“FICAR PRA TITIA” É COMEÇO, NÃO DESFECHO

“FICAR PRA TITIA” É COMEÇO, NÃO DESFECHO

Ser tia é uma atribuição fraterna e de ternura, é ação real e titular. Estar solteira neste período torna-se motivo para as pessoas acharem que a mulher está no fim da vida, quando ocorre justamente o contrário. “Ficar pra titia” é ter infinitas chances de viver um amor genuíno, é carregar aprendizados e ter sua vida transformada, com a verdadeira consciência de que o senso comum não é páreo para uma mulher que encara e completa este termo como ela bem quiser.

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Os anos passaram e você ficou pra titia! Mas que grande alegria é poder vivenciar esse momento especial, ser tia é amar como mãe, mimar como avó e brincar como amiga. É querer proteger, cuidar de alguém que foi capaz de transformar sua vida no melhor do que poderia ser.

Na surpresa da notícia de uma gravidez não pessoal, mas inteiramente particular, tudo passou a ser vivenciado de uma forma totalmente especial e diferente, com muitos preparativos e ansiedade. Muitos planos para aquele pequeno ser que já era envolto por afeto e expectativas. O olhar de tia de repente se torna apurado, nenhuma criança passa despercebida, nem os brinquedos ou roupas, tudo possui um sentido maior, há realmente um encanto na espera e na alegria da representatividade de ser tia.

Porém, é também uma responsabilidade um tanto complexa, pois às vezes, a figura de autoridade pode ser confundida e por não ser uma mãe, propriamente dita, é difícil fazer com que os pais e a própria criança aceite suas imposições. Em momentos assim, é necessário um diálogo verdadeiro para que as partes reconheçam a importância que as tias possuem no processo educativo de seus sobrinhos. A presença de familiares fora do núcleo (pai, mãe e irmãos) é fundamental para o desenvolvimento infantil, a criança desta maneira, construirá uma rede de apoio e segurança maior e mais forte. Tão é necessário que frequentemente muitas professoras, (querendo ou não) são chamadas de tias, como um meio de resgate dessa vinculação, é uma maneira saudosa de suporte. É possível ver situações assim logo na iniciação escolar, onde as crianças possuem certa dificuldade de separação dos pais, deste modo, as escolas “autorizam” o termo como forma de ambientá-las, fazendo alusão ao ambiente familiar acolhedor.

No popular, a expressão “ficar pra titia” é tratada como algo desprezível, como se essa fosse uma condição terrível para as mulheres, que precisam casar e ter filhos antes de seus irmãos, irmãs ou amigas, como se isso fosse indispensável e de extrema urgência. Entretanto, essa “competição” não é saudável, não vale aceitar qualquer papel de esposa e mãe apenas para uma aceitação social e cultural. É como se ser tia fosse o fim da vida, o desfecho infeliz de uma história incompleta, porém cômica, geralmente as pessoas comentam sobre isso com um riso amarelado, lamentando a sua sina. Convenhamos que este termo é um tanto pejorativo, as mulheres não querem aceitar este título. Entretanto, tornar-se tia é uma experiência riquíssima, uma benção, é um aprendizado delicioso, com descobertas que podem ser levadas para um possível futuro com uma formação familiar própria. Quando converge de estar solteira neste momento, a ideia de que o tempo está acelerado, de que é preciso encontrar um par, gera uma angústia desnecessária, pois esta pode ser só uma condição temporal, como também pode ser uma decisão consciente da mulher, e não há problema nisso se ela mesma está satisfeita, não deve ser motivo de deboche e nem de colocá-la em uma posição de inferioridade.

A vida não acaba porque você tem sobrinhos, tão pouco porque está sem companhia amorosa, pelo contrário, seus motivos para viver aumentaram, pois há o desejo fervoroso de acompanhar o crescimento dessas crianças que são receptores de amor exalado por você. O ficar pra titia não deve ser mais encarado como uma situação de tormento, mas de possibilidades, pois basta que você reconheça que não precisa ser moldada pela sociedade, e que é possível completar esta expressão com as palavras que você desejar, como na sua própria vida, excluindo ou somando companhias, a história se reescreve, literalmente, a cada nascimento.

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