ÀS VEZES O AMOR NÃO ACONTECE MESMO

ÀS VEZES O AMOR NÃO ACONTECE MESMO

Das vezes que o amor grita dentro da gente, mas no fim acaba não nascendo.

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Muitos de nós foram ensinados, direta ou indiretamente, desde pequenos que o amor era o sentido de tudo. Raramente, quando crianças, escutamos a frase dessa forma, mas ela se materializa de maneiras mais sutis: os filmes de princesas, principalmente da Disney, mostram que aqueles que encontram o amor no final vivem “felizes para sempre”, e aqueles que falharam em destruir isso (vilões, no caso) tem um castigo digno de viver em sofrimento (ou morrer mesmo).

Nas novelas que víamos com nossos parentes mais velhos em que as personagens por quem torcíamos ficavam sempre juntos no fim, seja em casamentos, fugindo de favelas cariocas ou até indo morar juntos na índia. Nas várias e várias músicas que foram compostas em torno desse tema, carregando frases de saudade, declarações melosas, de cunho exagerado até (“eu não existo longe de você”, por exemplo) e por aí vai. Nos livros que temos que estudar e decorar, praticamente, para provas de literatura de vestibulares ou da escola, que seja, em que (à rigor) os mocinhos terminavam juntos enquanto os malvados morriam, ficavam sozinhos, etc, etc.

Tenho que dizer que eu concordo. Concordo que o amor seja realmente o fim das tristezas e o início da alegria. Que é muito difícil mesmo estar triste por causa de amor. Por causa do sentimento em si, pois as mágoas que alegamos serem motivadas pelo amor são apenas situações em que ele não está presente, mas nunca por causa dele mesmo. Amor é cura de dores que nem sabemos de onde vêm, e de cicatrizes que nunca achamos que iriam cicatrizar.

amor ainda é bom.jpg“Concordo que o amor seja realmente o fim das tristezas e o início da alegria”.

Mas e se o amor não acontecer? Para onde vai essa felicidade?

A questão é que não vivemos em mundos ideais, como em livros romantizados e filmes “água com açúcar”, então é comum que o amor não nasça quando queremos. Em alguns casos, bem trágicos, é capaz do amor nunca aparecer de fato; fica sempre escondido em inúmeros parceiros sexuais e casuais, que permanecem conosco por dois ou três meses, algo assim, e depois somem, tornando-se apenas amigos ou seguidores em redes sociais (quando não são bloqueados). Pessoas que nem sempre são más ou culpados de não serem um amor para seus parceiros. Às vezes eles até querem continuar num relacionamento, mas seus parceiros não, pelos simples fato de não serem um amor para eles. Simplesmente não são.

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Acho que nunca se está preparado para um aborto de amor. Se de fato for amor. Se não for, como quando se usa um relacionamento para alcançar méritos pessoais, esquecer antigos amores ou até mesmo pelo medo de estar “só” (solteiro), então a morte dele não é morte; é apenas um desgaste natural de algo que não tinha que durar mesmo, como um lápis que fica curto depois de inúmeras vezes sendo apontado após quebrar a ponta. Mas quando é amor de verdade, a dor pode ser demasiadamente latejada. Pode durar o tempo que for, mas vai demorar um pouco mais, pois mesmo que a ferida pare de arder, um simples toque com um pouco mais de força pode abri-la, fazendo a dor voltar novamente.

Penso que amamos pouco na vida. Amamos nossos pais, irmãos e família em geral. Amamos alguns dos nossos amigos que nos amam também. Mas o amor por outra pessoa que não seria parte de nenhum dos dois casos anteriores é, talvez, mais forte; e por ser mais forte é mais complicado, e por isso dói mais quando se perde. E perdemos esses amores em muitos casos e por motivos diversos: brigas sem sentido, distância, ressentimento, orgulho e medo. Coisas que fazem parte da vida, invariavelmente. E coisas que nem sempre têm algum culpado por trás delas; simplesmente as condições não eram boas. Não havia nada que se pudesse fazer naquele momento, mesmo que se quisesse. Simplesmente não era para acontecer mesmo, e é preciso aceitar isso. Não que seja fácil, mas é necessário.

Há muita gente que diz que a dor de terminar um grande amor é uma das maiores dores. E é uma dor enorme mesmo. Mas penso que a dor de perder um grande amor que nunca nasceu, de acabar com um amor que não teve a chance de começar é muito grande também, pois nunca se vai saber qual seria a cara, o gosto e a sensação daquele amor que nunca pudemos ter. Pode ser que nem fosse um amor, e sim só vontade de estar com aquela pessoa. Mas pode ser que se tenha perdido um amor real também. E a dúvida vira uma dor que não parece que vai passar.

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Nem tudo na nossa vida dá certo, e assim é o amor: ele tem todos os meios, caminhos, atalhos, formas e respostas para chegar até a felicidade; mas às vezes ele se perde. Às vezes ele erra a direção e se vai, vai pra longe da gente. Vai para outro lugar. E ficamos na esperança de que ele reapareça, quando, na maioria das vezes, é outro amor que chega de um lugar que nem sequer sonhávamos que ele poderia vir. Nasce de uma planta que achávamos estar morta. Vem no dia que pensávamos que não iria raiar. Aparece do nosso lado depois de um sonho que não parecia que iria terminar.

O amor às vezes morre mesmo sem nascer. Mas, mesmo assim, há vezes que ele até bate à porta quando as luzes já estão apagadas e a casa fechada. Acho que o segredo é nunca trancar a porta. Apenas deixar ela encostada.

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