PARA QUE NADA NOS SEPARE, QUE NADA NOS UNA…

PARA QUE NADA NOS SEPARE, QUE NADA NOS UNA…

Ao longo da vida, laços de relacionamentos amorosos são criados. Alguns bons, outros nem tanto. Mas, para algumas pessoas o que importa é o rótulo de “relacionamento sério”, mesmo que isso custe a deterioração do amor-próprio, do autocontrole emocional e do respeito.

Vivemos em tempos em que a ansiedade em encontrar alguém é tida como prioridade. Uma triste realidade onde as redes sociais exigem a postagem de fotos felizes com o rótulo de “relacionamento sério” para que os envolvidos se sintam completos.

As pessoas perderam (ou nunca souberam) o valor da própria compainha e a negociam por qualquer elogio. Não sabem o valor de uma taça de vinho, de um passeio com o cachorro ou de fazer compras para apenas um. A verdade é que estar só não consiste em apenas estar sozinho na mesa de jantar. Estar só é não ser amado por quem você escolheu dividir a vida e que, mesmo dividindo a mesma casa, não consegue compartilhar os mesmos sonhos. Vinícius, em seu “Para viver um grande amor” afirmava que solidão não era estar sozinho, mas sim, não amar: “a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.”

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É assustador o número de pessoas que se acomodam em relacionamentos vazios, sem se importar em ficar a vida inteira no mesmo lugar, sem paixão, sem emoção, sem vida. Porque o rótulo de “relacionamento sério” vale mais do que a felicidade propriamente dita: “o amor é quando começamos por nos enganar a nós próprios e acabamos por enganar a outra pessoa”- Oscar Wilde.

Não pensem que não acredito no amor, pelo contrário, acredito e muito. Mas acredito também que equilíbrio, bom senso e reciprocidade fazem parte do sentimento. Neruda, defendia essa ideia:“Se sou amado, quanto mais amado mais correspondo ao amor. Se sou esquecido, devo esquecer também… Pois amor é feito espelho: – tem que ter reflexo.”

Esqueçam os romances da sessão da tarde. Eles tem um motivo para estarem no cinema e não acontecerem na vida real. Amor acontece de repente e, muitas vezes, acontece com pessoas que não poderão ficar juntas. Terão que partir em algum momento e isso não diminui a importância do sentimento.

Viva o sentimento sem rótulos e sem receitas prontas. Ah….e deixe as fotos das redes sociais para lá, afinal, é melhor viver os melhores momentos do que escolher os melhores ângulos.

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