O DIA EM QUE DESCOBRIMOS QUE NÃO SABEMOS QUEM SOMOS

O DIA EM QUE DESCOBRIMOS QUE NÃO SABEMOS QUEM SOMOS

Nós não sabemos. Do mundo. Do outro. De nós mesmos. Somos feitos desse querer saber de todos os dias; somos alimentados por essa ignorância intrínseca.

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Forte, duro, profundo, intenso. É doloroso o baque de lidar com um engano. Um corte rápido de dentro para fora; uma leve imprecisão na ferida que se abre e de onde jorra sangue ao se deparar com uma parte de si que já não sabe. Sufoca. Atinge-nos além do que podíamos supor a descoberta de que não, não era. Nunca foi.

O dia em que eu descobri que não sabia quem eu era talvez tenha sido o primeiro dos restantes em que eu alcancei, em mim, a maior altura da qual pude sentir medo. O voo mais alto; a queda. Livre.

Antes, respirava todos os dias o ar que sempre soube que podia inspirar e inflava-me de orgulho por poder sentir cada parte de mim recebendo um pouquinho do mundo. Via a mim mesma como um jogo – daqueles de montar – onde cada peça é fundamental e ao mesmo tempo tão frágil que torna-se impossível terminá-lo antes que todas elas se quebrem. Sentia o mundo com o coração dos outros, dos quais me apossava sem permissão: usava, quebrava, consertava, amava e arrumava outro que se fazia caber no peito.

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O dia em que achei que sabia quem eu era foi o melhor e o mais longo. Repetiu-se por mais tantos dias que durou anos. E acabou. Todos temos o prazer dessa sensação, ao menos uma vez – o de saber, de compreender, de se fazer ser entendido por si mesmo. Sentimo-nos, enfim, livres para escolher qualquer caminho e tomar qualquer decisão até a chegada do dia mais verdadeiramente nebuloso do qual estamos, sempre, sujeitos: aquele em que nos damos conta que não sabemos. E dói. Aperta. Corrói.

Dai em diante, o encontro com a própria ignorância mostra os vacilos, os erros e as emoções que nos moldam. Fere o orgulho. Liberta. Em mim, causou confusão em todos os corações os quais eu abrigava e revelou um olhar encantador sobre mim mesma: o poder de me reinventar.

O dia em que descobri que não sabia quem eu era foi também o dia que me dei conta de que podia, enfim, ser quem eu sou. Mesmo sem nenhuma preocupação em saber exatamente o que forma esse ser. A partir daí – e hoje já não importa o que me levou a esse dia, eu já não me lembro mais – eu descobri o que é se conhecer, todos os dias. Ser outros e outras. Ser outros ares, outros olhares, outros sentir. Não precisar do mundo para sê-lo ou a ele pertencer e aceitar as dores e as incompreensões sem que a vida se torne mágoa a cada novo mistério que se propõe.

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Nós não sabemos. Do mundo. Do outro. De nós mesmos. Somos feitos desse querer saber de todos os dias; somos alimentados por essa ignorância intrínseca. O dia em que eu descobri que não sabia quem eu era foi o dia em que me enxerguei da forma mais pura. Fui além de mim.

Admito: hoje já não sei mais quem sou e todos os dias sei mais de mim mesma.

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Autor: fcrissilva

"Eu sou o tudo. Eu sou o Nada. Sou os livros que li, os momentos que passei, eu sou os brinquedos que brinquei, e os amigos que conquistei. Sou o amor que dei, e os amores que tive, as viagens que fiz, e os esportes que pratiquei. Sou minha matéria preferida, minha comida predileta, essa sou eu...eu mesma, será que vais entender? Sou o ódio resguardado, sou os sonhos realizados, os objetivos alcançados. Eu sou o meu interior, mas tambem meu exterior. Sou um conjuntos de fatores que você não pode entender. Sou a saudade, os abraços que já dei, eu sou o passado, mas também o presente e o futuro, sou os meus atos. Sou o perfeito, Mas também sou o imperfeito. Sou o contraste e a contradição. Sou a complexidade do mundo. SOU O QUE NINGUEM VÊ."

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