filmes, os trajes colantes foram trocados por uniformes funcionais de couro. O visual “gangue de motoqueiros” durou quase meia década, até que as roupas coloridas foram resgatadas por Joss Whedon em 2004 (que adaptaria Vingadores para o cinema oito anos depois).

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4. Homem-Aranha (2002)

A reação em cadeia iniciada com Blade e X-Men abriu as portas para o carro-chefe da Marvel. Desde a Era de Prata dos quadrinhos na década de “60”, Homem-Aranha se tornou de longe o herói de destaque da editora. O apelo popular do jovem nerd que se torna o intrépido aracnídeo ganhou âmbito mundial. Entretanto, o maior herói da Marvel nunca havia recebido uma representação live action digna. Tirando dois telefilmes de gosto duvidoso nos anos “70” e uma série de TV fracassada, a melhor coisa produzida do Aranha fora das HQs foram desenhos animados. Após uma peleja judicial que durou uma década, o “Amigão da Vizinhança” finalmente encontraria o caminho do estrelato. E foi o que aconteceu em 2002 nas mãos do competente diretor Sam Raimi. Mantendo-se fiel às HQs, “Homem-Aranha” arrebatou as bilheterias dos EUA (onde se tornou a maior bilheteria do ano) e do mundo. Com a vitória do “Teioso” ficou claro que agora filmes de super-heróis eram coisa de gente grande.

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5. Estrada para Perdição (2002)

“Estrada para Perdição” definitivamente não era sobre super-heróis. No entanto, muita gente não sabe que a película foi adaptada da HQ de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner. A história envolvia mafiosos na Chicago dos anos “30”, um pai e um filho foragidos em busca de vingança e era inspirado em pérolas como o mangá “Lobo Solitário” e “O Poderoso Chefão”. Além disso, a adaptação gerou um filme produzido por Steven Spielberg, dirigido por Sam Mendes e estrelado por Tom Hanks e Paul Newman, o que fez do filme um estado da arte em linguagem cinematográfica. A produção mostrou que películas baseadas em HQs podiam alcançar alto nível de reconhecimento. O filme foi indicado a seis Oscar’s, vencendo o de Melhor Fotografia, ganhou dois BAFTA’S e foi eleito pela revista “Empire” como a sexta melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos.

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6. Batman Begins (2005)

Em 2005, coube ao diretor britânico Christopher Nolan promover o reboot do Batman nos cinemas. Foi sem dúvida uma tarefa árdua. Era preciso limar do imaginário popular toda psicodelia e alegorias carnavalescas que povoaram as adaptações pregressas do Homem Morcego. Partindo de ótimas referências nos quadrinhos como “Batman: Ano Um” de Frank Miller, Nolan reformulou a origem do Morcego mostrando toda peregrinação de Bruce Wayne pela Ásia antes de abraçar o manto do Batman. Numa abordagem realista, enfatizando toda operacionalidade dos famosos gadgets, fomos reapresentados ao universo de Gotham City, sempre assolada pelo crime. O Comissário Gordon, ainda um tenente das ruas, se tornou figura proativa e parceiro indispensável do mascarado. Tivemos um vislumbre detalhado da infância de Bruce, sentindo com ele a dor de quem perdeu cedo um pai carinhoso. Mas a despeito do imenso sucesso de “Batman Begins”, seu verdadeiro valor se mostraria a seguir…

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7. Batman o Cavaleiro das Trevas (2008)

A bem-vinda ressurreição de Batman nos cinemas levou a uma esperada continuação. A surpresa veio com o arrebatamento provocado pelo filme. Uma trama complexa, sequências de ação de alta octanagem e uma interpretação visceral de Heath Ledger deixaram plateias bestificadas no mundo todo. Isso impactou positivamente nas bilheterias e a película alcançou a impressionante marca de um bilhão de dólares. As cifras atiçaram de vez a cobiça dos estúdios. Estava aberta a temporada de caça a personagens de quadrinhos com potencial para novas franquias.

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8. Homem de Ferro (2008)

Depois de anos amargando produções fracassadas, a Marvel decidiu que era hora de partir para o tudo ou nada. Não era possível colher os louros de seus maiores medalhões, pois o Homem-Aranha pertencia à Sony e os X-Men estavam com a Fox (direitos autorais vendidos nos anos “90” para superar a falência). Com isso, a opção era explorar os heróis do segundo escalão, menos conhecidos do grande público. Foi assim que surgiu o Marvel Studios com a estreia de “Homem de Ferro” (2008). Robert Downey Jr. renascido das cinzas era Tony Stark e Jon Favreau (mais conhecido pelas comédias) assumiu a direção. Era uma aposta alta, mas que deu muito certo. Plateias do mundo todo foram fisgadas pela cena pós-créditos, onde Nick Fury anunciava a Iniciativa Vingadores. Tinha início o Universo Cinemático da Marvel. Uma franquia bilionária de produções multimídia interligadas.

Pois bem, esta é uma história que ainda está sendo contada, com outros estúdios entrando na corrida para fundar novas mega-franquias. Apesar de algumas vozes pessimistas anunciarem o esgotamento dos filmes de super-heróis, parece que estamos longe de presenciar o ocaso dessas produções. Vida longa aos heróis no cinema!

 

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