Comportamento

LIBERDADE À BELEZA FEMININA SEM PADRÕES

LIBERDADE À BELEZA FEMININA SEM PADRÕES

Pois ser livre é também o direito de ser quem você é, independente das concepções e pressões sociais

dove-advertising-real-beauty.jpg Imagem da campanha “Real Beauty”, da Dove

Da preferência à gordura na antiguidade à valorização da magreza na última década, padrões de beleza sofrem alterações de acordo com as mudanças contextuais e culturais de cada sociedade, o que veio a se transformar em mais do que simplesmente se encaixar ou não em um deles, mas sim em um jogo para obtenção de prestígio e sucesso. A perspectiva das relações sociais molda a forma de ver e conviver com o corpo, que se tornou um dos responsáveis pela mediação entre lugar social e indivíduo.

Os padrões de beleza são reflexos de uma ideia socialmente enraizada; uma construção social e cultural que vem ocorrendo desde os primórdios, muda conforme a passagem de tempo e varia de cultura para cultura.

Se moldar conforme o padrão transformou-se numa busca incessante por um determinado tipo de beleza. Atingir a este padrão, elevado num pedestal, é impossível, principalmente levando em conta que o disseminado pela mídia é principalmente mulheres altas, magras, brancas, de olhos claros e cabelos lisos; e claro, sempre retocadas por programas de edição.

Os padrões de beleza atuais têm grande impacto na vida cotidiana de toda a população feminina: o descontentamento com a aparência e a preocupação com a maneira de como são enxergadas se tornaram assuntos ordinários.

Mulheres procuram se adaptar a uma realidade distante das suas respectivas para serem aceitas socialmente e evitar sofrerem algum tipo de exclusão ou recriminação por estarem fora do “ideal”. E durante as transformações que se impõem nada permanece o mesmo, tudo precisa ser “melhorado”. A única constante é a frustração que sentem por serem pressionadas por si mesmas e pela sociedade a seguir às tendências e nunca alcança-la completamente.

O conceito de beleza e a busca pela adequação aos moldes contaminam os segmentos sociais. Os meios de comunicação, produzem os sentidos e propagam estereótipos de forma escandalosa.

Somos bombardeados por imagens, produtos e informações. Consumidoras enxergam apenas o corpo, pele, cabelos e estilo de vida que gostariam de ter, e pelos quais se submetem a tratamentos de estética, intervenções cirúrgicas, dietas perigosas, etc.

A tríade beleza-juventude-saúde estampa outdoors, revistas, redes sociais, entre outros incontáveis meios. Os produtos oferecidos estão atrelados à possibilidade de perfeição, sem estrias ou outras marcas, peles lisas e sem sinais de idade, cabelos sedosos e da tonalidade do momento, e à possibilidade de ascensão social, realização pessoal, felicidade e sedução.

Uma vez que as imagens de uma campanha publicitária, por exemplo, são lançadas, não há mais controle sobre a sua interpretação, caindo na subjetividade de cada olhar. A beleza feminina disseminada é então relacionada a questões morais, como feminilidade, delicadeza, poder, caráter, poder aquisitivo, e de sentimentos, como a autoestima.

A mídia feita deste modo atinge a toda massa populacional de maneira homogênea, desconsiderando sua diversidade e individualidade.

No entanto, a ascensão de movimentos contra a “ditadura do corpo ideal” dentro do feminismo, caracteriza um recente e progressivo processo de reorganização social referente ao tema. Mulheres de diferentes classes sociais, etnias, tamanhos e idades se unem a favor da diversidade e da aceitação de sua beleza natural.

kelloggs.jpgImagem do especial #OwnIt”, da Kellogg’s

A população feminina vem questionando e quebrando visões estereotipadas de seus corpos; cansaram de sofrer pressão para que se encaixem nos moldes da “tirania da beleza”. Tem enxergado a superficialidade de se encaixar nas referências pregadas pela mídia em detrimento do amor próprio por seus corpos, sejam eles como for.

O elemento feminino de beleza está presente nos discursos sociais e midiáticos, mas por serem uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que as mídias influenciam e determinam o que é belo para as mulheres, também são alimentadas e refletidas por ideias arraigadas; ou seja, enquanto a sociedade mantiver a idealização de corpos perfeitos, a mídia apenas a refletirá. Enquanto o preconceito e a discriminação quanto à diversidade existirem, os padrões existirão.

Assim, na sociedade atual, com o crescente questionamento de visões estereotipadas, começam a reverberar a valorização da diversidade dos corpos femininos. Os meios deixam aos poucos de usar o tratamento de imagem ou qualquer edição, e mulheres de diferentes compleições são mostradas, ostentando com orgulho a singularidade de ser como são, independente do que já foi considerado o ideal: elas reconhecem a si mesmas no que veem, e consequentemente sentem que são livres para aceitar seus próprios “padrões de beleza”.

A sociedade, até então alienada aos conceitos de corpo ideal, têm aberto os olhos e, aos poucos, está percebendo que a visão que temos é deturpada, atingível apenas para uma minoria, e que agrada a quem convém.

Assim, com perspectiva otimista quanto à ascensão e concretização de um movimento social contra aos corpos, estilos de vida, classes sociais, e ideais propagados como adequados, é previsível (e esperado) que no futuro rótulos para os corpos das mulheres, e todas as suas significâncias, não existam mais, mas sim que no seu lugar haja a ideia de que proporções corporais e conceitos como felicidade, autoestima e caráter não estão atrelados. Pois isto também é ser livre.

Vídeos de campanhas maravilhosas que inspiram milhares de mulheres (e este texto):

 

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