VENHA COMO QUISER

VENHA COMO QUISER

Embora insistam em dizer o contrário, ser alguém não exige rótulos ou contratos

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Quando chegar, pode tirar os sapatos, se preferir. Não há a necessidade de mantê-los se os seus pés desejam tocar o chão. Pode chegar como é: livre e autêntica. Não precisa espremer sua alma e limitar as suas complexidades apenas para caber num papel ou num rótulo. Não precisa perder nenhum dos elementos do seu caos poético interior apenas porque alguma espécie de manual do desamor exige isso.

Chegue sabendo o que somos, mas não pense em dar um título para isso. Esses nomes acompanham um contrato ou um termo de uso. E não nos cabem mais regras. Quero que me ligue quando quiser ouvir a minha voz, e não em horários pré-estabelecidos; que apareça numa tarde de quarta-feira, se assim desejar, e não apenas no sábado à noite.

E quando preferir a netflix à balada, basta me dizer, porque é esse o plano – o único plano, na verdade: ser o mais livre possível.

Quero que as conversas se aprofundem da maneira mais sincera. Que num momento possamos falar sobre os meios para enfrentar a crise política no Brasil e que logo depois possamos dar risada a respeito daquela vez que você levou um tombo em público.

E assim, em meio a risadas e pensamentos elaborados, que nossas almas possam se conhecer como se tivessem nascido juntas.

Que eu visite seu universo tantas vezes, que não me sinta mais uma visita nele. Mas que eu também nunca me sinta como um morador, pois sei que posso precisar me retirar dele a qualquer momento – seja por sua ou por minha vontade. Além disso, reconheço no seu universo um espaço seu. Posso visitá-lo, mas jamais pensaria em tomá-lo para mim.

Que se sinta à vontade para dormir com o pijama mais engraçado – mas que você adora porque a deixa confortável. Que se sinta bem em chorar com o filme que acabamos de ver, ou em dar gargalhada daquele programa de TV que eu odeio, mas você, por algum motivo, acha genial. E que se sinta confortável em dizer que estou errado, quando assim pensar. Não sou e nem quero ser o cara que está sempre certo.

E quando eu lhe mostrar o último conto que escrevi, não se sinta um monstro ao dizer que não ficou tão bom assim ou que algum autor já fez isso – só que de maneira muito melhor – há 100 anos. Quero que esteja livre para pensar e falar; elogiar e criticar; ouvir e entender; chegar e ir embora…

Quero que você seja você e que eu possa ser eu. E quando essa liberdade for alcançada – sem rótulos e manuais de desamor – as pessoas se perguntarão: afinal, o que eles são? E eu ficarei feliz em saber que elas não encontraram uma resposta.

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