O AMOR E A OUSADIA

O AMOR E A OUSADIA

Em tempos de incansáveis autoafirmações que aparecem em nosso caminho, o amor próprio ficou um pouco fora de moda. Nossos erros são pouco aceitáveis, a perfeição é o ideal sem limites. Então, que tal olhar pra dentro e amar cada curva de si? Perante esse panorama virou ousadia amar as imperfeições da estrada de nossa vida. Que tal ousar?

DSC_2979.JPGFoto: Ellen Pederçane

O amor próprio talvez seja o clichê de maior verdade em todo o século. Ele é o início e o fim, o encontro e o desencontro. Ele é o mínimo que você pode fazer por si mesmo e convenhamos, quanto você o protela? E fica aí se enganando com um ego que te aumenta ou diminui, mas satisfaz outros olhares? “Nossa, viu como ele/ela se acha?” Acha nada, meu bem! É só uma capa que o protege… do que mesmo? Talvez de se conhecer e experimentar um amor que vem das entranhas.

Sim, somos demasiado humanos, já diria Nietzsche. E por medo de dores tolas, renunciamos o prazer de amar cada curva de nossa essência. Renegamos uma segurança pura, quando buscamos aprovações sem significado, buscamos no outro a resposta que está tão aqui, tão perto, mudamos de rota para não encarar nosso caminho. De onde é que vem esse medo de perder, mesmo sabendo que só assim se ganha? O self busca nutrir-se de amor, não há nada de egoísta em ser seu número um. Afinal, quantas vezes ouvimos que só podemos partilhar do que estamos cheios? A-rá! Simples, né? Mas quantas vezes largamos isso de lado, achamos difícil em demasia? E depois choramos com as migalhas que nos seduzem pelo caminho. Queremos amor, sucesso em todas as áreas da vida, reconhecimento. Tudo isso rastejando e implorando no lugar errado, às pessoas erradas? Isso não tem chance de dar certo.

Senhoras e senhores, se deem chance. Há razão para deleitar-se em si. Sentir prazer em sua própria companhia. Confiar no que vem de dentro. Confiar no que vem pra cada um de nós. Somos um mundo de possibilidades. Infinitas, por sinal. Ouse amar. Jamais duvide que amar é das maiores ousadias. Ouse se amar. Todo mundo gosta de beleza de gente que transborda, que emana a luz que encontrou em meio a própria escuridão.

Quem diria que em pleno século XXI essa “breguice” de amor continuaria tão em alta. Esse clichê de auto-ajuda, mas conte-me, conhece alguém que possa lhe ajudar mais que você mesmo? Ouso duvidar. Meu caro, não se dá direção há quem não quer enxergar o caminho. A estrada é só e a solidão tão grande companheira. Pergunte a um amante da verdade o quanto é bom estar só? Talvez não haja palavras exatas para responder tal pergunta.

Não é receita de bolo, mas saiba que esse envolvimento adoça e colore a vida. Não busque ao seu lado o que reflete em seu espelho: lá você pode ver a olhos nus tudo o que precisa. Não se acanhe em ser sua melhor companhia, todo mundo gosta de desvendar mistérios. Não se acanhe a se encher de amor, todo mundo gosta de corações cheios. Não se acanhe em declarar-te o que pensas, todo mundo gosta de segurança.

Que seja clichê, que seja ousadia! Que seja nossa escolha ser sempre a melhor versão de si. Seja brilho, seja coragem! A vida é de quem se permite e pouco se importa com os rótulos da estrada. Ame-se e veja sabedoria em cada pedra tropeçada. Como já disse, e agora repito, não é receita de bolo. Mas é o caminho mais lindo que podes trilhar. Ouse amar. Ouse se amar.

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