QUANDO SÓ RESTA MUDAR

QUANDO SÓ RESTA MUDAR

Se os ventos da mudança começaram a soprar, é porque não se pode conter nem brisas, nem vendavais. O que há para ser feito é deixar as barreiras tombarem e seguir adiante, deixando os restos para trás.

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Mudar é preciso, pois viver não é nunca e nem para sempre.

O café esfria e alguns beijos também. E já não há mais sentido em dividir a cama e as manhãs. Mudar é imprescindível, mesmo que aos pequenos goles.

A casa encolhe e deixa de abrigar tantos planos, brinquedos e risos. Mudar é real, mesmo que sem endereço definido.

As roupas não servem mais, nem sob a promessa mais adulterada. Ficam justas ou ficam frouxas, isso oprime ou abandona, sufoca ou rejeita. Mudar é atual, vestindo-se por dentro.

Os livros na estante não precisam seguir a mesma ordenação: por ano, título, autor. Eles pedem algo de liberdade para ir e vir. Mudar é vital, quase literal.

A língua pede novos sabores. Porque conhece o doce, o amargo, a acidez. Tudo o que quer, por vezes, é arder como fogo. Mudar é chama, queima feito saudade.

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E o ofício também enfastia se o pensamento não flui, não vaza, não dispersa. Quem cria deixa a alma renascer; quem se fecha, padece. Desaparece. Mudar é inadiável, para que o espelho reflita a imagem: reconhecida.

O calendário segue, o programa do final de semana, do mês que vem, do ano próximo. Tudo vai em sucessão e o tempo escoa. Notável seria se o amanhã fosse hoje, se o ontem fosse apenas uma ligeira cócega na mente e o hoje fosse transformador. Mudar é épico, de um dever atemporal.

E a vida pode ser preenchida, com amor, com despudor, com crença, com isolamento. Desde que se abra uma caixa corpulenta onde possam ser lançados o desafeto, o desassossego e o receio de seguir. Mudar é desapego e caixas lotadas de desespero devem ser lacradas e esquecidas num canto.

Caixas vazias precisam ser abertas e abarrotadas, folhas em branco carecem de ser rabiscadas, e, entre um silencio ou outro, são prioritários alguns alaridos. Mudar é fazer tudo de novo, mesmo que um pouco igual, pois é uma forma de ressurgir.

Viver é obrigatório e mudar é para todo o tempo, incessantemente.

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