Cinema

CORPO, PALAVRAS E AMORES DILUÍDOS…

CORPO, PALAVRAS E AMORES DILUÍDOS…

“Eu hoje vou conter nas letras esse fluxo que não para de me levar pra longe daqui. Eu hoje vou ficar aqui quieta, enquanto frases se formam, enquanto parágrafos inteiros se fixam na tela. Alguns fogem. E eu deixo que fujam porque sei que posso recuperá-los, melhores, adiante. Não me desespero mais. Encontrei o leito por onde escoar o meu excesso.”

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A liquidez das relações humanas avança devorando a humanidade. Nada é tão sólido que possa resistir a esta voracidade, que debruça sob suas vítimas aprisionando-as numa melancólica solidão de dias vazios e sem motivos.

Por onde anda a sobriedade dos amores construídos sem cicatrizes ou dores profundas? De fato esse amor um dia existiu ou se escondeu por trás da ilusão das palavras?

Hoje, nos vemos denominados entre aqueles que se apegam as expectativas dos sentimentos alheios e aqueles que se desapegam de qualquer estabilidade. Um dilema temporal, onde o contato com o outro ganhou mediações não humanas. Entre máquinas e o calor da pele, sobrevivem fantasmas e medos persistentes.

Aí, reside “Nome Próprio” (2007). Uma reflexão cinematográfica do literário virtual. A poesia solitária que miscigena criador e criatura. Cinema brasileiro autoral e despreocupado com conquistas vãs. Cinema cult, poético e viajante. Liberdade artística para uma apreciação singular, no qual, ou se ama ou se odeia.

O filme reflete sobre as expectativas e experiências, quase sempre depressivas e destrutivas, além do eu. Sobre como construímos uma estória de vida a partir do estar com o outro, e até depender de sua opinião. Nas frustrações e tropeços de Camila Jam (Leandra Leal), enxergamos o quanto desatentos e negligentes podemos ser. Amar, de mais ou de menos, exige causas e consequências.

Caminhando para o futuro nos perdemos entre nós mesmos. Na utópica sensação de maior proximidade, nos afastamos dos sentidos reais. Aliás, por onde andará o real? O verdadeiro sabor da felicidade?

Não espere positivismo no reflexo daqueles que buscam o amor, sem aptidão para oferecê-lo. Ou, compreenda que, às vezes, as pessoas só buscam uma cura para o veneno de seus erros, do peso que é ser dono dos seus equívocos. Seria o amor a solução? O remédio para as dores humanas?

Talvez, com o incêndio das paixões e amores ,ainda que diluídos, essa chama não se extingua completamente. Mesmo no escuro haveria uma possibilidade, uma luz entre toda a desesperança vadia dos desejos da carne.

É certo que a solidão se alimenta de coisas não preenchidas. Relações anseiam por reciprocidade. Não há troca sem o que se trocar. O excesso da virtualidade não substitui a ausência do que é de verdade. Pois, a vida não se resume a meras trocas de likes.

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