Literatura

A BELA E A ADORMECIDA – UMA DESCONSTRUÇÃO DO SEXO FRÁGIL

A BELA E A ADORMECIDA – UMA DESCONSTRUÇÃO DO SEXO FRÁGIL

Uma obra delicada e surpreendente,com elementos dos contos de fadas aproveitados da melhor maneira possível. Diversos paradigmas são quebrados ao longo da história, mostrando um novo olhar sobre o feminino.

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Neil Gaiman é um dos meus escritores preferidos. Adoro Sandman, Coraline, O Oceano no Fim do Caminho, entre outras tantas obras do autor. É fascinante sua habilidade criativa, como consegue criar universos surreais e trabalhar narrativas filosóficas de um jeito único.

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A Bela e a Adormecida é um livro de 72 páginas, repleto de ilustrações super detalhistas em preto e branco com alguns pontos dourados. As ilustrações foram realizadas pelo ilustrador Chris Riddell com quem Neil Gaiman já trabalhou antes em Coraline, O livro do Cemitério e Felizmente, O Leite. Chris Riddell também escreve livros infantis como Otolina.

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Não é a primeira vez que Neil Gaiman se aventura no universo dos contos de fadas. Stardust – o mistério da estrela, foi publicado em 1998 e é repleto de magia, bruxas, donzelas em perigo e o bom moço que cria coragem para salvar sua amada.

A Bela e a Adormecida pega os desavisados (como eu!), que achavam que esta seria uma história como Stardust ou como qualquer outro conto de fada, mas o que vimos foi uma narrativa original com a criatividade típica de Neil Gaiman.

Essa obra me lembrou os contos de fadas clássicos, antes da mãozinha mágica da Disney. Pois os clássicos não possuíam finais tão felizes assim, alguns chegam a ser até assustadores, mas isso é assunto para a próxima, eu espero.

Na história trazida por Gaiman, você não sabe os nomes dos personagens, digamos que fica tudo no subentendido. Através das descrições físicas e comportamentais é que vamos descobrindo quem é quem na obra, pelo menos assim parece.

A rainha tinha nome, mas, ultimamente, as pessoas só a chamavam de Vossa Majestade. Os nomes estão em falta nessa história.

Você é tão linda – declarou sua mãe, morta há muito tempo. – Como uma rosa carmim sobre a neve caída.

De início você tem uma rainha bela, cabelos negros, branca como a neve. Essa rainha está prestes a se casar, mas diversas dúvidas permeiam a sua mente:

Ela ficou se perguntando como se sentiria na condição de esposa. Seria o fim da sua vida, concluiu, se a vida fosse um tempo de escolhas. Em uma semana não teria mais o que escolher. Reinaria sobre seu povo. Teria filhos. Talvez morresse durante o parto, talvez de velhice, ou em batalha.

Ela podia ouvir os carpinteiros no prado ao pé do castelo fazendo os bancos que permitiriam seu povo assistir ao casamento. Cada golpe de martelo soava como a batida de um coração.

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Chega aos ouvidos da rainha, a notícia de que no reino vizinho uma bruxa, feiticeira ou fada, toda malévola, toda magia, toda morte (como é caracterizada na história) teria lançado uma maldição em uma princesa no dia do seu nascimento. Quando ela completasse 18 anos, cairia em um sono eterno. E assim ocorreu, o reino de Dorimar virou um reino morto. Todos dormindo, teias em seus rostos, paisagens antes maravilhosas agora recobertas de um ar sombrio, uma floresta fechada, cheia de espinhos.

É nesse contexto que a história se desenvolve. Uma rainha descontente decide sair em busca da princesa adormecida junto com seus amigos anões e assim descobrir como quebrar essa terrível maldição.

O que parece uma história boba se revela surpreendente em vários quesitos, o final certamente é o mais interessante, mas não o revelarei, é claro! Deixo para você se deliciar com o desfecho da história!

A rainha de cabelos negros (lembre-se: os nomes não fazem parte dessa história!) se mostra cada vez mais guerreira, em momento algum sofre por não ter um príncipe para salvá-la ou ajudá-la. Deixa seu pretendente no seu reino e vai em busca da libertação da princesa, assim como da sua própria libertação. A história mostra uma mulher forte, quebrando paradigmas impostos pela Disney por tantos anos.

A parceria de Neil Gaiman com Chris Riddell foi excepcional. Gaiman usou toda sua habilidade para a escrita enquanto Riddell usou de forma esplêndida seu talento como ilustrador, simplesmente um deleite aos olhos.

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