O AMOR NOS TEMPOS DO CO(MO AMAR?)

O AMOR NOS TEMPOS DO CO(MO AMAR?)

Se você já se pegou alguma vez agindo de certa forma para tentar se tornar alguém que não é com o objetivo de agradar o outro ou mesmo julgando a forma de se relacionar de casais amigos ou próximos por simplesmente não compreender ou não ser similar à sua maneira, você precisa parar.

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De Shakespeare, Allan Poe, Austen, Lispector e Drummond a Meyer, Sparks e Green – todos acreditavam na importância de falar e, acima de tudo, escrever sobre amor. Desde 1565 de Romeu e Julieta até o último filme melacueca em que você se pegou enxugando envergonhadamente as lágrimas que caíam na pipoca comprada minutos antes de entrar no cinema, é cada vez maior a incessante busca de definição e compreensão por algo que (de uma vez por todas, meus caros) é inteiramente formado por pessoas. Pessoas são complexas, diferentes e, em grande parte de si mesmas, indecifráveis.

Isso quer dizer que o amor é, sim, algo intrínseco aos que o praticam. Isso quer dizer que ninguém além dos que aqueles que o tem podem defini-lo ou limitá-lo em suas vidas. Isso quer dizer que, de uma vez por todas, precisamos parar de querer encaixar a nossa forma de amar a um padrão social que nos massacra, sufoca e fronteiriza o próprio sentir. Significa nos dar liberdade de amar livremente quem quisermos, da maneira que quisermos e pôr nossas relações em um filtro capaz de nos proporcionar prazer e felicidade.

Aos 20 anos, percebo, na minha geração, uma necessidade constante de autoafirmação e busca pela própria identidade. Fica clara a vontade de se encaixar em determinados padrões para ver a si mesmo completo. Isso acontece nas redes sociais, na roda de conversa no bar, nas reuniões de família, na noite, mas principalmente e de uma forma completamente agressiva, nos relacionamentos.

Se você já se pegou alguma vez agindo de certa forma para tentar se tornar alguém que você não é com o objetivo de agradar o outro, você faz parte desse grupo de pessoas. E te sobra insegurança. Se você já se pegou julgando ou criticando a forma de se relacionar de casais amigos ou próximos a você por simplesmente não compreender ou não ser similar à sua maneira, você faz parte desse grupo de pessoas. E precisa parar.

“Regras universais” que ditam como relacionamentos devem ser e menosprezam ou supervalorizam atitudes e ações em uma relação não existem ou, pelo menos, não deveriam existir. Não é todo mundo que fala o tempo todo com o parceiro ou a parceira; não é todo mundo que fala “eu te amo” todos os dias; não é todo mundo que sente ciúmes ou acha que o outro não deveria sair pra determinados lugares sozinho; não é todo mundo que escolhe parar de fazer certas coisas porque agora está “em um relacionamento sério”. Também não é todo mundo que consegue esconder algo do outro “para não desgastar a relação” ou ser a pessoa mais compreensiva do mundo com algo que não a agrada.

E TUDO BEM.

Tudo bem você ser exatamente quem você é porque (acredite!) somente dessa forma você vai encontrar alguém com quem não precise fazer muito esforço para dar certo. A verdade é que quando a gente se encontra antes de encontrar alguém, fica muito mais fácil aceitar o outro. E relacionamentos são unicamente isso: querer estar com o outro do jeito que ele é (e se não deu certo, paciência!). Não existe uma fórmula que explique o que você deve ser e como agir para funcionar com alguém porque (adivinha só) o amor é construído por duas pessoas com vivências, experiências e opiniões diferentes. Sabe, nunca será um problema só seu.

Chegou a hora (e já é tarde) de acabarmos com os joguinhos ou atitudes falsas para parecer interessante. Nada nem ninguém pode ditar o que te faz se sentir bem consigo mesmo e, veja bem, você também não. Sonho com o dia em que eu, você e todo mundo pararemos de olhar para os relacionamentos dos outros e olharemos mais para nós mesmos. Só assim enxergaremos a dimensão da nossa capacidade de amar o outro e como tudo é muito mais simples do que parece.

A geração do “como amar?” se perde em meio a tantos rótulos e limitações. Se você faz parte dela, tenha certeza que a capacidade de fazer seu namoro, casamento ou rolo ser leve, natural e incrível só depende de vocês dois, mais ninguém. A chave está em ser você mesmo e buscar, infinitamente, ser a pessoa que você gostaria de ser, escolher caminhos que te façam feliz e querer construir algo com alguém – sem egoísmo, vaidade ou inveja. Não é tão difícil. Eu não me arrisco a dizer que é fácil, porque lidar com o outro, em qualquer circunstância, exige paciência e concessões diárias. Mas se experimentássemos viver algo com alguém que não passe por nenhum código de conduta, baseado em comunicação e diálogo plenos e inteiramente formado pelo que realmente acreditamos, talvez fosse um pouco mais fácil.

Definitivamente, vale a pena tentar.

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