AME SENTIR

AME SENTIR

“Eu comecei a acreditar que o mundo inteiro é um enigma, um enigma inofensivo que se torna terrível pela nossa própria tentativa furiosa em interpretá-lo como se ele tivesse uma verdade secreta.” Umberto Eco

k.jpgNothing Personal (2009) – Dir. Urszula Antoniak

Por que estamos aqui? Quanto mais penso nos conceitos e desdobramentos ativos e emocionais que isso significa, mais sentir surge. A vida dura o tempo de uma canção. Projetamos a ideia de ela ser extensa quando na verdade é breve, uma pequena valsa estruturada de paixões. E como imaginamos, após tantos caminhos percorridos, como será o último suspiro? Estaremos felizes? Realizados?

É exaustivo conceber expectativas. Mas somos instruídos desde pequenos a correspondê-las. Não adianta dizer que não ligamos ou que nada disso importa. Seria tão fácil conviver sob esse desprendimento social, mas viver uma vida requer dançar no ritmo, ainda que, para muitos, a coreografia seja mero detalhe. Será exigir demais quebrar o ciclo e construir em detalhes a própria poesia rítmica do destino? Esquecer o acaso supostamente aleatório?

No fechar dos olhos tudo parece possível. Você escuta a melodia, leva às mãos sinuosamente pelo ar, buscando paz, encontro, amor. Escolher num único instante dar-se por inteiro, torridamente como quem beija outros lábios na despedida, mas que no fundo, espera ser um até logo. Por que estamos aqui? Qual o sentido?

Comprar coisas, pagar contas, trabalhar, estudar, circular pela cidade, conhecer pessoas. Processos naturais inerentes a todos nós, mas por quê? Consumimos tempo e não aproveitamos. Reclamamos da sua pouca duração. É triste, mas toda música chega ao seu fim. Diante disso, especulamos sobre um futuro glorioso que pode ou não chegar. Vivemos no efêmero de enfermidades. Sem platéia. Apenas nós.

Saudades. Sentimos. Daquilo já vivido e dos segundos que ainda estão por vir. Nos corações sobram sentires, mas quantas vezes os permitimos? Não há sentido. Não há resposta definitiva e tampouco um consenso universal do motivo de aqui estarmos, porque, diluídos pela procura de respostas, tateamos o ar para encontrar algo que não pode ser visto. Escute o silêncio. A música está tocando. Ame sentir.

 

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