O MORRO DOS VENTOS UIVANTES E A DIFÍCIL ARTE EM PERDOAR

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES E A DIFÍCIL ARTE EM PERDOAR

O que poderíamos tirar como lição desse conto, se houvesse a mínima possibilidade em enganar o fatídico destino, é que liberdade não esta em quem nos dá acesso, isso se chama escravidão. E sim, onde ou com quem quisermos.

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Escutaram? O vento quer nos dizer algo (…) Esta frio. Abra a sua janela…sou eu…deixe-me entrar!

Sob o olhar atento da personagem Nelly, a governanta, mergulhamos profundamente na trama do imaginário de Emily Bronté, que passados 169 anos ainda nos fascina , provocando com uma narrativa emaranhada de conflitos que oras somos coibidos a sermos juiz ou defensor.

Bronté nos relata acontecimentos sem ao menos ter vivenciado os predicados de uma mulher vivida que se despira da inocência. Aos vinte e nove anos, com uma narrativa e um atmosfera tensa rejeitada pela época, uma Inglaterra vitoriana, é lançado “Wuthering Heights”, conhecido por nós tupiniquins como O Morro dos Ventos Uivantes, seu único romance, pois aos trinta anos, um ano após ao lançamento, a tuberculose a levaria.

O senhorio de Heathcliff, proprietário do Morro dos Ventos Uivantes, durante uma terrível nevasca, precisa se abrigar na casa. A partir dessa noite nada convencional revela-se a história da paixão entre Heathcliff e Catherine.

Emily Brontë criou um mundo próprio, perpassado pelo sobrenatural, para escrever uma das mais trágicas – e igualmente românticas – histórias da literatura inglesa.

Quem não quer o bem, o bom? Mas o imperialismo da mediocridade disfarçada em fast food, no já, na satisfação do consume instantâneo, faz do homem válvula retirante numa busca insana.

Histórias como essa e para nosso deleite, onde houve varias adaptações tanto cinema, como peças, vem nos lembrar e contra por o dito que repetimos as mesmas coisas. Mudam- se as épocas, e estabelece e/ou confirma a sublime limitação que nos condena, reles seres humanos, que certas catástrofes não são meras tradições vindas com o gene, muito menos produto do coletivo subconsciente; a vida em suma, segue assim.

Sob a invisível balança, o peso penca no encontro de infelizes amantes.

O que poderíamos tirar como lição desse conto, se houvesse a mínima possibilidade em enganar o fatídico destino, é que liberdade não esta em quem nos dá acesso, isso se chama escravidão. E sim, onde ou com quem quisermos.

O Morro dos Ventos Uivantes, trás ao paladar o sabor de uma indigesta profecia. Amor, ódio, poder, resumiria esse conto tão doido e por muitos vividos. Que sangra, devasta e dói. Inflama e permanece intacta a chama, como uma casta que haja jejum e oração ou não para nos ver libertos.

Despidos da moral, resta-nos alçar o brado de quão frágil é o mortal.

Um brinde aos mortos… um gole! Obcecados [ ] Talvez nó ou laço. Amaldiçoados somos, por sermos resistentes aos únicos sentimentos que se possa salvar – o amor e o perdão.

Em perturbado silencio onírico, Kate Bush, vaga notas em déjà vu de um trágico e redentor fim. Deliciosa e apaixonadamente musicado, interpretado e num resumo fiel a obra de Emily Brontë , que mesmo não sendo a trilha serve-nos como importante registro.

Um lenço por favor. Vejam! O vento vem me trazendo um lamento…

“Heathcliff, sou eu, sou Cathy, voltei pra casa Estou com tanto frio, me deixe entrar na sua janela

Oh deixe eu ter, deixe eu levar sua alma pra longe Você sabe que sou eu, Cathy”

Dedicado a Edi Moreira Lima

 

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