Cinema

CUIDAR DE SI PARA CUIDAR DO OUTRO

CUIDAR DE SI PARA CUIDAR DO OUTRO

O conceito de família merece ser revisitado e alguns filmes nos ajudam a rever de forma mais contundente. “Sentimentos que curam” faz isso de maneira gentil e sensível, incluindo um tema também complexo que é o transtorno bipolar. Como cuidar do outro quando é tão difícil cuidar de si? Talvez seja esse o maior ato de amor: cuidar de si para assim cuidar do outro.

O filme “Sentimentos que curam” (2015) da diretora Maya Forbes, traz Mark Ruffalo e Zoe Saldanha no elenco. Narra da história de um homem com transtorno maníaco-depressivo, mais conhecido como transtorno bipolar, que se envolve um mulher e tem duas filhas. Os colapsos nervosos dele faz com que eles deixem de morar juntos. O filme é ambientado no final dos anos 70, e em meio a crise, ela resolve tentar fazer carreira em outra cidade, New York, deixando ele tomando conta das duas filhas. Ele deixa o hospital psiquiátrico e vai cuidar das filhas com a condição de tomar os remédios. Ele, então, passa ter que dar conta da doença e das duas filhas.

O filme vai conduzindo a varias reflexões: saúde mental, diferenças sociais entre pretos e brancos na sociedade, conceito de família. É sobre esse último que pretendo dialogar. A narrativa mostra um pai com uma doença mental, mas comprometido no cuidado e amor com as filhas (ambas meninas e pequenas). Se para ele já é complexo cuidar de si mesmo, imagina dar conta de duas meninas, quem é mãe ou pai sabe o quão enlouquecedor é, ás vezes, cuidar das crianças.

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O modelo tradicional de família não está errado, apenas não consegue mais dar conta sozinho, em nosso tempo das variações que temos hoje para criar os filhos. Há grupos familiares formados por casais separados, por casais homoafetivos, mulheres abandonadas, homens abandonados, avós/avôs que criam os netos, mulheres e homens que adotam e todos eles são tão famílias quanto a tradicional. Ver as cenas do filme me levou a questionar como aquele pai com o transtorno maníaco-depressivo conseguia cuidar e amar suas filhas de forma tão bela e para mim era tão família ou mais do que muitos pais, sem qualquer disfunção abandonam seus filhos, sem nenhuma explicação consciente.

O conceito de família que, talvez melhor dê conta seja: ” o lugar aonde existe amor, cumplicidade, solidariedade, ajuda mútua, diálogo, onde todos podem expressar sentimentos e opiniões e o conhecimento pode ser compartilhado. Há uma cena em que ele diz para as filhas que elas nunca deixassem de ter amigos ou de se expressarem por causa da doença dele: “Como vivem não é sua culpa. Não se privem de amigos por minha culpa”. É claro que os sentimentos não são suficientes para curar um transtorno bipolar, é preciso tratamento tanto de medicação quando de outras terapias. O que estou buscando refletir aqui é que há outros modelos de família que emergem em meio ao caos. A casa deles por exemplo é completamente bagunçada. ele não consegue jogar nada fora, se veste de forma diferente, fuma compulsivamente, tem dificuldade com o auto-cuidado ás vezes. No entanto, numa das cenas mais lindas, você descobre que ele é impecável no cuidado com as filhas (no que é possível a ele) e só quer para elas, o melhor da vida. Existe amor maior do que esse?

O bom do papai é que ele está sempre presente.” (Faith, filha do personagem principal do filme)

Link para o trailer do filme: https://youtu.be/X9Ew_Ple49U

 

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