O QUE É REALMENTE CRIAR UM FILHO PARA O MUNDO

O QUE É REALMENTE CRIAR UM FILHO PARA O MUNDO

Educar para o mundo é saber que serão eles os cidadãos que vão transformar nossa sociedade. Seja no Brasil, seja mundo afora, que estejam preparados para a tarefa com ética, competência e responsabilidade. Com esse enfoque e consciência, nosso papel assume uma proporção que transcende a simples criação dos filhos para tornar-se o compromisso de lhes oferecer as melhores oportunidades de crescimento e felicidade.

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Cada vez mais observamos que a geração atual, entre os 30 e 40 anos, está com dificuldades para se tornar autônoma. Muitos atrasam a entrada no mercado de trabalho, outros ainda vivem na casa dos pais, grande parte não tem independência financeira e mesmo com estudo superior permanecem no subemprego. Muitos pais que poderiam descansar e curtir a aposentadoria deparam-se com a necessidade de ainda de sustentar filhos adultos, às vezes até os netos.

Mas o que, além de dificuldades momentâneas dos filhos, os fazem permanecer à sombra dos pais e não ambicionarem a independência pela qual a geração anterior tanto lutou? Faço algumas reflexões que talvez possam ajudar a criarmos filhos que busquem a autonomia profissional, financeira e emocional que os permitam alçar voos e terem uma vida promissora.

Acredito que muito dessa realidade tem origem lá atrás, na entrada da mulher no mercado de trabalho. Mais sensivelmente a partir da década de 70, o trabalho da mulher elevou o padrão de vida das famílias da classe média brasileira. Enquanto a geração anterior foi criada com uma mãe dona de casa e sem renda, com restrições orçamentárias em caso de o trabalho do pai ser mau remunerado ou em fases de desemprego, uma mãe profissional deu mais tranquilidade financeira às famílias, além de reduzir o número de filhos. A renda extra transformou-se em maior conforto e acesso a bens materiais. Filhos com mesada, uma suíte, carro aos 18 anos, viagens de férias e foco apenas nos estudos tornou a atual geração menos interessada no próprio sustento ou em ter o próprio espaço.

A mesma mãe que saiu para trabalhar fora começou a sentir-se culpada por não poder dar a seus filhos a atenção que recebeu da própria mãe. O conflito entre profissionalizar-se e cuidar da família e das tarefas de casa levou-a a compensar a culpa com presentes e condescendências. O resultado foram filhos com menos cobranças.

De forma alguma estou culpando as mães por filhos mais dependentes. Apenas registro que a transformação do papel da mulher nos últimos 40 anos pode ter influenciado na acomodação de muitos filhos. Temos que levar em conta que os pais também não estavam preparados para assumir novos papéis que hoje assumem e os problemas que existiram no passado estão sendo repensados à luz dessa experiência.

Então, diante desse quadro que muitas famílias vivem atualmente, como devemos criar nossos filhos de forma que possam desfrutar de melhores condições de vida em seus lares, ao mesmo tempo em que anseiam por uma vida adulta independente, com responsabilidade e autonomia? Como criá-los para o mundo?

Em primeiro lugar, acredito que devamos dizer muito mais Não, do que Sim. Se damos tudo de mão beijada aos filhos, se os presenteamos porque passam de ano (o que é obrigação, não opção), se achamos que fazê-los felizes é dar-lhes o que não pudemos ter, se choramos ao pensar em frustrá-los, estaremos criando seres humanos acostumados a receber sem esforço. A vida se encarregará de não premiá-los pela falta de iniciativa, pela acomodação, pelo medo de errar.

Costumo dizer que há pessoas que fazem pacto com a mediocridade. São aqueles que buscam sempre o menor esforço, o mínimo aprendizado. Cuidado se seus filhos só estudam para passar, se não se interessam por nenhum assunto, se não possuem curiosidade para aprender. Cabe a você incentivar o gosto pela cultura, pelo estudo constante, por uma visão de mundo mais ampla e aberta a todas as possibilidades de crescimento. Isso passa por conhecer a personalidade e as emoções de seus filhos, para que você possa guiá-los e encorajá-los de acordo com o temperamento de cada um.

Finalmente, a importância de ensinar responsabilidade, de acordo com a faixa etária e o grau de autonomia da criança, e da consequência das atitudes. Isso exige que os pais abandonem, gradativamente, o controle enquanto incentivam atitudes emancipadas. Quanto maior o grau de independência, maior a responsabilidade gerada.

Deu para perceber que educar filhos para o mundo é trabalhoso. Exige presença, atenção, empenho, e alto grau de discernimento. Educar para o mundo é saber que serão eles os cidadãos que vão transformar nossa sociedade. Seja no Brasil, seja mundo afora, que estejam preparados para a tarefa com ética, competência e responsabilidade. Com esse enfoque e consciência, nosso papel assume uma proporção que transcende a simples criação dos filhos para tornar-se o compromisso de lhes oferecer as melhores oportunidades de crescimento e felicidade.

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